Brasil
Em painel na COP30 sobre Balanço Ético Global, Marina Silva defende “um mapa para chegar a um ponto seguro para a humanidade”
Autoridades, especialistas e representantes da sociedade civil defenderam, na última terça-feira (18/11), a necessidade de um compromisso ético global para orientar os esforços internacionais de enfrentamento à mudança do clima. O tema guiou o painel de alto nível “Balanço Ético Global: um Mutirão Ético pela Ação Climática”, realizado na Zona Azul da COP30.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou que o processo inaugura “um mapa para nos direcionar ao ponto seguro de um modelo mais justo, mais sustentável, que não deixe ninguém para trás e que permita viver em paz entre nossas sociedades, conosco mesmos e com a natureza”.
Marina alertou, ainda, para o avanço de uma “ética de circunstância”, definida como “uma ética relativa, que não tem compromisso com a verdade, que não tem compromisso com aquilo que precisa ser estabilizado como justiça e com o respeito à liberdade”. Para a ministra, a “ética dos valores precisa estar presente em todos os espaços neste momento”.
O evento apresentou a trajetória do Balanço Ético Global (BEG), iniciativa que integra um dos quatro círculos de liderança da COP30, criada para engajar diferentes setores da sociedade no combate à crise climática por meio de uma abordagem ética e política. Também participaram a ex-presidente da Irlanda e colíder do Diálogo Regional do BEG na Europa, Mary Robinson; a diretora da Divisão de Apoio Intergovernamental e Progresso Coletivo da UNFCCC, Cecilia Kinuthia-Njenga; e a campeã de Juventude da COP30, Marcele Oliveira, responsável pela mediação.
Em sua fala, Mary Robinson retomou reflexões do encontro Conferência Espalhando Esperança, realizado em outubro em Roma, na Itália, que celebrou os dez anos da encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco. Na época, a ministra Marina Silva participou da abertura. “Acho que podemos voltar à ideia de nos conectar uns aos outros, porque o que você fez, ministra Marina, foi abrir uma janela que permite algo que ouvi no 10º aniversário da Laudato Si’, uma expressão maravilhosa, ‘a contribuição determinada pelos povos’”, ponderou.
Para Robinson, essa noção ultrapassa as “contribuições nacionalmente determinadas”, as NDCs, na sigla em inglês. “As pessoas querem ação climática. Querem que enfrentemos os riscos que estamos assumindo agora. Estamos ultrapassando 1,5 °C. Estamos preocupados com os recifes de coral. Estamos preocupados com a Amazônia”, destacou.
Cecilia Kinuthia-Njenga lembrou a experiência do primeiro Balanço Global do Acordo de Paris, concluído na COP28, em Dubai. “Pude ver como, mesmo com um mandato claro para ampliar a participação, houve um esforço consciente dos cofacilitadores para romper com a lógica tradicional das negociações”, afirmou. Para ela, os seis diálogos regionais do BEG ocorridos nos últimos meses ao redor do mundo “foram uma oportunidade real para que todas as vozes participassem do processo”.
Segundo Cecilia, o processo representa “não apenas um diagnóstico global sobre a ação climática, mas também um sinal de como valores éticos já estão influenciando nossas discussões”. Ela destacou também que princípios como “justiça, solidariedade e responsabilidade compartilhada” começam a orientar de forma concreta as decisões que serão tomadas.
“Este evento é um marco rumo ao maior objetivo do Balanço Ético Global, inspirar decisões multilaterais que sejam mais justas, humanas, inclusivas e coerentes com o tamanho da emergência que enfrentamos”, afirmou Marcele Oliveira.
O BEG segue os princípios que motivaram quase 200 países a assumir compromissos sobre energias renováveis, eficiência energética, combate ao desmatamento e transição justa para longe dos combustíveis fósseis.
Com isso, foram promovidos seis diálogos regionais em todos os continentes, reunindo lideranças indígenas, representantes políticos, religiosos e comunitários, além de cientistas, artistas e ativistas. Os encontros discutiram rotas para uma transformação ecológica profunda, ancorada não apenas em soluções técnicas, mas em um pacto ético global para, enfim, implementá-las.
As recomendações, consolidadas em um Relatório Global, deverão ser entregues à Presidência da COP30 e à UNFCCC, reunindo diretrizes prioritárias para chefes de Estado e negociadores. O documento reflete princípios de justiça, equidade, solidariedade e cooperação multilateral para avançar na implementação dos acordos climáticos já existentes, sobretudo o Acordo de Paris e as decisões da COP28.
As conclusões dos diálogos reforçam a urgência de novos modelos de produção e consumo capazes de manter o aquecimento global abaixo de 1,5 °C. O processo inclui, ainda, Diálogos Autogestionados, que ampliam o alcance local e comunitário do BEG.
Além de servir como guia para decisões mais justas, o objetivo é integrar as recomendações às Agendas de Ação da COP30, influenciando áreas como desenvolvimento humano, finanças climáticas, transição justa, biodiversidade, cultura e educação.
