Agro
Manutenção de implementos é essencial para garantir precisão e alto rendimento na safra, alerta especialista da FertiSystem
O sucesso de uma safra começa muito antes da semeadura. Segundo a FertiSystem, empresa brasileira especializada em tecnologias de dosagem e aplicação de fertilizantes e sementes, a manutenção prévia dos implementos agrícolas é um fator decisivo para evitar falhas na distribuição de insumos, reduzir custos e assegurar o melhor desempenho das máquinas no campo.
De acordo com o promotor técnico da FertiSystem, Fábio Leone, a preparação deve ser feita com antecedência. “Durante a semeadura, o produtor não pode ter intercorrências ou paradas por conta de falhas no dosador. O cuidado precisa começar antes”, destaca o especialista.
Eficiência e precisão dependem do bom estado dos dosadores
A agricultura moderna exige precisão em cada etapa — e isso inclui o estado dos equipamentos responsáveis pela aplicação de sementes e fertilizantes. Estudos técnicos apontam que uma manutenção adequada pode reduzir em até 25% os custos com reparos, além de aumentar a produtividade.
O principal desafio no uso de dosadores é assegurar a distribuição uniforme e na quantidade correta de fertilizante. Para isso, o equipamento deve estar em perfeitas condições de funcionamento, evitando bloqueios e falhas de aplicação.
Checklist de manutenção pré-plantio
A FertiSystem recomenda um conjunto de ações simples, mas fundamentais para preparar o dosador antes do início da safra:
- Limpeza completa do dosador logo após o plantio anterior ou durante o período de inatividade;
- Verificação de rolamentos, engrenagens, correntes e componentes de acionamento;
- Inspeção dos sensores de distribuição e calibragem correta do sistema de dosagem;
- Checagem do sem-fim, observando desgaste, amplitude e compatibilidade com a dosagem desejada;
- Lubrificação adequada, com atenção especial a componentes plásticos que não devem receber graxa ou óleo indevido;
- Nivelamento da plantadeira e ajuste de profundidade dos discos de deposição;
- Uso do aplicativo da FertiSystem para conferência das regulagens.
Manutenção durante e após o plantio
O acompanhamento do estado do equipamento deve continuar ao longo da semeadura. Leone alerta que, se a plantadeira permanecer parada por mais de três dias, é essencial retirar o fertilizante dos compartimentos. “Caso contrário, o produto pode cimentar, criando uma camada que bloqueia a distribuição e danifica o sistema”, explica.
Após o plantio, o cuidado deve ser redobrado: o contato prolongado entre fertilizantes e partes metálicas provoca oxidação e desgaste precoce. Por isso, a limpeza imediata e a escolha correta dos lubrificantes são indispensáveis.
Tipos de dosagem exigem regulagens específicas
Cada tipo de cultura e volume de aplicação requer um modelo de dosador e ajustes específicos. De acordo com Leone, “para alcançar a regulagem ideal, é preciso escolher o modelo de sem-fim adequado à dose desejada”.
A dosagem — seja de até 200 quilos por hectare ou acima disso — influencia diretamente o tipo de manutenção e a regulagem necessárias. Em sistemas automatizados, a calibração e o monitoramento constantes tornam-se ainda mais importantes para garantir precisão e economia.
Consequências da falta de manutenção
Negligenciar a manutenção dos implementos pode resultar em interrupções no plantio, falhas na distribuição de insumos e queda de produtividade. Em um cenário de crescente adoção do plantio direto e da agricultura de precisão, esses cuidados se tornam ainda mais estratégicos.
“O equipamento pode ter o melhor sensor e a tecnologia mais moderna, mas sem limpeza e calibração adequadas, o risco de falha persiste”, reforça Leone. Segundo o especialista, investir em inspeção, limpeza e regulagem pré-plantio pode ser a diferença entre uma safra lucrativa e outra abaixo das expectativas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Projeto para proteger pequena propriedade abre debate sobre acesso ao crédito rural
Um projeto em análise na Câmara dos Deputados pretende impedir que imóveis da agricultura familiar sejam oferecidos em alienação fiduciária nas operações de crédito. A proposta busca proteger a terra usada para o sustento da família, mas também desperta preocupação sobre uma possível redução das garantias disponíveis aos pequenos produtores.
O Projeto de Lei nº 355/2026 estabelece que imóveis pertencentes à agricultura familiar não poderão ser utilizados como garantia fiduciária em contratos de crédito, financiamento ou empréstimo. Pelo texto, será considerada nula qualquer cláusula contratual que autorize esse tipo de vinculação.
