Agro
Arroz e feijão começam o ano em caminhos opostos
Os mercados de arroz e feijão atravessam momentos opostos no início do ano, refletindo diferenças claras nos fundamentos de oferta, demanda e estratégia dos produtores. Enquanto o arroz permanece pressionado por excesso de disponibilidade interna e externa, com preços estagnados e margens apertadas, o feijão — especialmente o carioca — vive uma ruptura estrutural que elevou as referências de preços e mudou o comportamento dos agentes.
No caso do arroz, o cenário segue marcado por ampla oferta e baixa capacidade de reação das cotações. Segundo análise da Safras & Mercado, mesmo com boa produtividade no campo, as perspectivas para 2026 indicam baixa probabilidade de valorização expressiva. Os custos de produção continuam elevados, comprimindo as margens, e a abundância do grão limita qualquer movimento mais consistente de alta.
O câmbio tem reforçado esse quadro. Com o dólar abaixo de R$ 5,30, a competitividade do arroz brasileiro no mercado internacional diminuiu, dificultando a negociação de novos contratos de exportação. Ainda assim, os embarques seguem em ritmo relevante, sobretudo como estratégia defensiva da indústria para escoar excedentes. Em janeiro, o Porto de Rio Grande embarcou cerca de 139,6 mil toneladas (base casca), com outras 50,8 mil toneladas programadas, sendo mais de 65% desse volume composto por arroz quebrado, de menor valor agregado.
A combinação de safra bem conduzida, mercado saturado, câmbio desfavorável e comercialização conservadora mantém os preços praticamente lateralizados. No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, a saca de 50 quilos encerrou a semana cotada a R$ 53,06, com leves altas semanais e mensais, mas ainda acumulando forte desvalorização na comparação anual, reflexo direto do excesso de oferta.
Se no arroz o desafio está em escoar a produção, no feijão o problema é justamente o oposto. O mercado de feijão carioca passou por uma mudança estrutural recente, marcada por escassez física, retenção estratégica dos produtores e demanda ainda firme. O resultado foi a ruptura de resistências históricas de preço e a formação de um novo patamar de negociação.
A referência de R$ 250 por saca CIF São Paulo, que funcionava como teto psicológico, passou a ser tratada como piso técnico para grãos de melhor qualidade. Mesmo com a ausência de lotes extra de padrão superior, o mercado passou a negociar valores entre R$ 270 e R$ 280 por saca, especialmente para cultivares mais valorizadas, sinalizando que o mercado passou a precificar risco de escassez, e não apenas custos.
A falta de produto de alta qualidade provocou um efeito em cadeia, elevando também os preços de padrões intermediários, que ganharam liquidez. No Paraná, a diferenciação entre cultivares se intensificou, com prêmios para variedades de escurecimento lento, mais demandadas pelo varejo. Nas principais origens, não há pressão vendedora, e o mercado FOB confirmou os novos patamares, validando a alta como estrutural.
No feijão preto, o movimento é semelhante, embora mais gradual. Após um longo período de preços deprimidos, o mercado iniciou uma reação sustentada por oferta mais ajustada e retenção do produto recém-colhido. O grão a granel praticamente desapareceu das negociações, reduzindo a pressão baixista e favorecendo a valorização.
O patamar de R$ 200 por saca CIF São Paulo se consolidou, enquanto lotes beneficiados avançaram para a faixa entre R$ 205 e R$ 220 por saca. No mercado FOB, os preços reagiram de forma consistente, com variações regionais, refletindo a menor disponibilidade e a expectativa de entressafra técnica.
A leitura do mercado é clara: enquanto o arroz segue dependente de ajustes na oferta e de melhora no ambiente externo para recuperar preços, o feijão atravessa um momento de recomposição, sustentado por estoques menores do que o inicialmente estimado e por uma postura mais firme dos produtores. Dois grãos básicos da mesa do brasileiro, mas em ciclos completamente distintos.
Fonte: Pensar Agro
Agro
Mercado de trigo inicia 2026 com ritmo lento e preços pressionados
O mercado brasileiro de trigo começou o ano com pouca movimentação e negociações pontuais, refletindo a postura cautelosa dos compradores e a defesa dos vendedores. Segundo o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, o mês de janeiro foi marcado por baixa fluidez e um ambiente de transição gradual dos fundamentos do setor, especialmente nos estados do Paraná e Rio Grande do Sul.