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Brasil
Instituto do SUS no Rio de Janeiro é destaque no uso de tecnologia para tratamentos ortopédicos
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitaram, nesta sexta-feira (17), o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), no Rio de Janeiro. A unidade realiza consultas, exames, internações e cirurgias para usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
Atualmente, conta com 101 leitos e seis salas cirúrgicas em funcionamento, além de 550 profissionais contratados por meio da Fiotec no primeiro semestre de 2026. Na visita, estiveram no Centro Cirúrgico e também conheceram o projeto de manufatura aditiva para a área da saúde, que usa tecnologia de impressão 3D para a produção de órteses, próteses, modelos anatômicos e dispositivos assistivos personalizados para reabilitação.
Reestruturação da Rede Federal
Informações apresentadas durante a visita dão conta que, com a reestruturação, o Instituto registrou aumento de 44% nas internações em comparação com 2025 e de 38% no número de cirurgias. A média mensal de procedimentos cirúrgicos passou de cerca de 400 para 1.100. O Into também se destaca como referência nacional em cirurgias de escoliose, atende pacientes de todo o país e lidera o desenvolvimento de tratamentos ortobiológicos pelo SUS.
A reestruturação da rede federal de saúde no Rio de Janeiro também incluiu a contratação de 1.400 novos profissionais para os institutos nacionais de Traumatologia e Ortopedia (Into), de Câncer (Inca) e de Cardiologia, além do reforço das equipes em outros seis hospitais federais. Ao todo, foram destinados R$ 2,4 bilhões em investimentos do Ministério da Saúde, em parceria com a Prefeitura do Rio, o Grupo Hospitalar Conceição, a Fiocruz e outras instituições, com o objetivo de ampliar a capacidade de atendimento especializado na capital fluminense.
Impressão 3D
Entre os avanços tecnológicos, o Into prepara a implantação da cirurgia robótica em ortopedia, apontada como um dos principais marcos da evolução da especialidade. A tecnologia será utilizada em conjunto com tratamentos ortobiológicos, que empregam células do próprio paciente para reduzir a necessidade de procedimentos mais invasivos, ampliando as possibilidades terapêuticas no SUS.
Outro destaque é o desenvolvimento de próteses produzidas por impressão 3D para pessoas amputadas. Personalizadas para cada paciente, elas são mais leves, têm menor custo e podem ser fabricadas em menos tempo. Além disso, oferecem maior resistência ao uso cotidiano, permitem contato com a água e podem ser refeitas com facilidade em caso de danos, ampliando a qualidade de vida dos usuários
Diagnóstico precoce de câncer
Ainda no Rio de Janeiro, o presidente e o ministro visitaram a Unidade Móvel de Saúde da Mulher instalada em Manguinhos, no Rio de Janeiro (RJ), no estacionamento da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz. Focada no diagnóstico precoce do câncer de mama e do colo do útero, a unidade móvel oferece mamografias, ultrassonografias mamária, transvaginal e pélvica, biópsia de nódulo na mama e do colo uterino, colposcopia (preventivo) e consultas com especialistas.
A unidade está em funcionamento desde 12 de junho e realizou 687 atendimentos de pessoas encaminhadas pela secretaria municipal de saúde. No total, foram realizados 745 procedimentos e 626 Ofertas de Cuidado Integrado (OCI), quando a paciente percorre um único fluxo, da consulta ao diagnóstico, em até 30 dias.
O estado do Rio de Janeiro conta atualmente com 11 unidades móveis que oferecem procedimentos especializados para pacientes do SUS. São cinco unidades de saúde da mulher, quatro de exames de imagem e duas unidades especializadas em oftalmologia e cirurgias de catarata. As carretas atenderam mais de 13 mil pessoas e realizaram 31,6 mil procedimentos.
Saúde sexual e reprodutiva
A visita incluiu, ainda, o Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSE GSF), vinculado à Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fiocruz, onde são realizados procedimentos de inserção de contraceptivos subdérmicos, conhecidos como Implanon.
O Implanon é um método contraceptivo de longa duração e alta eficácia, que passou a ser ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ele é seguro e possui baixas ocorrências de reações adversas. A inserção é feita por profissional capacitado, com orientação sobre os cuidados após o procedimento. Em caso de dor persistente ou alterações no local, a orientação é procurar uma unidade de saúde. A distribuição chega a todos os municípios brasileiros, incluindo os Distritos Sanitários Especiais Indígenas. Foram realizados de 1,8 milhão de implantes.
Além do Implanon, o SUS também disponibiliza preservativos externos e internos, DIU de cobre, pílulas anticoncepcionais, injetáveis hormonais e métodos definitivos, como laqueadura e vasectomia. Entre eles, apenas os preservativos oferecem proteção contra infecções sexualmente transmissíveis.
Taís Nascimento
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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