A matéria está pronta para entrar na pauta da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara. Também foi anexado ao texto o Projeto de Lei nº 2.982/2026, que trata da impenhorabilidade da pequena propriedade rural.
A alienação fiduciária permite que o produtor continue utilizando o imóvel enquanto paga o financiamento. A propriedade, entretanto, permanece vinculada ao credor até a quitação. Em caso de inadimplência, a garantia pode ser executada por procedimento extrajudicial.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a proteção da terra familiar é necessária, mas a mudança precisa ser acompanhada de alternativas capazes de manter o financiamento disponível.
“A pequena propriedade não é apenas um bem de mercado. Ela representa trabalho, renda, moradia e continuidade familiar. Essa proteção é legítima, mas não podemos criar uma regra que preserve a terra no contrato e, ao mesmo tempo, retire do produtor as condições financeiras para continuar produzindo”, afirma.
A Constituição determina que a pequena propriedade rural, definida em lei e trabalhada pela família, não pode ser penhorada para o pagamento de débitos decorrentes da atividade produtiva. A alienação fiduciária, porém, tem origem em um contrato no qual o proprietário oferece voluntariamente o imóvel como garantia.
O projeto pretende ampliar a proteção ao impedir essa contratação no caso da agricultura familiar. O ponto de atenção é que a garantia constitui um dos elementos considerados pelas instituições financeiras na avaliação do risco e na definição das condições do empréstimo.
Sem a possibilidade de utilizar o imóvel, algumas operações poderão exigir máquinas, recebíveis, produção futura, avalistas, seguros ou outras formas de cobertura. O produtor que não possuir bens ou receitas suficientes para substituir a terra poderá enfrentar maior seletividade na concessão do crédito.
“Não se pode afirmar que a mudança aumentará automaticamente os juros, porque o custo de uma operação depende de vários fatores. Existe, no entanto, um risco concreto de que produtores com menos garantias encontrem maior dificuldade para acessar recursos, principalmente fora das linhas subsidiadas”, avalia Rezende.
O debate ocorre três anos depois da aprovação da Lei nº 14.711/2023, conhecida como Marco Legal das Garantias. A legislação modernizou os mecanismos utilizados em financiamentos, ampliou as possibilidades de aproveitamento dos bens e aperfeiçoou a execução extrajudicial de créditos garantidos por hipoteca ou alienação fiduciária.
A expectativa era de que garantias mais eficientes reduzissem o risco das operações e estimulassem a oferta de crédito. A eventual proibição para imóveis da agricultura familiar introduz uma exceção nesse sistema e exigirá mecanismos capazes de compensar a garantia retirada.
Entre as alternativas estão o fortalecimento dos fundos garantidores, a ampliação do seguro rural, o uso de limites proporcionais ao valor do imóvel e a possibilidade de substituir a garantia antes de uma eventual execução. Também poderão ser consideradas a finalidade da dívida, a capacidade econômica da família e o valor da operação.
O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) oferece linhas subsidiadas, mas não atende isoladamente a todas as necessidades financeiras das propriedades. Parte dos produtores também depende de cooperativas, fornecedores, instituições financeiras e operações privadas para completar o custeio ou realizar investimentos.
“O Congresso precisa encontrar um ponto de equilíbrio. A legislação deve impedir que uma família perca a terra de maneira desproporcional, sem fechar a porta do financiamento. Proteger o patrimônio e assegurar crédito não são objetivos incompatíveis, desde que existam fundos, seguros e garantias complementares capazes de sustentar as operações”, diz Rezende.
Enquanto a proposta tramita, a recomendação é que os produtores mantenham matrículas, cadastros e documentos da propriedade atualizados. O histórico financeiro, a organização das receitas e despesas e a comprovação da capacidade de pagamento também influenciam a análise de crédito.
Outros instrumentos podem complementar ou substituir a garantia imobiliária, como penhor rural, Cédula de Produto Rural (CPR), máquinas, recebíveis e produção futura. A escolha dependerá do perfil da propriedade e das condições de cada contrato.
O produtor também deve conhecer o valor da dívida, os encargos, os prazos, as situações de vencimento antecipado e o procedimento previsto em caso de inadimplência antes de oferecer qualquer bem. A garantia não deve ser tratada apenas como uma exigência burocrática, mas como parte da estratégia financeira da propriedade.
A decisão do Congresso poderá definir como a agricultura familiar conciliará proteção patrimonial e capacidade de financiamento. Sem alternativas adequadas, a proibição pode reduzir a exposição da terra, mas aumentar a dificuldade para financiar a produção. Com mecanismos complementares, a mudança poderá proteger as famílias sem comprometer a permanência delas no campo.
Fonte: Pensar Agro
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