Política Nacional
COP 30: parlamentares da América Latina e Caribe lançam manifesto
A rede de cooperação que reúne líderes legislativos da América Latina e do Caribe cobrou mais ambição e compromisso global com o clima durante o lançamento da Declaração Conjunta para a COP 30, nesta quarta-feira (13). O documento, elaborado pelo Observatório Parlamentar de Mudanças Climáticas e Transição Justa (OPCC), destaca o papel central dos parlamentos na resposta à crise climática.
Entregue pela senadora Leila Barros (PDT-DF) à secretária-executiva da COP 30, Ana Toni, o texto reforça que, sem o Poder Legislativo, não há transição justa possível e reafirma o compromisso dos parlamentos Latino-Americanos e Caribenhos em integrar a pauta climática aos orçamentos públicos, fortalecer o controle legislativo sobre metas de mitigação e adaptação e ampliar a transparência e a participação social nas políticas ambientais.
“Sem o Poder Legislativo, não há transição justa possível. Somos nós que transformamos promessas em leis, orçamentos e mecanismos de controle”, reforçou Leila, que é presidente da Subcomissão Especial da COP 30 do Senado.
O “Chamado Global por um Futuro Climático Mais Justo” reúne seis eixos considerados prioritários para orientar o posicionamento dos parlamentares na COP 30, que está em andamento em Belém. O texto destaca a necessidade de transformar compromissos multilaterais em legislação, orçamento climático e mecanismos de responsabilização com metas claras e transparência.
Compromissos multilaterais
O documento reforça o alinhamento da região com a Agenda 2030, o Acordo de Paris, o Acordo de Escazú e a Agenda de Sendai. Os parlamentares afirmam que esses tratados compõem a base normativa necessária para ações de mitigação e adaptação à crise climática e defendem sua implementação integral.
A declaração também enfatiza a proteção a defensoras ambientais e a garantia de acesso à informação, participação pública e justiça ambiental.
Vulnerabilidade
Os parlamentares destacam que América Latina e Caribe estão entre as regiões mais afetadas pelos impactos da crise climática, com perda de biodiversidade, escassez hídrica e deslocamentos forçados. O documento reforça que esses efeitos recaem de forma desigual sobre povos indígenas, comunidades tradicionais, mulheres, negros e populações periféricas.
Os signatários afirmam que proteger a natureza é também proteger os povos que dela dependem. O texto reconhece o papel essencial de indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais na conservação de ecossistemas e no cumprimento das metas climáticas e de biodiversidade.
Princípios
A declaração reafirma o princípio da não regressão, com salvaguardas ambientais e sociais, e sustenta que países desenvolvidos devem cumprir compromissos de financiamento climático sem impor novos endividamentos aos países vulneráveis.
O texto também rejeita modelos que perpetuam a região como exportadora apenas de “commodities verdes” e defende cadeias de valor regionais que combinem inovação, produção local e difusão tecnológica.
Democracia ambiental, transparência e participação social são apresentados como pilares inegociáveis, com destaque para direitos indígenas, consulta livre e informada e repartição justa de benefícios.
Prioridades temáticas
O documento elenca temas que devem orientar as negociações:
- Transição energética justa — Com foco em energia solar, eólica, biomassa, hidrogênio verde e outras fontes renováveis, com salvaguardas socioambientais e repartição de benefícios.
- Minerais estratégicos — Regulação sustentável do lítio, níquel, nióbio e terras-raras, com prioridade para uso eficiente da água, restauração de passivos ambientais e fortalecimento da produção regional.
- Redução do metano — Metas regionais e criação de sistemas de monitoramento, além de planos setoriais para energia, agropecuária e resíduos.
- Proteção dos biomas e oceanos — Desmatamento zero, restauração ecológica, manejo sustentável e proteção marinha e costeira.
- Água como direito humano — Governança participativa da água, proteção de nascentes e aquíferos e sistemas resilientes ao clima.
- Agricultura sustentável e economia circular — Políticas de baixo carbono, agroflorestas, logística reversa e compras públicas verdes.
- Gestão de riscos e desastres — Alerta precoce, prevenção a incêndios e planejamento territorial.
- Deslocamentos climáticos e povos insulares — Financiamento para adaptação e proteção humanitária aos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento.
- Mobilidade sustentável — Transporte público de baixo carbono, eletrificação de frotas e infraestrutura resiliente.
Agenda legislativa
Os parlamentares se comprometem a integrar a agenda climática aos mandatos nacionais por meio de legislação e políticas elaboradas com participação social; integração entre agricultura, energia, mobilidade, saúde, educação e gestão hídrica; fortalecimento da fiscalização legislativa e do orçamento climático; uso de marcadores que permitam identificar e monitorar gastos públicos relacionados ao clima; proteção a defensoras e defensores ambientais.
A COP 30 é a primeira Conferência do Clima sediada na Amazônia. O evento acontece em Belém (PA) até 21 de novembro e reúne mais de 190 países signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). A COP 30 conta com 60 mil participantes, entre chefes de Estado, parlamentares, cientistas, representantes da sociedade civil e lideranças indígenas.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Política Nacional
MP libera recursos para atingidos pelas enchentes em Pernambuco e Paraíba
Famílias afetadas pelas fortes chuvas e enchentes de maio no Nordeste poderão receber apoio para garantir o acesso à alimentação e retomar a produção rural. Medida provisória publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (2) abre crédito extraordinário de R$ 49,2 milhões em favor do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
A MP 1.364/2026 destina os recursos ao programa Segurança Alimentar e Nutricional e Combate à Fome. O objetivo é ampliar o atendimento às populações atingidas pelos desastres climáticos registrados em maio, especialmente nos estados de Pernambuco e da Paraíba.
Do total de recursos, R$ 40 milhões devem ser destinados à aquisição e distribuição de alimentos produzidos por agricultores familiares. Segundo o governo, os recursos permitirão a compra e doação de cerca de 6 mil toneladas de alimentos, que poderá beneficiar 3 mil famílias agricultoras e reforçar o atendimento realizado por cozinhas solidárias.
Outros R$ 9,2 milhões serão aplicados em ações de inclusão produtiva rural, voltadas à recuperação da capacidade produtiva das populações atingidas. A expectativa é que 2 mil famílias sejam atendidas.
Impactos das chuvas
De acordo com a exposição de motivos da MP, as chuvas afetaram 18 municípios em Pernambuco e 31 municípios na Paraíba, e alcançaram aproximadamente 10 mil famílias. Tanto áreas urbanas quanto propriedades rurais da agricultura familiar foram atingidas.
O governo afirma que a abertura do crédito extraordinário é necessária para garantir uma resposta rápida à emergência e evitar o agravamento da insegurança alimentar e o empobrecimento de agricultores familiares nas áreas afetadas. Também argumenta que os recursos previstos no Orçamento de 2026 não seriam suficientes para atender, ao mesmo tempo, às demandas provocadas pelas enchentes e a outras situações emergenciais, como as estiagens que atingem as regiões Norte e Nordeste.
Entre as ações já adotadas pelo MDS estão a distribuição de cerca de 3,2 mil cestas de alimentos para cozinhas solidárias em Pernambuco e na Paraíba e o envio de alimentos por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A medida provisória já está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado em até 120 dias para não perder a validade.
Vitória Clementino, sob supervisão de Dante Accioly
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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