Agro
Agro mantém quase um terço do PIB e reforça peso estrutural na economia
O Dia do Agronegócio, celebrado em 25 de fevereiro, ocorre sob um dado que sintetiza a centralidade do setor na economia brasileira: em 2025, a cadeia agroindustrial respondeu por 29,4% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. A cada R$ 3,40 gerados no País, R$ 1 teve origem direta ou indireta no campo.
O número consolida uma tendência de expansão do peso relativo do agro no PIB ao longo dos últimos anos, impulsionada por produtividade, demanda externa e valorização de commodities. Ao mesmo tempo, reacende o debate sobre a crescente dependência brasileira de cadeias primárias e da dinâmica internacional de preços.
A produção de grãos alcançou 354,7 milhões de toneladas na safra mais recente, novo recorde histórico. O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária somou R$ 1,409 trilhão, conforme dados da Secretaria de Política Agrícola. Desse total, R$ 965 bilhões vieram das lavouras, enquanto a pecuária respondeu por R$ 444 bilhões, favorecida pela recuperação das cotações externas.
O desempenho reforça o papel do setor na sustentação da balança comercial. O Brasil lidera exportações globais de soja, açúcar e café e ocupa posições de destaque nas vendas externas de milho, carne bovina e frango. A força do agro tem sido determinante para compensar déficits em outros segmentos da economia.
Mas o avanço também revela concentração. A pauta exportadora brasileira permanece fortemente ancorada em commodities agrícolas e minerais, com menor participação de produtos industrializados de maior valor agregado. Economistas apontam que, embora o agro seja altamente competitivo e tecnologicamente sofisticado, sua predominância no PIB reflete, em parte, a perda relativa de dinamismo da indústria de transformação.
A cadeia agroindustrial vai além da produção primária. Envolve fabricantes de fertilizantes e defensivos, indústria de máquinas agrícolas, transporte rodoviário e ferroviário, armazenagem, processamento e comercialização. Esse encadeamento explica por que o impacto do setor se espalha por praticamente todas as regiões do País, influenciando emprego, renda e arrecadação.
No campo, a transformação tecnológica alterou o perfil produtivo. Agricultura de precisão, integração lavoura-pecuária-floresta, biotecnologia e sistemas digitais de gestão elevaram a produtividade por hectare e reduziram custos operacionais. A expansão recente ocorreu majoritariamente via ganho de eficiência, e não apenas por abertura de novas áreas.
O desafio agora é manter competitividade em ambiente mais complexo. Eventos climáticos extremos, pressão por rastreabilidade ambiental, exigências sanitárias crescentes e volatilidade cambial adicionam incerteza ao planejamento do produtor. A dependência brasileira de importação de fertilizantes e defensivos também permanece como ponto sensível da equação.
A noção moderna de agronegócio — como cadeia integrada que conecta insumos, produção, processamento e distribuição — foi formulada nos anos 1950 pelos economistas Ray Goldberg e John H. Davis, da Universidade Harvard. O conceito ajuda a explicar por que o desempenho do campo hoje não pode ser analisado isoladamente, mas como parte de uma estrutura econômica mais ampla.
Ao atingir quase um terço do PIB, o agro consolida posição estratégica. A questão que se impõe não é mais sobre sua relevância, mas sobre como o País equilibrará essa força com diversificação produtiva, agregação de valor e estabilidade de longo prazo.
Fonte: Pensar Agro
Agro
Nanotecnologia no agro avança e pressiona por nova regulação para nanopesticidas
A nanotecnologia aplicada à agricultura vem ganhando protagonismo global, impulsionada pela busca por maior eficiência produtiva e sustentabilidade no campo. No entanto, o avanço dessa inovação, especialmente no segmento de nanopesticidas, também amplia a necessidade de atualização dos marcos regulatórios e de critérios mais robustos de avaliação de risco.
