Agro
Bem-estar animal avança na suinocultura, mas uso de antibióticos ainda preocupa especialistas
A nova edição do relatório Porcos em Foco: Monitor da Indústria Suína Brasileira, publicado pela organização internacional Sinergia Animal, aponta progressos importantes no bem-estar animal dentro da suinocultura nacional. No entanto, o estudo alerta que a resistência em adotar sistemas totalmente livres de gaiolas de gestação e o uso excessivo de antimicrobianos continuam sendo grandes desafios para o setor e para a saúde pública.
Ecofrigo lidera ranking com política abrangente de bem-estar animal
Entre os destaques positivos do relatório, a Ecofrigo alcançou a maior pontuação já registrada desde a primeira edição e subiu para a Categoria B no ranking geral.
A empresa implementou uma política robusta de bem-estar animal, com medidas como:
- Adoção do sistema “cobre e solta” em novas unidades;
- Fim gradual do uso contínuo de celas de gestação;
- Proibição de procedimentos dolorosos em leitões, como castração cirúrgica e corte de caudas e dentes;
- Eliminação do uso não terapêutico de antimicrobianos.
Com essas ações, a Ecofrigo se tornou a única grande produtora brasileira a empregar antibióticos apenas em animais doentes, consolidando-se como referência no tema.
Aurora Coop anuncia construção de novas unidades sem gaiolas
Outro avanço importante veio da Aurora Coop, uma das três maiores produtoras de carne suína do Brasil. A cooperativa subiu da Categoria E para a C após anunciar que todas as novas granjas serão construídas com o sistema “cobre e solta”, abolindo o confinamento de porcas em gaiolas de gestação.
A medida deve beneficiar milhares de animais e representa um passo significativo rumo a uma suinocultura mais ética e sustentável.
Frimesa ainda resiste à mudança e mantém uso de gaiolas
Em contrapartida, o relatório destacou que a Frimesa é a única entre as seis maiores produtoras do país que ainda não assumiu compromisso público de eliminar o uso de gaiolas de gestação.
Atualmente, a empresa segue construindo novas granjas que confinam porcas por até 42 dias, prática criticada por especialistas e já abandonada por diversas companhias internacionais do setor.
Uso excessivo de antibióticos ameaça a saúde pública
Além das questões de bem-estar animal, o relatório alerta para o uso indiscriminado de antimicrobianos na suinocultura brasileira. Segundo a Sinergia Animal, o uso preventivo e para estímulo de crescimento contribui diretamente para o aumento da resistência antimicrobiana (RAM) — apontada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos maiores riscos globais à saúde.
Essa resistência reduz a eficácia de antibióticos essenciais na medicina humana e veterinária, afetando a abordagem integrada conhecida como Saúde Única (One Health), que reconhece a interdependência entre a saúde humana, animal e ambiental.
Indústria ainda precisa avançar em práticas sustentáveis
Para Raquel Ribeiro Borges, líder de Relações Corporativas da Sinergia Animal, as iniciativas da Ecofrigo e da Aurora demonstram que é possível evoluir de forma ética e responsável.
“Os compromissos da Ecofrigo e da Aurora mostram que há caminhos viáveis para o progresso. Mas grande parte da indústria ainda mantém práticas ultrapassadas, com impacto direto sobre os animais e a saúde pública”, afirmou.
Avaliação do Porcos em Foco 2025
A edição 2025 do relatório avaliou 16 empresas brasileiras do setor de carne suína, classificando-as de A (melhor desempenho) a F (pior). Nenhuma companhia alcançou a Categoria A, o que evidencia que, apesar dos avanços, o setor ainda tem um longo caminho a percorrer.
Principais resultados:
- Ecofrigo: sobe da Categoria F para B, com uma das políticas mais completas do país.
- Aurora Coop: avança da Categoria E para C, com novas unidades livres de gaiolas.
- Frimesa: permanece sem compromisso para eliminar o confinamento de porcas.
Setor em geral: segue sob alerta pelo uso excessivo de antimicrobianos.
Porcos em Foco: Monitor da Indústria Suína Brasileira
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Expocitros encerra debates sobre greening, clima e sustentabilidade
Responsável por liderar a produção e as exportações globais de suco de laranja, a citricultura brasileira encerrou na última semana um de seus principais fóruns de discussão em meio a desafios que vão do avanço do greening às mudanças climáticas e à necessidade de ampliar a sustentabilidade da produção.
Realizadas entre os dias 26 e 29 de maio, em Cordeirópolis (376 km da capital, São Paulo), a 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura reuniram cerca de 12 mil participantes entre produtores, pesquisadores, consultores, empresas, cooperativas, estudantes e lideranças do agronegócio.
O encontro ocorreu em um momento estratégico para o setor. Apesar de manter a posição de maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, a citricultura brasileira convive com pressões sanitárias e climáticas que têm impactado diretamente a produtividade dos pomares.
A safra 2025/26 do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro foi encerrada em 292,9 milhões de caixas, volume 26,9% superior ao ciclo anterior, mas ainda afetado pelos efeitos do déficit hídrico e da elevada incidência de greening.
Considerada atualmente a principal ameaça à citricultura mundial, a doença já atinge 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola brasileiro, segundo levantamento do Fundecitrus. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado nos últimos dois anos, pesquisadores alertam que o avanço do greening continua pressionando a produção e elevando os custos de manejo das propriedades.
Foi justamente diante desse cenário que a programação técnica da Semana da Citricultura concentrou debates sobre sanidade vegetal, irrigação, fertilidade do solo, bioinsumos, manejo fitossanitário, sustentabilidade, mercado internacional e novas tecnologias voltadas ao aumento da eficiência produtiva. O objetivo foi discutir estratégias capazes de aumentar a resiliência dos pomares diante dos desafios sanitários e climáticos que afetam a atividade.
Segundo avaliação do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, a edição de 2026 reforçou a importância da integração entre pesquisa, empresas e produtores para garantir a competitividade do setor nos próximos anos. “Encerramos esta edição com a certeza de que a citricultura brasileira segue forte, conectada à pesquisa, à inovação e às demandas globais”, afirmou.
Outro destaque da edição foi a manutenção do selo de Evento Carbono Neutro, refletindo uma tendência cada vez mais presente na cadeia citrícola. A agenda ambiental ganhou espaço entre produtores e empresas diante das exigências dos mercados internacionais e da crescente demanda por sistemas produtivos alinhados a critérios de sustentabilidade.
Com mais de cinco décadas de história, a Expocitros e a Semana da Citricultura seguem como os principais espaços de discussão técnica e estratégica da cadeia citrícola brasileira. Em um cenário de transformações sanitárias, climáticas e econômicas, os eventos reforçaram a necessidade de inovação, pesquisa e planejamento como pilares para sustentar a liderança do Brasil no mercado global de citros.
Fonte: Pensar Agro
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