Agro
Festas de fim de ano impulsionam em 30% as vendas de flores e plantas ornamentais
As comemorações de Natal e Réveillon estão aquecendo o mercado de flores e plantas ornamentais em todo o país. Produtores e comerciantes do Ceaflor, o maior centro atacadista do setor no Brasil, celebram o crescimento médio de 30% nas vendas neste mês de dezembro. O destaque vai para as flores vermelhas e brancas, símbolos tradicionais das festas, além de uma ampla variedade de itens de decoração temática.
Fim de ano representa 9% do faturamento anual do setor
De acordo com o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), o período das festas de fim de ano — que compreende Natal e Réveillon — responde por aproximadamente 9% do faturamento anual da floricultura nacional. Essa é uma das épocas mais movimentadas para produtores e comerciantes, impulsionada pela forte demanda por espécies que remetem às celebrações.
No Natal, ganham destaque tuias, poinsétias, kalanchoes, antúrios e gérberas em tons de vermelho, muito utilizadas em guirlandas, arranjos de mesa e composições com fitas verdes, douradas e prateadas, além de elementos secos, como pinhas e frutas desidratadas.
Já no Réveillon, as flores brancas — tanto envasadas quanto de corte — dominam as decorações, simbolizando paz e renovação, e são frequentemente combinadas a luzes e acessórios.
Ceaflor registra alta nas vendas e clima de otimismo
Localizado em Jaguariúna (SP), o Ceaflor reúne produtores e lojistas de todo o país e confirma o bom momento do setor. As vendas no mercado atacadista cresceram, em média, 30% neste fim de ano, consolidando o período como um dos mais lucrativos para o segmento de flores e plantas ornamentais.
“O clima é de otimismo entre produtores e comerciantes. A força das tradições e o apelo das cores simbólicas impulsionam fortemente as vendas”, afirmou o presidente do Ceaflor, Antônio Carlos Rodrigues, destacando que o setor deve encerrar 2025 com resultados positivos.
Produtores comemoram alta nas vendas e ampliam produção
Entre os produtores, o sentimento também é de confiança.
A floricultora Cleide Maria de Souza, da VCFlores, especializada em gipsofila (mosquitinho), relatou que as vendas cresceram 30% desde o início de dezembro, apesar das limitações de mão de obra. Segundo ela, a gipsofila é essencial na composição dos arranjos natalinos e de Ano Novo, por conferir volume e delicadeza.
Já Vanderlei Ferreira da Costa, da Vanderlei Flores, ampliou em 25% a produção de alstroemérias brancas para atender à alta demanda de Réveillon. “As flores brancas são as mais procuradas nesta época, e as alstroemérias continuam sendo as preferidas dos decoradores”, afirmou, estimando crescimento de 30% nas vendas até o fim do ano.
O produtor Felipe Rodrigues Fernandes, da Felipe Flores e Folhagens, também comemora o aumento expressivo nas vendas, que chegaram a 80% em dezembro. Ele produz hortênsias brancas em três propriedades e destacou que os meses de novembro, dezembro e janeiro são os mais favoráveis para a flor. “As hortênsias simbolizam amor, paz e renovação — por isso, são muito procuradas nas celebrações de fim de ano”, explicou.
Perspectivas positivas para o encerramento de 2025
Com o aumento nas vendas e o fortalecimento das tradições festivas, o setor de flores e plantas ornamentais deve encerrar 2025 com resultados sólidos e um início de 2026 promissor.
“O setor está preparado para fechar o ano em ritmo acelerado, reafirmando sua importância na criação de ambientes festivos e na economia criativa”, concluiu o presidente do Ceaflor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Reforma tributária no agro: regulamentação da CBS exige revisão fiscal, integração de sistemas e atenção ao fluxo de caixa
A regulamentação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), estabelecida pelo Decreto nº 12.955/2026, marca uma nova etapa da reforma tributária sobre o consumo no Brasil e já começa a provocar mudanças profundas na rotina financeira e fiscal das empresas do agronegócio. Mesmo antes da implementação integral da cobrança, o novo modelo redefine regras de tributação, aproveitamento de créditos e circulação de recursos dentro das operações empresariais.
Especialistas alertam que os impactos vão além da simples substituição de tributos federais. A nova estrutura exige adaptação imediata de sistemas, contratos, controles fiscais e integração entre áreas financeiras, tributárias e tecnológicas.
Segundo Altair Heitor, contador, especialista em gestão tributária no agronegócio e CFO da consultoria Palin & Martins, a CBS inaugura uma lógica operacional mais complexa e dependente da qualidade das informações fiscais.
