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Agro passa a ter “CEP do campo” e rotas oficiais de acesso

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O Paraná começou a implantar um sistema de endereçamento específico para áreas rurais, baseado em geolocalização, com a proposta de resolver um problema antigo do interior brasileiro: propriedades produtivas que existem juridicamente, pagam impostos, exportam e movimentam cargas, mas não possuem endereço formal reconhecido pelos serviços de entrega, emergência e logística.

O projeto reúne duas frentes complementares. A primeira é o chamado CEP Rural — um código de localização para cada propriedade. A segunda é a Rota Rural, que organiza e valida digitalmente o traçado de estradas vicinais e acessos internos. As iniciativas foram apresentadas durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel.

Embora o nome lembre o Código de Endereçamento Postal dos Correios, não se trata exatamente de uma extensão do CEP tradicional. O sistema utiliza o Plus Code, padrão internacional de localização criado pela plataforma Google, que converte coordenadas geográficas em um código alfanumérico curto. Esse código funciona como um “endereço digital” preciso, capaz de apontar o ponto exato de uma sede de fazenda, armazém, ordenha ou talhão — algo que o CEP convencional raramente consegue fazer fora das cidades.

No Brasil, grande parte das propriedades rurais possui apenas referências descritivas (“estrada do rio”, “km 12 da linha tal”, “após a ponte”), o que dificulta entregas, assistência técnica e até o atendimento médico. Com o novo sistema, cada área cadastrada passa a ter uma identificação única e compartilhável em aplicativos de navegação.

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A base do programa é a integração com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) — registro eletrônico obrigatório criado pelo Código Florestal para identificar limites das propriedades, áreas de preservação permanente, reservas legais e uso do solo. Ao associar o endereço digital ao CAR, o Estado passa a vincular localização, propriedade e regularidade ambiental dentro de uma mesma base de dados.

Na prática, o produtor poderá gerar gratuitamente seu código por aplicativo oficial do governo estadual. A estimativa é alcançar cerca de 300 mil estabelecimentos rurais, com meta de adesão próxima de 80% em dois anos.

A utilidade vai além da entrega de encomendas. Serviços de emergência — ambulâncias, polícia e defesa civil — passam a navegar diretamente até o ponto exato da propriedade. Também há impacto na logística: caminhões de insumos, coleta de leite e transporte de grãos deixam de depender de orientações por telefone ou referências imprecisas.

A segunda etapa do projeto, a Rota Rural, trata do caminho até a propriedade. Hoje, aplicativos de navegação frequentemente indicam trajetos inexistentes, porteiras fechadas ou estradas intransitáveis. O programa faz o mapeamento oficial das vias rurais, registrando estradas municipais, acessos internos e conexões produtivas. Essas informações serão incorporadas aos sistemas de navegação digital, permitindo rotas mais confiáveis.

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Além do escoamento agrícola, o mapeamento tende a atingir atividades cotidianas do interior, como transporte escolar, turismo rural e assistência técnica. Para as prefeituras, os dados também funcionam como ferramenta de gestão, permitindo identificar trechos com maior fluxo e priorizar manutenção de estradas.

Há ainda um efeito indireto importante: rastreabilidade. Mercados importadores exigem cada vez mais comprovação de origem da produção agropecuária. Com a propriedade localizada de forma auditável por satélite e vinculada ao CAR, passa a existir um registro mais robusto da procedência da produção — tema especialmente sensível em negociações comerciais e exigências ambientais internacionais.

O sistema prevê sinalização física: placas instaladas nas propriedades com o código de localização e um QR Code que abre automaticamente o trajeto em aplicativos de navegação.

No fundo, a iniciativa tenta corrigir uma contradição histórica do agro brasileiro: cadeias produtivas altamente tecnificadas convivendo com uma infraestrutura básica de localização ainda analógica. O objetivo agora é aproximar o interior da mesma lógica de navegação e identificação que já existe nas cidades — só que aplicada às porteiras.

