Brasil
Bolsas e monitorias estimulam meninas e mulheres a seguirem carreiras STEM
Para muitas jovens, a distância entre o banco da escola pública e a bancada de um laboratório de ponta pode parecer impossível de ser percorrida, mas, em Petrópolis (RJ), uma ponte foi construída por meio projeto Meninas STEM. A iniciativa do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) criou uma identificação entre as estudantes e as áreas representadas pela sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharias e matemática. A unidade de pesquisa é vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Um diferencial do projeto é a participação de estudantes universitárias como monitoras. Maria Eduarda Estevam de Araújo e Rafaele Nepomuceno, ambas graduandas de engenharia de produção na Universidade Federal Fluminense (UFF) estabeleceram uma conexão muito próxima com as alunas do Ensino Médio. Com 19 e 20 anos respectivamente, a idade ajudou nessa identificação. Diante das meninas, elas são dois bons exemplos de que o estudo é um caminho possível.
Maria Eduarda entrou no projeto após se entusiasmar com uma apresentação na universidade. Hoje, bolsista, ela percebe que sua presença no laboratório tem um peso simbólico. “Saber que a gente é um pontinho nas histórias dessas meninas é muito importante. Até porque nós já fomos meninas. Agora estamos no nosso processo de formação e sabemos que pode ser difícil esse momento de descoberta profissional”, comenta.
Essa proximidade resulta em momentos de troca genuína. Maria Eduarda conta que, em uma das aulas, uma aluna se surpreendeu com sua rotina de estudos e trabalho: “Nossa, tia, mas você faz isso tudo?”. O comentário fez com que a própria monitora parasse para refletir sobre sua trajetória. “Eu fiquei reflexiva, pensando: nossa, eu faço isso tudo”. É o reconhecimento da competência feminina sendo construído de ambas as partes.
Rafaele Nepomuceno reforça que o acolhimento é o que mantém as meninas no projeto. Ela destaca o carinho que as estudantes desenvolvem pelas professoras. “Você vê a diferença na vida dessas meninas, mesmo com pouco tempo de projeto. Fico feliz quando vejo que são pessoas que não necessariamente teriam essa oportunidade, que as famílias não têm essa condição, e esse pode ser um futuro melhor”, relata Rafaele.
A questão das referências volta a ser o ponto central. Em um ambiente onde as mulheres são minoria, a solidariedade feminina vira uma estratégia de sobrevivência
acadêmica. “Como quase não temos referências, o pouco que temos se torna mais relevante. Ver essas meninas é importante para a gente, assim como ver a gente é importante para elas”, pontua. Essa rede de apoio é o que dá forças para que tanto as monitoras quanto as alunas continuem persistindo em áreas que, muitas vezes, tentam excluí-las.
Suporte e financiamento
O suporte financeiro para as monitorias e o aprendizado das alunas provém majoritariamente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que destinou 48, das 50 bolsas para a iniciativa. O projeto também conta com uma rede de fontes de fomento complementares, totalizando sete bolsas adicionais que asseguram a manutenção técnica e a monitoria das estudantes, entre esses, está a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
O maior grupo é formado pelas alunas de Iniciação Científica Júnior (ICJ), que representam 72,9% das bolsas. Para muitas dessas jovens, o projeto é o primeiro contato real com a tecnologia — dados do relatório mostram que 49,02% não tinham experiência anterior em programação.
No contexto de projetos como o do LNCC, o incentivo ao STEM busca reduzir a lacuna de gênero em setores que movem a economia global e que, historicamente, contam com pouca presença feminina. Nesse cenário, as bolsistas de iniciação científica são as graduandas que atuam como tutoras, com 8,3% das bolsas. E o ecossistema fica completo com professores orientadores da rede pública em bolsas de apoio técnico, que representam 14,6% das bolsistas.
A mulher que idealizou o projeto
O Meninas STEM é liderado pela pesquisadora titular do LNCC, Regina Célia Cerqueira de Almeida. Com uma trajetória acadêmica de excelência nas ciências exatas e graduada em engenharia civil pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Regina consolidou sua formação com mestrado e doutorado em engenharia nuclear pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia. Além disso, ela foi pesquisadora visitante em instituições de renome internacional, como as universidades de Wyoming (EUA) e Manchester (Inglaterra).
