Agro
Algodão avança na Bolsa de Nova York e mercado brasileiro registra negociações moderadas
As cotações internacionais do algodão registraram valorização ao longo desta semana na Bolsa de Nova York, movimento que também teve reflexos, ainda que moderados, no mercado brasileiro da pluma. Apesar dessa influência externa, o ritmo de negociações no país segue contido diante das incertezas no cenário global.
De acordo com análise da Safras & Mercado, a demanda apresentou comportamento mais cauteloso, o que manteve a comercialização da fibra em nível moderado no mercado doméstico.
Preços no Brasil apresentam leve variação
No mercado interno, a indústria manteve a indicação de preço para o algodão colocado no CIF paulista em torno de R$ 3,52 por libra-peso, praticamente estável em relação à semana anterior.
Já o valor da pluma paga ao produtor em Rondonópolis (MT) foi negociado próximo de R$ 109,59 por arroba, equivalente a R$ 3,31 por libra-peso.
Na comparação semanal, o preço apresentou leve avanço de R$ 0,26 por arroba, já que na semana anterior a cotação estava em R$ 109,33/@.
Relatório do USDA mantém projeções para a safra dos Estados Unidos
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou no dia 10 de março o relatório mensal de oferta e demanda mundial de algodão, mantendo praticamente inalteradas as estimativas para a produção norte-americana.
Para a temporada 2025/26, a produção dos Estados Unidos permanece estimada em 13,92 milhões de fardos, mesmo volume projetado no relatório anterior. Na safra 2024/25, a produção foi de 14,41 milhões de fardos.
As projeções também indicam:
- Exportações: 12 milhões de fardos em 2025/26
- Consumo interno: 1,6 milhão de fardos
Com base nesses números, os estoques finais dos Estados Unidos foram estimados em 4,4 milhões de fardos para 2025/26, sem alteração em relação ao relatório anterior. Na temporada 2024/25, os estoques ficaram em 4 milhões de fardos.
Produção mundial de algodão deve crescer na próxima safra
O relatório do USDA aponta aumento na produção global de algodão para a temporada 2025/26.
A estimativa atual é de 120,99 milhões de fardos, acima dos 119,86 milhões projetados em fevereiro. Na safra 2024/25, a produção global foi estimada em 118,54 milhões de fardos.
Outros números do balanço mundial indicam:
- Exportações globais: 43,91 milhões de fardos
- Consumo mundial: 118,58 milhões de fardos
- Estoques finais globais: 76,39 milhões de fardos
Na safra anterior (2024/25), os estoques mundiais estavam estimados em 73,76 milhões de fardos.
Brasil deve ampliar produção de algodão em 2025/26
Entre os principais produtores globais, o relatório aponta crescimento da produção em alguns países.
A China deverá colher 35,5 milhões de fardos na safra 2025/26, acima dos 35 milhões estimados anteriormente.
Para o Paquistão, a projeção foi mantida em 5 milhões de fardos.
Já o Brasil tem expectativa de expansão da safra, com produção estimada em 19,50 milhões de fardos, superior aos 18,75 milhões projetados no relatório anterior.
Na Índia, a estimativa permanece estável, com produção prevista de 23,5 milhões de fardos para a temporada 2025/26.
Mercado segue atento ao cenário global
Com aumento na oferta global e estoques elevados, o mercado internacional de algodão segue atento à evolução da demanda da indústria têxtil e às condições climáticas nas principais regiões produtoras.
No Brasil, a tendência é de que os preços continuem acompanhando o comportamento das cotações internacionais, ainda que o ritmo de negócios permaneça condicionado às expectativas do mercado e às condições da demanda doméstica.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Plano Brasil Soberano: Governo amplia crédito para fertilizantes
Fabricantes de fertilizantes, produtores de matérias-primas intermediárias e mineradoras que abastecem o setor poderão contratar capital de giro pelo Plano Brasil Soberano. A mudança amplia o alcance do programa e procura dar fôlego financeiro a uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.
Projetos industriais e tecnológicos ligados ao beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos também terão acesso a recursos com custo reduzido. O encargo da fonte de financiamento caiu para 3% ao ano, ante percentuais que chegavam a 8% na aquisição de máquinas e equipamentos e a 6,5% em determinados investimentos.
A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária realizada no fim de agosto. O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas elegíveis poderão protocolar as solicitações até 31 de dezembro de 2027.
Para o produtor rural, o efeito não será direto. As linhas são destinadas às empresas que produzem, processam ou fornecem insumos para a fabricação de adubos. O objetivo é melhorar as condições financeiras da indústria e reduzir riscos de interrupção no abastecimento do campo.
A inclusão do capital de giro atende a uma característica do setor. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente pelas matérias-primas importadas, arcar com frete, armazenagem e processamento e somente depois receber pelas vendas realizadas aos produtores ou distribuidores.
Esse intervalo exige grande disponibilidade de caixa. Quando o crédito fica caro ou escasso, as empresas podem reduzir compras, estoques e produção. A consequência chega às propriedades na forma de menor oferta, dificuldade para programar entregas e maior exposição às oscilações de preços.
Antes da mudança, as empresas da cadeia de fertilizantes podiam recorrer ao Plano Brasil Soberano principalmente para comprar máquinas ou executar projetos de investimento. Agora, os recursos também poderão financiar despesas necessárias ao funcionamento diário das operações.
A medida ganha importância porque o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa a produção agrícola vulnerável ao câmbio, às cotações internacionais, aos custos marítimos e a conflitos capazes de interromper rotas ou restringir a oferta mundial.
O país responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% da demanda nacional, o que transforma o insumo em um componente decisivo dos custos das principais cadeias agrícolas.
O crédito mais barato para minerais estratégicos procura estimular investimentos em etapas que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O país possui reservas minerais importantes, mas parte do material extraído é exportada sem processamento ou não chega a ser transformada internamente nos produtos necessários à agricultura.
Ao apoiar o beneficiamento, o refino e a transformação dentro do país, o governo tenta ampliar a capacidade industrial e diminuir a dependência de produtos acabados vindos do exterior. O resultado, entretanto, dependerá da execução dos projetos, que podem exigir licenciamento, infraestrutura, tecnologia e vários anos até o início da produção.
O percentual de 3% ao ano não representa necessariamente a taxa final que será paga pelas empresas. Ele corresponde ao custo da fonte de recursos e já considera a remuneração do BNDES. Nas operações indiretas, realizadas por bancos credenciados, ainda podem existir encargos do agente financeiro e custos relacionados ao risco do tomador.
Por isso, a medida também não garante uma queda imediata no preço do fertilizante vendido ao agricultor. As cotações continuarão sujeitas ao câmbio, aos preços internacionais, ao frete, à oferta mundial de nutrientes e à demanda no período de plantio.
O ganho mais provável no curto prazo é a melhora das condições para que fabricantes e fornecedores mantenham estoques e cumpram contratos. No longo prazo, se os investimentos aumentarem a produção e o processamento de matérias-primas no Brasil, o setor poderá reduzir a exposição a crises externas e ganhar maior previsibilidade.
O acesso às linhas será restrito aos segmentos definidos conjuntamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério da Fazenda. A relação de atividades autorizadas consta das portarias que regulamentam o Plano Brasil Soberano.
Criado para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas e pela instabilidade do comércio internacional, o programa passa a alcançar uma cadeia diretamente ligada à segurança produtiva do país. Para o campo, o efeito concreto será medido pela capacidade da política de ampliar a oferta interna, evitar falta de insumos e reduzir a dependência que hoje transforma qualquer crise internacional em custo adicional dentro da porteira.
Fonte: Pensar Agro
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