Agro
Atraso na safra 2025/26 eleva riscos no campo e impulsiona uso de plantas de cobertura
Atrasos na colheita da soja e no plantio do milho pressionam o calendário agrícola
A safra 2025/26 tem sido marcada por atrasos importantes nas operações no campo, afetando tanto a colheita da soja quanto a implantação do milho segunda safra em diversas regiões produtoras do país.
O excesso de chuvas registrado ao longo de fevereiro reduziu significativamente as janelas operacionais, dificultando a entrada de máquinas nas lavouras e mantendo elevados os níveis de umidade dos grãos.
Efeito em cadeia reduz janela da safrinha e aumenta riscos climáticos
O atraso na colheita da soja tem provocado um efeito em cadeia dentro das propriedades. Com a liberação das áreas ocorrendo mais lentamente, o plantio do milho safrinha passa a ser realizado fora do período considerado ideal.
Esse encurtamento do intervalo entre as operações eleva a exposição das lavouras a condições de menor disponibilidade hídrica ao longo do ciclo produtivo, aumentando os riscos de perdas.
Plantio fora da janela ideal pode causar perdas de até 50%
Quando a semeadura do milho segunda safra ocorre fora da janela mais segura — geralmente entre 20 de janeiro e 20 de fevereiro, variando conforme a região — cresce a probabilidade de que fases críticas das culturas coincidam com veranicos.
Segundo a zootecnista e coordenadora de P&D da SBS Green Seeds, Lara Gabriely Silva Moura, atrasos entre 10 e 20 dias já podem provocar quedas de produtividade entre 20% e 40%, podendo superar 50% em anos de clima mais seco.
Plantas de cobertura ganham protagonismo no manejo
Diante desse cenário, as plantas de cobertura deixam de ser uma prática complementar e passam a ocupar papel central nas estratégias de manejo, especialmente em áreas onde a janela da safrinha já está comprometida.
A adoção dessas espécies permite manter o sistema produtivo ativo, mesmo quando não é possível explorar todo o potencial de culturas comerciais.
Espécies versáteis ajudam a proteger o solo e conservar a umidade
Entre as principais opções utilizadas estão braquiárias (como Urochloa ruziziensis e Urochloa brizantha), milheto (Pennisetum glaucum), crotalárias (Crotalaria spectabilis e Crotalaria juncea) e nabo forrageiro (Raphanus sativus).
Essas espécies se destacam pela alta capacidade de adaptação e pelos benefícios ao sistema produtivo. A produção de palhada pode variar entre 5 e 12 toneladas de matéria seca por hectare, formando uma camada que reduz a evaporação do solo entre 30% e 50% e contribui para manter temperaturas mais estáveis.
Em períodos de veranico, essa proteção favorece a conservação da umidade e melhora as condições para o desenvolvimento das culturas seguintes.
Ciclagem de nutrientes melhora eficiência do sistema
Outro benefício importante das plantas de cobertura é a ciclagem de nutrientes. Durante o ciclo, essas espécies conseguem absorver e acumular quantidades relevantes de عناصر essenciais ao solo.
Os volumes podem variar entre 40 kg e 120 kg de nitrogênio, 10 kg a 30 kg de fósforo (P₂O₅) e 50 kg a 200 kg de potássio (K₂O) por hectare. Após a decomposição da palhada, parte desses nutrientes retorna ao sistema, contribuindo para maior eficiência no uso de fertilizantes.
Escolha da espécie influencia liberação de nutrientes
A velocidade de liberação dos nutrientes depende da relação carbono/nitrogênio (C/N) das espécies utilizadas.
Gramíneas como braquiárias e milheto apresentam relação mais elevada, entre 30:1 e 60:1, o que favorece maior persistência da palhada no solo. Já leguminosas como a crotalária possuem relação mais baixa, entre 15:1 e 25:1, proporcionando decomposição mais rápida e liberação antecipada de nitrogênio.
Estratégia fortalece resiliência diante da variabilidade climática
Com a janela da safrinha mais curta, o sistema produtivo passa a depender menos exclusivamente de uma segunda cultura com alto potencial produtivo e mais de práticas que promovam a construção do solo e a estabilidade ao longo do tempo.
Nesse contexto, as plantas de cobertura se consolidam como uma ferramenta essencial para proteger o solo, melhorar suas condições físicas e químicas e reduzir os impactos de períodos secos mais frequentes.
Segundo a especialista, mais do que uma alternativa, essas espécies se tornam fundamentais para sustentar a produtividade e a eficiência das lavouras em cenários de maior instabilidade climática.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Galinhas soltas e felizes, ovos caipiras, orgânicos: Mapa acompanha diversificação do mercado
Happy eggs, galinhas livres, ovos orgânicos, caipiras, com ômega 3, líquidos ou em pó, brancos, vermelhos e até azulados. O mercado de ovos no Brasil oferece uma variedade de produtos e sistemas de produção. As diferentes denominações estão relacionadas às características do sistema de criação, à composição ou ao processamento do alimento e devem observar as regras previstas para produção e rotulagem.