“A CBS amplia a não cumulatividade, o que teoricamente permite mais créditos tributários. Mas, na prática, só terá acesso a esses créditos quem possuir processos organizados, dados consistentes e integração entre as áreas. Quem não se preparar pode pagar mais imposto e ainda perder créditos importantes”, afirma.
Novo modelo tributário muda regras de cálculo e impacta contratos
A regulamentação estabelece que a CBS incidirá sobre praticamente todas as operações com cobrança, independentemente do formato jurídico adotado. Além disso, a base de cálculo passa a considerar diversos valores envolvidos na operação, exigindo revisão de contratos comerciais, políticas internas e formas de registro contábil.
Outro ponto considerado estratégico é a adoção da tributação no destino. Na prática, o imposto deixa de ser concentrado na origem da operação e passa a ser direcionado ao local de consumo.
Essa alteração exige ajustes em sistemas de gestão, revisão cadastral e nova parametrização fiscal, principalmente em operações interestaduais e cadeias produtivas longas, realidade comum no agronegócio brasileiro.
No setor agropecuário, onde existe grande volume de operações, diversidade de atividades e forte dependência de créditos tributários, o impacto tende a ser ainda mais significativo.
Erros fiscais podem gerar perdas financeiras diretas
De acordo com dados da Confederação Nacional dos Contadores, mais de 70% das empresas brasileiras já enfrentaram problemas relacionados a documentos fiscais, como classificação incorreta de produtos, ausência de informações obrigatórias ou inconsistências cadastrais.
Com a CBS, esse tipo de falha passa a representar risco financeiro direto.
Isso porque o aproveitamento de créditos tributários dependerá não apenas da emissão da nota fiscal, mas também da coerência entre operação, pagamento e apuração do imposto.
“O crédito passa a depender da consistência entre documentação, faturamento e efetivo pagamento. Qualquer divergência pode impedir o aproveitamento tributário e comprometer o capital de giro das empresas”, explica Altair Heitor.
Split payment muda dinâmica financeira das empresas
Outro ponto de atenção é a possibilidade de adoção do modelo de split payment, mecanismo em que o imposto pode ser recolhido automaticamente antes da disponibilidade integral dos recursos para a empresa.
Na prática, parte do valor da venda deixará de passar completamente pelo caixa das companhias, alterando a dinâmica financeira tradicional do setor.
No agronegócio, onde são comuns vendas parceladas, operações via tradings e diferentes modalidades de pagamento, o impacto pode ser ainda maior.
“O produtor rural está acostumado a receber os recursos e posteriormente organizar a parte tributária. Com o split payment, o imposto pode ser recolhido antes mesmo do valor estar disponível para a operação”, destaca o especialista.
Crédito tributário ganha importância estratégica no agro
O tema se torna ainda mais sensível em cadeias produtivas longas, como soja, milho, proteína animal, açúcar e insumos agrícolas, nas quais o crédito tributário funciona como instrumento essencial para equilíbrio financeiro das operações.
Falhas cadastrais, erros na classificação fiscal ou inconsistências entre documentos poderão impedir o reconhecimento de créditos ou atrasar pedidos de ressarcimento.
“Hoje, muitos erros geram apenas retrabalho. Com a CBS, eles podem representar perda financeira direta. No agronegócio, isso impacta margens e reduz capacidade de reinvestimento”, afirma Altair.
A regulamentação também estabelece novas regras para ressarcimento de créditos, com prazos definidos que poderão variar conforme o nível de conformidade fiscal da empresa.
Empresas do agro precisam acelerar adequações
Especialistas recomendam que produtores rurais, cooperativas, agroindústrias e empresas do setor iniciem imediatamente processos de revisão cadastral, análise de sistemas e mapeamento de riscos fiscais.
Entre as medidas consideradas prioritárias estão:
- Revisão de cadastros de clientes e fornecedores;
- Conferência da qualidade das notas fiscais emitidas;
- Integração entre áreas fiscal, financeira e tecnologia;
- Testes em sistemas de gestão e faturamento;
- Revisão de contratos e operações interestaduais;
- Mapeamento de riscos tributários e operacionais.
Para Altair Heitor, a adaptação não pode mais ser tratada como um projeto futuro.
“As empresas precisam agir agora. Quem deixar para se adaptar apenas quando a cobrança estiver totalmente em vigor pode iniciar o novo modelo já acumulando perdas financeiras”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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