Fonte: Pensar Agro

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Eficiência no Uso de Fertilizantes Ganha Destaque e Torna-se Estratégia Essencial no Campo

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Uso racional de fertilizantes é fundamental para reduzir perdas e ampliar a rentabilidade no campo

Em um cenário de maior pressão sobre custos e instabilidade na demanda, o mercado de fertilizantes no Brasil passa por um momento de atenção. Fatores como oscilações internacionais e carga tributária têm impactado o setor e reforçado a importância de um uso mais eficiente dos insumos agrícolas.

Nesse contexto, evitar desperdícios deixou de ser apenas uma boa prática e passou a ser uma estratégia essencial para garantir a rentabilidade das lavouras e o melhor aproveitamento dos recursos.

Os fertilizantes seguem como insumos fundamentais para o equilíbrio nutricional do solo e o desenvolvimento das culturas. No entanto, falhas no armazenamento ou na aplicação podem gerar perdas significativas, tanto financeiras quanto produtivas.

De acordo com o CEO da Naval Fertilizantes, Luís Schiavo, a agricultura moderna exige cada vez mais eficiência. Segundo ele, produzir mais com menos passa diretamente pelo uso correto dos fertilizantes, desde o planejamento até a aplicação final.

Armazenamento adequado de fertilizantes evita perdas antes da aplicação

Um dos principais pontos de atenção está no armazenamento. Quando mantidos de forma inadequada, os fertilizantes podem perder qualidade antes mesmo de serem utilizados.

O ideal é que sejam armazenados em locais cobertos, secos e ventilados, protegidos da umidade e da exposição direta ao sol. Condições inadequadas podem causar empedramento, perda de qualidade e até redução da concentração de nutrientes, comprometendo a eficiência no campo.

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Planejamento agrícola e análise de solo evitam desperdícios de insumos

O planejamento baseado em análise de solo é essencial para evitar desperdícios. Aplicar fertilizantes sem conhecer as reais necessidades de cada área pode resultar em excesso ou deficiência de nutrientes.

Mesmo dentro de uma mesma propriedade, podem existir variações importantes entre talhões, como teor de argila e disponibilidade de nutrientes. Por isso, a análise detalhada é fundamental para ajustar corretamente as doses.

Além disso, a escolha do tipo de fertilizante também deve ser estratégica. Fertilizantes químicos, orgânicos e minerais apresentam características diferentes e devem ser utilizados conforme a cultura e o objetivo produtivo. Em muitos casos, a combinação de fontes pode potencializar os resultados.

Dose e momento de aplicação são decisivos para a eficiência dos fertilizantes

A ideia de que o aumento da quantidade de fertilizante eleva automaticamente a produtividade é um equívoco comum no campo. O excesso pode prejudicar a absorção de nutrientes e comprometer o desenvolvimento das plantas.

O equilíbrio nutricional é essencial para o desempenho das culturas. Além disso, o momento da aplicação influencia diretamente o aproveitamento dos nutrientes.

Fatores como estágio de desenvolvimento da cultura e condições climáticas devem ser considerados. A aplicação no período correto aumenta a absorção e reduz perdas por volatilização ou lixiviação.

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Tecnologia no campo contribui para reduzir desperdícios e aumentar precisão

O uso de tecnologias agrícolas tem se tornado um importante aliado na redução de perdas. Ferramentas como agricultura de precisão, GPS agrícola, mapas de aplicação em taxa variável, sensores de solo, drones e softwares de gestão permitem maior controle sobre a distribuição dos insumos.

Essas soluções ajudam a evitar sobreposição de áreas e aplicações irregulares, aumentando a eficiência operacional e o aproveitamento dos fertilizantes.

Conceito dos 4Cs orienta manejo eficiente de fertilizantes

O uso racional de fertilizantes pode ser resumido no conceito dos 4Cs: fonte certa, dose certa, momento certo e local certo.

Quando esses princípios são aplicados corretamente, os resultados são otimizados e os impactos econômicos e ambientais são reduzidos. Especialistas destacam que esse modelo de manejo é fundamental para uma agricultura mais eficiente e sustentável.

Com a crescente demanda global por alimentos e a limitação da expansão de áreas agrícolas, a eficiência no uso de insumos se torna cada vez mais estratégica.

A adoção de práticas mais precisas e responsáveis é apontada como um dos principais caminhos para o futuro da produção agrícola, permitindo maior produtividade com menor desperdício de recursos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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