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Agro

Itaú BBA projeta safra maior de café em 2026, mas alerta para riscos climáticos e volatilidade no mercado

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A atualização das Perspectivas 2025/26, divulgada pela Consultoria Agro do Itaú BBA, apresenta uma análise abrangente sobre o setor cafeeiro e projeta uma colheita mais robusta para 2026, impulsionada pelo desempenho das lavouras de arábica. O estudo, no entanto, destaca que o clima segue como principal fator de risco, especialmente para as regiões mais sensíveis às variações de temperatura e precipitação.

Condições climáticas ainda desafiam a produção de arábica

O relatório aponta que o ano de 2025 foi novamente marcado por um período seco prolongado, com cerca de sete meses de estiagem, semelhante ao registrado em 2024. A diferença, porém, foi o registro de temperaturas mais baixas, o que atenuou parte dos impactos negativos sobre as lavouras.

Após um outubro com chuvas escassas e floradas atrasadas, o retorno das precipitações em novembro, aliado às temperaturas mais amenas, contribuiu para uma recuperação satisfatória do pegamento dos frutos.

Com esse cenário, a consultoria estima que a safra 2026 deve superar a de 2025, cuja produção foi calculada em 62,8 milhões de sacas de 60 kg, sendo 38,7 milhões de arábica e 24,1 milhões de robusta.

Produtores mais capitalizados e lavouras bem preparadas

Segundo o Itaú BBA, o avanço técnico da cafeicultura foi favorecido por relações de troca mais vantajosas entre café e insumos agrícolas ao longo de 2025. Essa condição, aliada à maior capitalização dos produtores, permitiu investimentos em tratos culturais e melhoria das condições das lavouras.

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Com bom volume de chuvas até abril, o ciclo 2026/27 se apresenta potencialmente mais produtivo. No entanto, o relatório ressalta que a ocorrência de veranicos ou mudanças bruscas no regime de chuvas pode comprometer parte das projeções.

“Para que a expectativa de uma boa safra se concretize, é essencial que o clima permaneça favorável nos próximos meses”, destaca o Itaú BBA.

Oferta global ainda restrita deve sustentar preços

Mesmo com o Brasil caminhando para uma safra mais volumosa, a consultoria projeta que a oferta global de café continuará relativamente apertada, o que deve impedir quedas acentuadas nos preços internacionais.

Por outro lado, há espaço para crescimento da produção em outros países e uma possível moderação no consumo global, impactado pelos altos preços ao consumidor final. Esses fatores devem manter os preços em níveis estáveis, porém mais ajustados em relação aos atuais.

O relatório recomenda que os produtores aproveitem o momento favorável para realizar fixações de preços, assegurando boas margens de rentabilidade diante da volatilidade do mercado.

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Mercado deve manter volatilidade e exigir gestão de risco

A consultoria prevê que o balanço global de café em 2026 será de leve superávit, o que, combinado com a instabilidade climática, tende a manter a volatilidade elevada nas cotações.

Nesse cenário, o Itaú BBA reforça a importância de gestão de risco eficiente, tanto para produtores quanto para traders e indústrias, de forma a garantir proteção financeira diante de possíveis oscilações.

Exportações devem se beneficiar de retirada de tarifas nos EUA

Outro ponto destacado pelo relatório é a retirada das tarifas sobre o café verde brasileiro nos Estados Unidos, o que deve favorecer a retomada dos fluxos comerciais para o país norte-americano.

Ainda assim, o Itaú BBA projeta que o volume total exportado até junho de 2026 será menor, reflexo da menor disponibilidade inicial de grãos e da logística ajustada nas origens produtoras.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Dependência de fertilizantes importados expõe vulnerabilidade estratégica do agronegócio brasileiro

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Apesar de ocupar posição de destaque entre os maiores produtores de alimentos do mundo, o Brasil ainda enfrenta um desafio estratégico que preocupa especialistas e agentes do setor: a elevada dependência de fertilizantes importados.

Dados da AMR Business Intelligence mostram que a produção nacional foi responsável por suprir apenas 10,7% da demanda interna de fertilizantes em 2025. O cenário evidencia a distância entre a relevância do agronegócio brasileiro no abastecimento global e sua capacidade de produzir os insumos essenciais para sustentar a produtividade no campo.

A situação ganha ainda mais relevância diante da crescente demanda mundial por alimentos e da importância do Brasil como um dos principais fornecedores agrícolas do planeta.

Brasil alimenta o mundo, mas depende de insumos externos

Nas últimas décadas, o país passou por uma profunda transformação no setor agropecuário. De importador de alimentos, tornou-se uma potência agrícola capaz de abastecer mercados em todos os continentes.

Segundo estimativas da Embrapa, a produção brasileira de alimentos contribui para alimentar mais de 800 milhões de pessoas em todo o mundo. No entanto, essa força produtiva continua fortemente dependente do fornecimento externo de fertilizantes para manter elevados níveis de produtividade.

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Essa dependência representa um desafio para a segurança produtiva do setor, especialmente em momentos de instabilidade econômica ou geopolítica internacional.

Nitrogenados e potássicos concentram maior dependência

Os números revelam uma situação ainda mais crítica em alguns segmentos do mercado de fertilizantes.

Em 2025, a produção nacional foi suficiente para atender apenas:

  • 3,1% da demanda brasileira por fertilizantes nitrogenados;
  • 2,9% do consumo de fertilizantes potássicos;
  • 30,5% da demanda por fertilizantes fosfatados.

Os dados demonstram que o Brasil continua altamente dependente das importações, principalmente em produtos estratégicos para culturas como soja, milho, algodão, cana-de-açúcar e café.

Geopolítica e logística ampliam riscos para o setor

A forte dependência externa torna o agronegócio brasileiro mais vulnerável a fatores que fogem do controle da cadeia produtiva nacional.

Conflitos geopolíticos, sanções econômicas, restrições comerciais, alterações cambiais e problemas logísticos internacionais podem comprometer o abastecimento de fertilizantes e elevar significativamente os custos de produção.

Nos últimos anos, episódios envolvendo grandes exportadores globais de nutrientes agrícolas evidenciaram como interrupções no comércio internacional podem gerar impactos imediatos nos preços e na disponibilidade dos insumos.

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Para um setor que responde por parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e das exportações do país, a previsibilidade no fornecimento desses produtos tornou-se uma questão estratégica.

Segurança de insumos é desafio para a competitividade do agro

Especialistas apontam que ampliar a produção nacional de fertilizantes é um dos caminhos para reduzir a vulnerabilidade do setor e fortalecer a segurança produtiva do agronegócio.

Além de diminuir a exposição a crises internacionais, o aumento da autonomia na produção de nutrientes pode contribuir para maior estabilidade de custos, melhor planejamento das safras e expansão sustentável da produção agrícola.

Em um cenário de crescimento contínuo da demanda mundial por alimentos, garantir o acesso seguro e competitivo aos fertilizantes será cada vez mais determinante para preservar a liderança do Brasil no mercado global e sustentar os avanços do agronegócio nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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