Agro
ApexBrasil aponta mercados alternativos para exportações da Região Norte frente a tarifas dos EUA
Um estudo recente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), lançado em 3 de setembro, identificou alternativas de mercado para os estados da Região Norte diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo o levantamento, Amazonas e Amapá destinam cerca de 10% de suas exportações aos EUA, com destaque para eletroeletrônicos, minérios, sorvetes e frutas processadas.
No Amazonas, produtos como ‘outras naftas’, dispensadores automáticos de papéis-moeda e motocicletas têm os EUA como compradores estratégicos. Já no Amapá, itens como sorvetes e frutas processadas apresentam mais de 50% das vendas externas direcionadas ao mercado norte-americano. Outros estados da região, como Acre, Rondônia, Pará e Tocantins, possuem menor dependência relativa – entre 3% e 5% –, mas exportam produtos sensíveis como madeira e castanha-da-Amazônia (TF Agroeconômica, ApexBrasil).
Diversificação: América do Sul, Europa, Ásia e Canadá como alternativas
O estudo aponta que os estados da Região Norte podem reduzir a dependência do mercado norte-americano explorando oportunidades em outros continentes. Para o Amazonas, o levantamento indica mercados na América do Sul (Paraguai, Argentina), União Europeia (França, Espanha, Itália) e China, especialmente para autopeças, madeiras tropicais e castanha-da-Amazônia.
No Pará, os principais mercados alternativos incluem Ásia (Japão, Coreia do Sul), União Europeia (Alemanha, Espanha) e África (Guiné Equatorial, África do Sul), para produtos como ferro fundido bruto, madeiras tropicais e sucos. O Amapá pode direcionar exportações para Austrália, Países Baixos, Japão e Emirados Árabes Unidos, sobretudo de frutas processadas e sorvetes.
Acre, Rondônia e Roraima também têm oportunidades de diversificação. O Acre mira a União Europeia (Espanha, Itália, Portugal), Canadá e Austrália para madeira e castanha-da-Amazônia. Rondônia pode expandir vendas para União Europeia (Países Baixos, França), América do Norte (Canadá) e Ásia (Coreia do Sul, Malásia), com foco em madeiras compensadas, sebo de bovinos e madeiras tropicais perfiladas. Roraima tem potencial para Bélgica, Chile e África do Sul em distribuidores de adubos.
Impacto das tarifas norte-americanas sobre exportações brasileiras
O estudo da ApexBrasil identificou 195 produtos brasileiros afetados pelas tarifas dos EUA, considerando o peso das exportações em cada estado. As tarifas, estabelecidas pela Ordem Executiva norte-americana EO 14323 em julho de 2025, afetam diretamente a competitividade de diversos produtos brasileiros.
Em 2024, os EUA foram responsáveis por 12% das exportações brasileiras, totalizando US$ 40,4 bilhões, reforçando a importância de alternativas de mercado para reduzir riscos e dependência.
Plano Brasil Soberano e apoio às empresas
O levantamento faz parte do esforço da ApexBrasil para apoiar empresas afetadas e integra o Plano Brasil Soberano, lançado pelo Governo Federal. O plano prevê medidas para proteger exportadores brasileiros, preservar empregos, incentivar investimentos em setores estratégicos e assegurar a continuidade do desenvolvimento econômico nacional.
Para Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, o estudo é fundamental para identificar estados e setores mais expostos, permitindo ações concretas de diversificação. Gustavo Ribeiro, gerente de Inteligência de Mercado, reforça que a publicação fornece subsídios práticos para empresas e gestores públicos, promovendo decisões estratégicas diante de um cenário internacional de instabilidade comercial.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Milho trava negócios no Brasil com pressão de Chicago, dólar instável e expectativa de safra cheia
O mercado brasileiro de milho segue operando em ritmo lento e com baixa liquidez, diante da combinação de pressão externa nas cotações internacionais, dólar praticamente estável e expectativa de uma segunda safra robusta no Brasil. O cenário reduz o interesse dos compradores e trava negociações em importantes regiões produtoras do país.
A fraqueza registrada na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) continua sendo o principal fator de pressão sobre os preços internos. Além disso, consumidores demonstram postura cautelosa, apostando em novas quedas nas próximas semanas com a entrada mais intensa da safrinha no mercado.
Chicago amplia pressão sobre o milho
Os contratos futuros do milho encerraram o pregão em baixa na CBOT, acompanhando o forte recuo do petróleo em Nova York e um movimento técnico de realização de lucros por parte dos investidores.
