Agro
Cerrado Mineiro inova com avaliação de doçura em concurso de cafés
O 13º Prêmio Região do Cerrado Mineiro, tradicional concurso de cafés da região, vai se tornar pioneiro ao utilizar o sistema Coffee Value Assessment (CVA) como ferramenta principal de análise das amostras. A iniciativa é fruto de parceria com a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), representante oficial da Specialty Coffee Association (SCA) no Brasil, e tem como foco destacar a doçura, característica sensorial marcante dos cafés do Cerrado Mineiro.
Objetivo da inovação: valorizar a doçura dos cafés
Segundo Maryana Castro, coordenadora de Qualidade da Região do Cerrado Mineiro, a adoção do CVA busca “presentear quem faz Cerrado com cara de Cerrado”. Ela ressalta que o concurso se torna o maior do mundo a utilizar o protocolo, posicionando o Brasil na vanguarda global da avaliação sensorial de cafés especiais.
“O sistema CVA foi escolhido por permitir medir objetivamente a intensidade da doçura, critério central da competição e legado histórico dos cafés brasileiros”, explica Maryana.
Sistema CVA chega ao Brasil através da BSCA
O CVA começou a ser implementado no Brasil no final de abril, após a BSCA firmar memorando de entendimento com a SCA durante a Specialty Coffee Expo, em Houston (EUA). Desde então, a BSCA atua como In-Country Partner da SCA, promovendo, gerenciando e capacitando a comunidade de cafés especiais no país. Entre suas atribuições está justamente adotar o CVA como protocolo oficial de avaliação sensorial.
Para Vinicius Estrela, diretor executivo da BSCA, a aplicação do CVA no concurso do Cerrado Mineiro é um marco: “Em termos de volume, o concurso se torna o maior global a utilizar o CVA, evidenciando a liderança do Brasil na adoção de ferramentas inovadoras para avaliação de cafés especiais”, afirma.
Categoria “Doce Cerrado Mineiro” valoriza cafés da safra 2025/26
O sistema CVA será usado na categoria “Doce Cerrado Mineiro”, que premia os cafés mais doces da região, respeitando suas características típicas, como notas de chocolate, caramelo, amêndoas e acidez cítrica. Os cafés avaliados seguem o processamento natural, em que os grãos são colhidos e secos com a casca, preservando o sabor e aroma naturais da bebida.
Premiação e expectativa para os vencedores
O 13º Prêmio está na fase final de análise das amostras inscritas. A cerimônia de premiação será realizada em 19 de novembro de 2025, em Patrocínio (MG), e deve destacar os melhores cafés da safra, reconhecendo produtores que se destacam pelo sabor e qualidade.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Guerra Irã-EUA eleva preços de fertilizantes e já pressiona custos da safra 2026/2027
A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã já provoca impacto direto sobre os custos do agro. Os preços da ureia subiram entre 33% e 48% nas últimas semanas, enquanto a amônia anidra avançou cerca de 39%, em um movimento puxado pela alta do gás natural e pelas restrições logísticas no Estreito de Ormuz, rota estratégica para exportação de insumos.
O Brasil, que importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), sente o reflexo imediato. Parte relevante da ureia utilizada no País vem do Oriente Médio, o que amplia a exposição ao conflito e eleva o risco de novos aumentos no curto prazo.
O impacto ocorre justamente no momento de planejamento da safra 2026/27. Com custos mais altos, produtores começam a rever estratégias, postergar compras e buscar alternativas para reduzir o peso dos insumos no orçamento, especialmente em culturas como soja e milho, mais intensivas em fertilização.
Além da matéria-prima, o frete também entrou na equação. A tensão na região elevou o preço do petróleo e aumentou o custo do transporte marítimo, pressionando ainda mais o preço final dos fertilizantes no Brasil.
Diante desse cenário, o governo federal discute medidas para amortecer o impacto. Entre as alternativas está a criação de um mecanismo de subvenção para fertilizantes dentro do Plano Safra 2026/27, com uso de crédito subsidiado para reduzir o custo ao produtor.
Outra frente envolve ações estruturais. O governo pretende ampliar a produção nacional por meio do Plano Nacional de Fertilizantes e de linhas de financiamento via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na tentativa de reduzir a dependência externa, considerada um dos principais gargalos do setor.
Do lado produtivo, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) tem pressionado por medidas emergenciais, como a redução de custos logísticos e tributários, incluindo pedidos de isenção do Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), taxa cobrada sobre o transporte marítimo, que encarece a importação de fertilizantes.
Na prática, a combinação de alta dos insumos, frete mais caro e incerteza geopolítica cria um ambiente de maior risco para o produtor. A definição dos custos da próxima safra deve ocorrer sob volatilidade elevada, com impacto direto sobre margem e decisão de plantio.
Fonte: Pensar Agro
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