Segundo levantamento da Data Bridge Market Research, o mercado global de nanotecnologia agrícola foi estimado em US$ 398,5 bilhões em 2024, com projeção de alcançar cerca de US$ 966 bilhões até 2032. O crescimento médio anual previsto é de 11,7% entre 2025 e 2032, refletindo a rápida adoção dessas tecnologias no setor.
Dentro desse universo, os nanopesticidas devem representar aproximadamente 28,6% do mercado já em 2025, evidenciando o interesse crescente por soluções mais precisas, eficientes e com menor impacto ambiental.
Nova geração de defensivos mais eficientes
O uso de nanoplataformas no desenvolvimento de defensivos agrícolas marca uma nova fase na proteção de cultivos. Diferentemente dos pesticidas convencionais, os nanopesticidas utilizam estruturas em escala nanométrica que permitem maior controle na liberação dos ingredientes ativos.
Essa tecnologia possibilita maior eficiência na aplicação, redução de perdas e menor dispersão de resíduos no solo, na água e no ar, contribuindo para práticas agrícolas mais sustentáveis.
Esses avanços são analisados no estudo “Regulatory Aspects and Risk Assessment of Nanoplatforms for Agricultural Uses”, que discute os aspectos científicos e regulatórios ligados ao uso dessas soluções no campo.
Riscos e lacunas regulatórias entram no radar
Apesar do potencial, o desenvolvimento de nanopesticidas levanta questionamentos importantes sobre segurança ambiental e saúde humana. Pesquisadores alertam para possíveis riscos relacionados à ecotoxicidade das nanopartículas, impactos na biodiversidade e incertezas sobre a exposição humana a esses materiais.
Um dos principais desafios apontados é a limitação das legislações atuais, que foram desenvolvidas com base em produtos químicos tradicionais e não contemplam adequadamente as especificidades da nanotecnologia.
O estudo destaca a existência de uma lacuna regulatória relevante, reforçando a urgência na criação de diretrizes específicas, metodologias padronizadas de avaliação e critérios adaptados à complexidade das nanoplataformas.
Avaliação de risco exige rigor científico
No campo da regulação, os pesquisadores enfatizam a necessidade de relatórios científicos consistentes, dados confiáveis e padronização de testes como pilares fundamentais para garantir a segurança e a eficácia dos nanopesticidas.
Entre as estratégias sugeridas estão a priorização e o reaproveitamento de dados já existentes, o que pode acelerar processos regulatórios, reduzir custos e evitar a repetição de estudos, sem comprometer a segurança.
Pesquisa brasileira ganha destaque internacional
O estudo é assinado por pesquisadores como Vanessa Takeshita, Jéssica de Souza Rodrigues, Estefânia Vangelie Ramos Campos, Gustavo Vinícius Munhoz-Garcia, Jhones Luiz de Oliveira, Felipe Franco de Oliveira, Giovanna Moura Silva e Leonardo Fernandes Fraceto.
Parte dos autores está vinculada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável, referência na área. Coordenador do instituto, Fraceto destaca que o avanço tecnológico deve caminhar junto com a responsabilidade regulatória.
“A nanotecnologia tem enorme potencial para tornar a agricultura mais sustentável, mas isso depende de critérios claros de avaliação de risco e de uma regulação alinhada à complexidade desses materiais. Inovação e segurança precisam avançar juntas”, afirma o pesquisador.
Tendência é de crescimento com maior controle
Com a expansão acelerada do uso de nanotecnologia no agro, o setor deve avançar simultaneamente em inovação e governança. A consolidação desse mercado dependerá da construção de um ambiente regulatório sólido, capaz de garantir segurança, previsibilidade e confiança para produtores, indústria e consumidores.
Nesse cenário, a nanotecnologia se posiciona como uma das principais fronteiras tecnológicas do agronegócio, mas com o desafio claro de equilibrar ganhos de produtividade com responsabilidade ambiental e sanitária.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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