Connect with us


Agro

Alta do diesel pressiona importações e encarece logística no Brasil; especialistas apontam 5 estratégias para proteger margens

Publicado em

A alta recente dos combustíveis voltou a pressionar a cadeia de importações no Brasil e já provoca impacto direto nos custos logísticos de empresas que dependem do transporte rodoviário. O aumento do diesel e da gasolina encarece frete, armazenagem e distribuição, reduz a previsibilidade financeira e pressiona as margens em diferentes setores da economia.

Em abril, a Petrobras anunciou reajuste médio de 6,3% no preço do diesel para as distribuidoras, movimento que tende a se espalhar rapidamente por toda a cadeia de transporte e logística. Segundo dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), cerca de 65% das cargas no Brasil são transportadas por rodovias, o que amplia o efeito imediato de qualquer variação no preço do combustível.

De acordo com Murillo Oliveira, especialista em investimentos e estruturação financeira internacional e Head of Treasury da Saygo, o impacto vai muito além do custo direto do combustível.

“Quando o combustível sobe, a empresa não paga apenas mais caro pelo transporte. Ela absorve aumento em armazenagem, distribuição, prazo de entrega e capital de giro. Muitas vezes a margem desaparece sem que o empresário perceba imediatamente”, afirma o executivo.

Impacto da alta do diesel atinge toda a cadeia de importação

Para empresas importadoras, o cenário é ainda mais sensível. Após a chegada da mercadoria aos portos, os produtos seguem por transporte rodoviário até centros de distribuição, indústrias ou pontos de venda. Nesse percurso interno, o aumento do frete pode elevar significativamente o custo final da operação.

Leia mais:  O que o produtor rural precisa saber sobre a conferência que vai mexer com o campo

Segundo Oliveira, muitas companhias ainda concentram sua análise apenas em variáveis como câmbio e impostos, ignorando o peso da logística doméstica na formação de preço.

“Há empresas olhando apenas dólar e imposto, quando parte relevante da perda está na logística interna”, destaca.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o grupo Transportes segue entre os principais vetores de inflação no país, reforçando o impacto estrutural do setor sobre toda a cadeia produtiva.

Empresas precisam revisar estratégia logística e financeira

Diante do cenário de combustíveis mais caros, especialistas apontam que empresas importadoras precisam rever imediatamente seus modelos de operação, incluindo contratos logísticos, planejamento financeiro e estrutura de distribuição.

Segundo Murillo Oliveira, o combustível deve ser tratado como variável estratégica dentro da gestão empresarial.

“Quem importa de forma recorrente precisa tratar combustível como variável estratégica. Esperar o fechamento do mês para descobrir o impacto já é tarde”, alerta.

O especialista também destaca que há espaço para ganho de competitividade entre empresas que adotam gestão mais eficiente de custos e logística.

Cinco decisões estratégicas para proteger margens em cenário de alta do diesel

Murillo Oliveira aponta cinco medidas essenciais para reduzir o impacto da alta dos combustíveis e preservar a rentabilidade das operações:

1. Revisão de contratos logísticos

Empresas devem renegociar tabelas de frete, cláusulas de reajuste e volumes mínimos. Muitos contratos foram firmados em um cenário de custos diferente do atual.

Leia mais:  CPR alcança R$ 561 bilhões e reforça avanço do financiamento privado do agronegócio

2. Redesenho de rotas e centros de distribuição

A otimização de trajetos e a consolidação de cargas podem reduzir quilômetros rodados e diminuir significativamente o consumo de diesel.

3. Integração entre compras e tesouraria

A gestão de importações precisa integrar logística, fluxo de caixa e câmbio, evitando decisões isoladas que aumentam o custo final da operação.

4. Antecipação de repasses de preços

A negociação prévia com clientes e distribuidores ajuda a reduzir o impacto de choques de custos repentinos, preservando margens.

5. Uso de inteligência de dados na logística

O monitoramento contínuo de fretes, prazos e custos por região permite ajustes rápidos e maior controle da rentabilidade operacional.

Eficiência operacional se torna diferencial competitivo

Oliveira também alerta para um erro recorrente entre importadores: a escolha de fornecedores baseada apenas no menor preço FOB, sem considerar o custo total até o destino final.

“Às vezes a mercadoria parece barata na origem, mas chega cara ao estoque. O empresário precisa olhar o custo posto, não só o preço inicial”, explica.

Apesar do cenário de pressão nos custos, o especialista avalia que o momento também cria oportunidades para empresas mais organizadas ampliarem participação de mercado. Companhias que investem em eficiência logística, gestão de dados e planejamento integrado tendem a sofrer menos impactos e responder mais rapidamente às mudanças de preços.

“Em momentos de alta, eficiência operacional vira vantagem competitiva real”, conclui Murillo Oliveira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook

Agro

Milho trava negócios no Brasil com pressão de Chicago, dólar instável e expectativa de safra cheia

Published

on

O mercado brasileiro de milho segue operando em ritmo lento e com baixa liquidez, diante da combinação de pressão externa nas cotações internacionais, dólar praticamente estável e expectativa de uma segunda safra robusta no Brasil. O cenário reduz o interesse dos compradores e trava negociações em importantes regiões produtoras do país.

A fraqueza registrada na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) continua sendo o principal fator de pressão sobre os preços internos. Além disso, consumidores demonstram postura cautelosa, apostando em novas quedas nas próximas semanas com a entrada mais intensa da safrinha no mercado.