Moinhos mantêm estoques e negociam apenas oportunidades
De acordo com Bento, os moinhos iniciaram o ano com estoques confortáveis, o que reduziu a urgência por novas compras. A preferência foi por negócios de oportunidade, resultando em baixa liquidez, especialmente no Paraná, onde as referências de preço para novos contratos foram escassas nas primeiras semanas do mês.
No Rio Grande do Sul, o analista destaca que houve perda de competitividade nas exportações, com preços portuários em torno de R$ 1.130 por tonelada, deixando de atrair o mercado externo. “Esse patamar já não remunera adequadamente a operação exportadora, o que limita o escoamento do excedente interno, especialmente em anos de maior oferta regional”, explicou Bento.
Importações limitam altas e definem teto de preços
Com a perda de força das exportações, o mercado interno passou a ser balizado pela paridade de importação, que se consolidou como principal referência para formação de preços domésticos. Embora o trigo nacional ainda mantenha alguma competitividade, a ampla oferta global atua como um limitador para altas mais expressivas.
No interior do Paraná, as negociações ficaram próximas de R$ 1.200 por tonelada, enquanto no Rio Grande do Sul os valores variaram entre R$ 1.050 e R$ 1.100/t FOB. Mesmo com produção nacional menor do que em ciclos anteriores, o Brasil continua altamente dependente de importações.
Oferta argentina influencia qualidade e preços internacionais
No cenário externo, a safra recorde da Argentina tem desempenhado papel central na formação de preços, mas trouxe um desafio adicional: a queda no teor de proteína dos grãos devido ao excesso de chuvas, com registros entre 8% e 9% em algumas regiões.
Segundo Bento, esse cenário elevou os prêmios para lotes com maior qualidade industrial e levou os moinhos brasileiros a buscar trigos melhoradores em outras origens. No fim de janeiro, o trigo argentino com 11,5% de proteína era cotado entre US$ 212 e US$ 220 por tonelada FOB, mantendo-se competitivo para embarques futuros.
Ambiente de cautela e transição de fundamentos
Janeiro foi caracterizado por um mercado de acomodação e seletividade nas compras, com pouca volatilidade, já que as indústrias operam com estoques confortáveis e sem urgência nas aquisições.
O analista projeta que o mercado brasileiro de trigo seguirá em transição ao longo de 2026: “O primeiro semestre ainda será influenciado pelos fundamentos da safra 2025/26, enquanto o segundo semestre começará a precificar riscos e expectativas da safra 2026/27, tanto no Brasil quanto no cenário internacional”, avaliou Bento.
Importações somam 2,78 milhões de toneladas na safra 2025/26
Segundo levantamento da Safras & Mercado, os line-ups de importação de trigo com desembarque nos portos brasileiros totalizam 2,778 milhões de toneladas entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026. No mesmo período da safra anterior (2024/25), o volume havia sido de 2,913 milhões de toneladas, indicando leve retração nas compras externas.
O estado de São Paulo lidera os desembarques, com 594,7 mil toneladas (21,4%), seguido por Ceará (569,5 mil t; 20,5%), Pernambuco (347 mil t; 12,5%) e Bahia (340,1 mil t; 12,2%). Também se destacam Rio de Janeiro (230,4 mil t; 8,3%), Paraná (161,4 mil t; 5,8%) e Rio Grande do Sul (159,5 mil t; 5,7%).
Entre janeiro e fevereiro de 2026, os volumes já desembarcados ou previstos somam 436,3 mil toneladas, sendo 59,7% provenientes da Argentina, 2,8% da Rússia e 3,4% do Rio Grande do Sul via cabotagem. O restante (34,1%) ainda não tem origem definida, mas há expectativa de aumento na participação de cargas russas e norte-americanas, diante das limitações de qualidade do trigo argentino.
Bento observa ainda que o trigo paraguaio, por entrar via terrestre, não é contabilizado nos line-ups portuários, e que parte do grão desembarcado em um estado pode ser redistribuída para consumo em outras regiões do país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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