O contrato julho/26 fechou cotado a US$ 4,65 3/4 por bushel, com perda de 9,50 centavos, equivalente a queda de 1,99%. Já o vencimento setembro/26 terminou a US$ 4,72 1/2 por bushel, recuo de 1,86%.
O mercado internacional reagiu à forte desvalorização do petróleo após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando possibilidade de redução das tensões envolvendo o Irã. Apesar do discurso mais otimista, agentes seguem atentos aos riscos geopolíticos no Oriente Médio e seus impactos sobre energia e logística global.
Outro fator de pressão veio da valorização do dólar frente às principais moedas globais, movimento que reduz a competitividade das exportações norte-americanas de milho.
Ao mesmo tempo, investidores ajustaram posições antes da divulgação dos dados semanais de exportação dos Estados Unidos. O mercado trabalha com expectativa de vendas entre 1 milhão e 1,8 milhão de toneladas, acima do volume da semana anterior.
Mercado brasileiro enfrenta dificuldade nas negociações
No Brasil, a comercialização permanece travada. Produtores avançam pontualmente na fixação de oferta, mas seguem resistentes a aceitar preços mais baixos. Em diversas regiões, os valores pedidos permanecem acima das indicações de compra apresentadas pelos consumidores.
Do lado da demanda, indústrias e compradores atuam de forma lenta, indicando bom abastecimento no curto prazo e expectativa de preços mais fracos com o avanço da colheita da safrinha.
A queda do dólar ao longo do pregão anterior também reduziu espaço para reação positiva nos portos, limitando novos negócios de exportação.
Preços do milho nos portos
Nos principais corredores de exportação, as cotações ficaram relativamente estáveis:
- Porto de Santos: entre R$ 65,00 e R$ 70,00 por saca CIF;
- Porto de Paranaguá: entre R$ 64,50 e R$ 69,00 por saca.
Cotações regionais do milho
No mercado interno, os preços variaram conforme disponibilidade de oferta e ritmo da demanda:
- Cascavel (PR): R$ 59,00 a R$ 63,00 por saca;
- Mogiana (SP): R$ 60,00 a R$ 62,00;
- Campinas CIF (SP): R$ 65,00 a R$ 67,00;
- Erechim (RS): R$ 66,00 a R$ 68,00;
- Uberlândia (MG): R$ 55,00 a R$ 60,00;
- Rio Verde (GO): R$ 56,00 a R$ 58,00 CIF;
- Rondonópolis (MT): R$ 50,00 a R$ 53,00 por saca.
B3 fecha mista e mercado monitora risco climático
Na B3, os contratos futuros do milho encerraram o dia de forma mista, refletindo um mercado ainda cauteloso e sem força para movimentos mais consistentes.
O vencimento julho/26 terminou cotado a R$ 66,95 por saca, com baixa de R$ 0,25. O setembro/26 fechou a R$ 69,77, com leve alta de R$ 0,04. Já novembro/26 encerrou a R$ 72,70, avanço de R$ 0,06.
Segundo análise da TF Agroeconômica, o mercado ainda monitora possíveis riscos climáticos capazes de provocar perdas mais adiante na temporada, embora o cenário atual continue apontando para ampla oferta no segundo semestre.
Sul e Centro-Oeste registram baixa liquidez
No Rio Grande do Sul, o mercado segue lento, com compradores abastecidos e negócios pontuais. As indicações variam entre R$ 56,00 e R$ 65,00 por saca, enquanto a média estadual gira em torno de R$ 58,08.
Em Santa Catarina, a diferença entre pedidas e ofertas trava as negociações. Produtores trabalham próximos de R$ 70,00 por saca, enquanto compradores indicam valores perto de R$ 65,00.
No Paraná, os elevados estoques e a expectativa de uma safrinha robusta seguem pressionando o mercado. As indicações giram em torno de R$ 65,00 por saca, com demanda ao redor de R$ 60,00 CIF.
Já em Mato Grosso do Sul, a maior disponibilidade do cereal amplia a cautela dos compradores, com preços entre R$ 51,00 e R$ 53,00 por saca e pressão mais intensa em regiões como Campo Grande e Sidrolândia.
Dólar e cenário financeiro seguem no radar
O dólar comercial operava com leve alta, cotado a R$ 5,0102, enquanto o Dollar Index avançava para 99,333 pontos.
No cenário internacional, as bolsas asiáticas fecharam sem direção única, com forte queda na China e valorização expressiva no Japão. Na Europa, predominaram perdas entre os principais índices.
O petróleo WTI, por sua vez, voltou a operar acima de US$ 100 por barril, refletindo a volatilidade causada pelas tensões geopolíticas e pela instabilidade no mercado global de energia.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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