Agro
Colheita do trigo avança no RS, mas baixa rentabilidade preocupa e pode reduzir área em 2026
Colheita do trigo chega à metade no Rio Grande do Sul
A colheita da safra de trigo 2025 no Rio Grande do Sul segue em ritmo acelerado, com cerca de 50% da área já colhida, segundo informações da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS). A atualização foi feita durante reunião do Conselho da entidade, que destacou a preocupação com a baixa rentabilidade enfrentada pelos produtores.
De acordo com o presidente da FecoAgro/RS, Paulo Pires, ainda é difícil determinar o percentual exato da colheita, já que há divergência entre os dados técnicos das cooperativas. “Os produtores que utilizaram mais tecnologia conseguiram melhores resultados, embora abaixo do esperado. Muitos tinham expectativa de colher 70 a 80 sacas por hectare, mas esse resultado ficou comprometido”, explicou.
Produtividade dependeu do uso de tecnologia
Pires destacou que o baixo uso de tecnologia foi um dos principais fatores que limitaram a produtividade neste ciclo. “O produtor atuou, digamos, em legítima defesa. Ele manteve o trigo por tradição e facilidade de manejo, mas optou por investir menos, o que acabou comprometendo o desempenho da lavoura”, afirmou.
O dirigente acrescentou que os resultados da safra incluem grãos de menor qualidade, menor volume de produção e redução na quantidade de palha, o que impacta também a preservação do solo. A estimativa da FecoAgro/RS é que o Estado produza cerca de 3,7 milhões de toneladas neste ciclo.
Preços baixos comprometem renda e desanimam produtores
Apesar da boa produtividade em algumas regiões, os preços baixos do trigo têm frustrado as expectativas dos produtores. “Infelizmente, o preço é muito ruim, e o produtor está decepcionado com a renda. É provável que tenhamos redução de área plantada no próximo ano, o que é uma pena, já que o trigo é uma cultura importante para o Estado”, lamentou Pires.
Segundo cálculos da área técnica da FecoAgro/RS, um produtor que colheu 50 sacas por hectare (cerca de 3 mil quilos) e vendeu a produção a R$ 56,00 por saca teve um prejuízo equivalente a 11 sacas por hectare. “Isso mostra a gravidade da situação. O resultado financeiro da cultura está muito ruim”, enfatizou o presidente.
Canola surge como alternativa para o inverno
Em contraste com o trigo, a canola vem despertando maior interesse entre os produtores gaúchos. Embora ainda ocupe uma área reduzida, o cultivo deve crescer de forma significativa nas próximas safras.
“Há limitações, como a dependência de sementes importadas e o fato de ainda ser uma cultura em aprendizado. Mas o aumento de área é positivo, inclusive para o trigo, pois a rotação de culturas ajuda no controle de plantas daninhas, doenças e melhora o sistema produtivo”, ressaltou Pires.
Rentabilidade segue baixa e falta de seguro preocupa
A FecoAgro/RS alerta que a rentabilidade das culturas de inverno continua baixa, agravada pela falta de seguro agrícola e cobertura do Proagro. “A perspectiva de lucro para o produtor é muito ruim. O risco é elevado, e praticamente todas as lavouras estão sendo feitas sem proteção. Além disso, não há políticas públicas que indiquem uma mudança nesse cenário”, afirmou o presidente da entidade.
Pires conclui reforçando a necessidade de melhores condições de mercado e apoio governamental para manter a sustentabilidade da produção. “Tomara que esses preços melhorem, porque o produtor está sem margem. Precisamos de políticas que assegurem renda mínima e incentivem a continuidade das culturas de inverno no Estado”, finalizou.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Mapa impulsiona produção artesanal e garante Selo Arte inédito para agroindústria do município de Gaspar (SC)
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) segue fortalecendo a produção artesanal em Santa Catarina com a concessão do Selo Arte à agroindústria Maleva Linguiças Artesanais, em Gaspar, no Vale do Itajaí. A certificação, entregue no dia 10 de abril, reconhece sete produtos da empresa e marca a primeira habilitação do tipo no município.
Criado pelo Mapa, o Selo Arte valoriza alimentos de origem animal produzidos de forma artesanal, assegurando qualidade e valorização cultural e regional. Com o reconhecimento, os produtores passam a ter autorização para comercializar seus produtos em todo o território nacional, ampliando mercados e oportunidades.
A empresa Maleva Linguiças Artesanais iniciou suas atividades há cerca de cinco anos, mantendo a tradição familiar da charcutaria aliada à adequação às exigências técnicas. O processo de certificação contou com apoio institucional estadual, dentro de uma política coordenada nacionalmente pelo Mapa.
Foram certificados sete produtos à base de carne suína, entre eles linguiças campeiras e suas variações com queijo, abacaxi, pimentões, alho-poró com bacon, azeitonas e cogumelo com queijo azul, todos sem adição de conservantes ou aditivos intencionais.
Em Santa Catarina, o avanço do Selo Arte reflete a atuação estratégica do Mapa na valorização da agroindústria de pequeno porte. O estado já soma 516 produtos certificados, consolidando um ambiente favorável à geração de renda, ao desenvolvimento regional e à valorização das tradições alimentares.
Essa conquista reforça a relevância dessa política pública para o município e projeta Gaspar no cenário nacional da produção artesanal, com o respaldo de uma iniciativa que integra qualidade e identidade regional, permitindo que os produtos artesanais locais sejam comercializados em um número maior de localidades e alcancem um público mais amplo de consumidores.
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