De acordo com o Instituto Ovos Brasil, o consumo por habitante passou de 120 ovos por ano, em 2010, para 310 ovos em 2026. O país é o sexto maior consumidor e o quarto maior produtor mundial.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) acompanha a evolução do setor, estabelece normas para a produção e fiscaliza estabelecimentos e produtos de origem animal, dentro de suas competências. Os produtos podem ser identificados conforme a espécie de origem e as características do sistema de produção. No caso de ovos de outras aves, como codornas, patos e avestruzes, a espécie deve ser informada na embalagem. Denominações como “caipira” e “orgânico” também devem observar regras específicas de produção e rotulagem.
DIFERENÇAS
Os ovos convencionais, brancos ou vermelhos, apresentam a mesma composição nutricional. A principal diferença entre eles está relacionada à linhagem ou raça das galinhas: ovos brancos geralmente vêm de aves de penas brancas, enquanto os de casca vermelha são produzidos por linhagens de penas mais escuras. A cor da casca, por si só, não determina diferenças nutricionais.
Na produção convencional, as aves podem ser criadas em diferentes sistemas, inclusive em gaiolas, conforme as normas aplicáveis.
A produção de ovos caipiras prevê requisitos específicos para a criação das aves, incluindo acesso a áreas externas de pastejo. As áreas destinadas às aves devem observar medidas de biosseguridade para reduzir riscos sanitários, inclusive relacionados ao contato com aves silvestres.
Já as galinhas criadas em sistemas livres de gaiolas ficam soltas em galpões. Conforme o sistema adotado, podem ter ou não acesso a áreas externas. As condições de criação e a densidade das aves devem observar os requisitos previstos para o sistema de produção.
Expressões como “galinhas felizes” ou “happy eggs” podem ser utilizadas como estratégia de comunicação ou marketing. Elas, no entanto, não substituem as denominações e informações exigidas pela legislação. Quando a embalagem apresenta uma característica diferenciada, a informação deve corresponder às condições efetivamente verificadas na produção.
Também existem ovos cuja composição é associada à presença de nutrientes específicos, como ômega 3, selênio ou vitamina E. Nesses casos, a alimentação fornecida às aves pode ser formulada para influenciar a composição do produto final. As informações e alegações apresentadas na embalagem devem observar as regras aplicáveis à rotulagem de alimentos.
O ovo orgânico segue a legislação de produção orgânica em vigor no país, que estabelece requisitos específicos para alimentação, manejo das aves e utilização de insumos. O sistema também prevê restrições específicas para medicamentos, insumos e componentes utilizados na alimentação.
Ovos líquidos e em pó são produtos obtidos a partir do processamento dos ovos. Podem ser utilizados pela indústria de alimentos, por padarias e também em preparações destinadas ao consumidor. A apresentação facilita a manipulação e o uso do produto, e clara e gema podem ser comercializadas separadamente.
No Brasil, os ovos de diferentes cores ainda são menos comuns, mas existem variedades com casca azulada e outras tonalidades. A cor da casca está relacionada à linhagem ou raça da galinha e, por si só, não indica diferença nutricional. Quando essa característica estiver associada à origem genética da ave, a informação deve observar as regras de identificação e rotulagem.
CURIOSIDADES
A diversificação dos produtos não é, por si só, uma exigência legal. No entanto, quando o produtor declara uma condição diferenciada, como “caipira” ou “orgânico”, é necessário atender aos requisitos correspondentes.
Cabe aos serviços de inspeção competentes verificar o cumprimento dessas condições dentro de suas atribuições. Assim, as características declaradas na embalagem devem corresponder ao produto efetivamente produzido e comercializado.
VENDAS
A fiscalização da produção de ovos nos estabelecimentos produtores envolve os serviços de inspeção competentes, conforme o tipo de estabelecimento e o âmbito de comercialização. O estabelecimento deve estar registrado no serviço de inspeção correspondente – municipal, estadual ou federal – de acordo com as regras aplicáveis à comercialização do produto.
No varejo, a fiscalização também envolve as vigilâncias sanitárias municipal ou estadual, conforme suas atribuições.
De acordo com o Instituto Ovos Brasil, cerca de 20% da produção nacional de ovos chega às grandes redes de supermercados. Os demais são comercializados por outros canais, como pequenos estabelecimentos, feiras e diretamente à indústria.
O Brasil também exporta ovos. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações em 2025 somaram 40.894 toneladas, aumento de 121% em relação ao ano anterior. Entre os principais destinos estiveram Estados Unidos, Japão, Chile, México e Emirados Árabes Unidos.
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