Chicago amplia pressão sobre o milho

Os contratos futuros do milho encerraram o pregão em baixa na CBOT, acompanhando o forte recuo do petróleo em Nova York e um movimento técnico de realização de lucros por parte dos investidores.

O contrato julho/26 fechou cotado a US$ 4,65 3/4 por bushel, com perda de 9,50 centavos, equivalente a queda de 1,99%. Já o vencimento setembro/26 terminou a US$ 4,72 1/2 por bushel, recuo de 1,86%.

O mercado internacional reagiu à forte desvalorização do petróleo após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando possibilidade de redução das tensões envolvendo o Irã. Apesar do discurso mais otimista, agentes seguem atentos aos riscos geopolíticos no Oriente Médio e seus impactos sobre energia e logística global.

Outro fator de pressão veio da valorização do dólar frente às principais moedas globais, movimento que reduz a competitividade das exportações norte-americanas de milho.

Ao mesmo tempo, investidores ajustaram posições antes da divulgação dos dados semanais de exportação dos Estados Unidos. O mercado trabalha com expectativa de vendas entre 1 milhão e 1,8 milhão de toneladas, acima do volume da semana anterior.

Leia mais:  Brasil participa pela quarta vez da SIAM e amplia presença do agro no norte da África
Mercado brasileiro enfrenta dificuldade nas negociações

No Brasil, a comercialização permanece travada. Produtores avançam pontualmente na fixação de oferta, mas seguem resistentes a aceitar preços mais baixos. Em diversas regiões, os valores pedidos permanecem acima das indicações de compra apresentadas pelos consumidores.

Do lado da demanda, indústrias e compradores atuam de forma lenta, indicando bom abastecimento no curto prazo e expectativa de preços mais fracos com o avanço da colheita da safrinha.

A queda do dólar ao longo do pregão anterior também reduziu espaço para reação positiva nos portos, limitando novos negócios de exportação.

Preços do milho nos portos

Nos principais corredores de exportação, as cotações ficaram relativamente estáveis:

  • Porto de Santos: entre R$ 65,00 e R$ 70,00 por saca CIF;
  • Porto de Paranaguá: entre R$ 64,50 e R$ 69,00 por saca.
Cotações regionais do milho

No mercado interno, os preços variaram conforme disponibilidade de oferta e ritmo da demanda:

  • Cascavel (PR): R$ 59,00 a R$ 63,00 por saca;
  • Mogiana (SP): R$ 60,00 a R$ 62,00;
  • Campinas CIF (SP): R$ 65,00 a R$ 67,00;
  • Erechim (RS): R$ 66,00 a R$ 68,00;
  • Uberlândia (MG): R$ 55,00 a R$ 60,00;
  • Rio Verde (GO): R$ 56,00 a R$ 58,00 CIF;
  • Rondonópolis (MT): R$ 50,00 a R$ 53,00 por saca.
B3 fecha mista e mercado monitora risco climático

Na B3, os contratos futuros do milho encerraram o dia de forma mista, refletindo um mercado ainda cauteloso e sem força para movimentos mais consistentes.

O vencimento julho/26 terminou cotado a R$ 66,95 por saca, com baixa de R$ 0,25. O setembro/26 fechou a R$ 69,77, com leve alta de R$ 0,04. Já novembro/26 encerrou a R$ 72,70, avanço de R$ 0,06.

Leia mais:  CPR alcança R$ 561 bilhões e reforça avanço do financiamento privado do agronegócio

Segundo análise da TF Agroeconômica, o mercado ainda monitora possíveis riscos climáticos capazes de provocar perdas mais adiante na temporada, embora o cenário atual continue apontando para ampla oferta no segundo semestre.

Sul e Centro-Oeste registram baixa liquidez

No Rio Grande do Sul, o mercado segue lento, com compradores abastecidos e negócios pontuais. As indicações variam entre R$ 56,00 e R$ 65,00 por saca, enquanto a média estadual gira em torno de R$ 58,08.

Em Santa Catarina, a diferença entre pedidas e ofertas trava as negociações. Produtores trabalham próximos de R$ 70,00 por saca, enquanto compradores indicam valores perto de R$ 65,00.

No Paraná, os elevados estoques e a expectativa de uma safrinha robusta seguem pressionando o mercado. As indicações giram em torno de R$ 65,00 por saca, com demanda ao redor de R$ 60,00 CIF.

Já em Mato Grosso do Sul, a maior disponibilidade do cereal amplia a cautela dos compradores, com preços entre R$ 51,00 e R$ 53,00 por saca e pressão mais intensa em regiões como Campo Grande e Sidrolândia.

Dólar e cenário financeiro seguem no radar

O dólar comercial operava com leve alta, cotado a R$ 5,0102, enquanto o Dollar Index avançava para 99,333 pontos.

No cenário internacional, as bolsas asiáticas fecharam sem direção única, com forte queda na China e valorização expressiva no Japão. Na Europa, predominaram perdas entre os principais índices.

O petróleo WTI, por sua vez, voltou a operar acima de US$ 100 por barril, refletindo a volatilidade causada pelas tensões geopolíticas e pela instabilidade no mercado global de energia.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continuar lendo

Mais Lidas da Semana

Copyright © 2019 - Agência InfocoWeb - 66 9.99774262