Brasil
Da ciência ao cuidado: Ministério da Saúde debate estratégias para acelerar o acesso à inovação nos serviços do SUS
Inovação em saúde, pesquisas clínicas, inteligência artificial, terapias avançadas e tecnologias de ponta ocuparam o centro do debate público durante a realização da Feira SUS Inova Brasil. O evento foi promovido pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro, na capital carioca nesta sexta-feira (17/04). A programação contou com espaços de conexões e painéis temáticos que reuniu representantes da sociedade civil e especialistas do setor público e privado.
A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, ressaltou que o evento soma-se aos esforços do Governo do Brasil para acelerar o caminho entre o que é produzido no país e a disponibilização no sistema público. O debate, destacou a secretária, precisa ser feito com a participação direta de gestores municipais e estaduais para construir estratégias cada vez mais integradas e colaborativas.
Entre as medidas já adotadas, está o apoio às pesquisas clínicas. “É a partir delas que a gente vai conseguir testar essas novas tecnologias que estão sendo feitas. E, quanto mais a gente for eficiente nesse processo, mais a gente consegue aproximar e trazer essas tecnologias para o uso efetivo no sistema de saúde lá na ponta”, enfatizou.
Outra ação destacada por Fernanda De Negri foi a implementação do Programa Nacional de Inovação Radical. Realizado em conjunto com o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), a inciativa tem o objetivo de impulsionar o conhecimento científico em soluções concretas, por meio de medicamentos, tratamentos e dispositivos que atendam às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS). “As ações são justamente para acelerar e reduzir esse gap entre a pesquisa e a inovação, e o uso dessa inovação no sistema público de saúde”, concluiu.
Caminhos da inovação aplicada
Quatro outros painéis também integraram o evento. O primeiro foi dedicado à saúde digital. Nele, especialistas discutiram como o uso eficiente de dados, da inteligência artificial e da medicina de precisão podem apoiar a modernização do SUS e, consequentemente, contribuir para a diminuição de custos. O debate mostrou que a análise qualificada dessas informações já orienta a criação de políticas públicas e apoia gestores locais a tomar decisões mais rápidas, seguras e eficientes, impulsionando novas formas de inovar na saúde pública.
O segundo painel destacou a importância de transformar resultados de pesquisas em soluções reais para o SUS, por meio da pesquisa clínica, da avaliação de novas tecnologias e da inovação em saúde. Os debatedores apontaram oportunidade para avançar em questões regulatórias, de organização dos serviços e de parcerias estratégicas para que essas inovações sejam adotadas em larga escala.
Tecnologia que transforma
A discussão sobre inovação em saúde avançou com o debate sobre o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) e seu papel na redução das desigualdades regionais no país. Especialistas destacaram que políticas públicas orientadas às características de cada território podem impulsionar o desenvolvimento produtivo local, fortalecer cadeias estratégicas do SUS e gerar impacto social direto nas comunidades. A aposta em soluções que dialogam com as realidades das regiões brasileiras foi apontada como caminho para ampliar a equidade, promover autonomia tecnológica e consolidar um modelo de inovação capaz de responder às necessidades concretas da população.
O último painel foi em torno de como o cuidado com pacientes com câncer está mudando com a novas tecnologias, que vão desde exames mais precisos, como os que usam biomarcadores e biossensores, até tratamentos avançados, como a terapia CAR-T, que usa as próprias células de defesa do paciente para atacar o tumor. O diálogo reforçou que unir diagnósticos mais confiáveis a terapias inovadoras é fundamental para que o SUS consiga adotar essas novidades de forma sustentável e para um número cada vez maior de pessoas.
Conexões
A programação contou ainda com espaços de conexão. Foi nesse ambiente que a mestranda em Gestão de Competitividade e Saúde, Ariane Volin, de 44 anos, natural do Pará e atualmente morando em São Paulo, encontrou oportunidade de compreender melhor os estágios da inovação no Brasil, especialmente no que diz respeito à pesquisa e à aplicação de práticas de governança.
Para ela, a feira é uma vitrine e um momento oportuno para aprofundar seu olhar sobre gestão. “O conteúdo apresentado contribui diretamente para minha pesquisa sobre governança pública em projetos. Estou acompanhando temas como privacidade, segurança da informação e a aplicação prática do conhecimento”, ressaltou Ariane.
Assista aos debates da Feira SUS Inova Brasil
Janine Russczyk
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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