Connect with us


Agro

Boletim do Leite Cepea: Preços em Queda e Balança Comercial em Déficit em Outubro

Publicado em

O Boletim do Leite do Cepea referente a outubro já está disponível, trazendo análises sobre preços, produção e comércio de produtos lácteos. A edição evidencia um cenário de queda nos valores pagos ao produtor, alterações nos custos de produção e mudanças na balança comercial do setor.

Mercado abastecido e preços do leite seguem em queda

O leite cru registrou redução de preços pelo quinto mês consecutivo, refletindo um mercado abastecido. Segundo o Cepea, a tendência de desvalorização deve se manter até o fim do ano, impulsionada pelo crescimento da produção, resultado dos investimentos no campo e do aumento sazonal típico da primavera e do verão.

Derivados lácteos operam nos menores valores do ano

Levantamento do Cepea, com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), aponta que os preços de derivados lácteos encerraram setembro em queda, atingindo os níveis mais baixos de 2025.

  • Leite UHT: queda de 3,33%, média de R$ 4,26/litro
  • Queijo muçarela: recuo de 2,08%, média de R$ 31,29/kg
  • Leite em pó: desvalorização de 2,13%, média de R$ 30,13/kg
Leia mais:  Entrada de fertilizantes pelo Arco Norte quase dobra em quatro anos e reforça papel estratégico na logística agrícola brasileira

Todos os valores foram ajustados pelo IPCA de setembro/25.

Exportações e importações avançam, mas déficit comercial aumenta

Em setembro, tanto as exportações quanto as importações de produtos lácteos apresentaram crescimento frente a agosto. No entanto, o déficit da balança comercial do setor se ampliou:

  • Exportações: aumento de 10,88%, totalizando 5,92 milhões de litros em equivalente leite
  • Importações: alta de 19,99%, chegando a 198,11 milhões de litros em equivalente leite

O avanço das importações acima das exportações pressionou a balança comercial para o lado negativo.

Custos de produção recuam pelo terceiro mês consecutivo

O Custo Operacional Efetivo (COE) registrou queda de 0,89% em setembro na média nacional, marcando o terceiro mês seguido de redução. Contudo, o comportamento variou entre as regiões monitoradas:

  • Aumento de custos: Bahia, Paraná, Santa Catarina e São Paulo
  • Redução de custos: Minas Gerais e Rio Grande do Sul
  • Estabilidade: Goiás

Essa variação reflete diferenças regionais em insumos, alimentação e mão de obra.

Boletim do Leite

Fonte: Portal do Agronegócio

Leia mais:  Reforma tributária avança, mas cooperativas ainda enfrentam incertezas jurídicas e riscos de custos elevados

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook

Agro

Lideranças alertam que crédito recorde é ineficiente sem juros menores e seguro rural

Published

on

O anúncio do Plano Safra 2026/27, marcado para a próxima terça-feira (30.06), chega ao produtor rural em meio a um clima de ceticismo. Enquanto o governo federal projeta um volume recorde entre R$ 570 bilhões e R$ 652 bilhões, as lideranças do setor alertam que, em um cenário de juros elevados e margens de lucro espremidas, o montante nominal importa menos do que a efetividade das taxas de equalização. O que o campo busca não é apenas liquidez, mas uma estratégia de sobrevivência que contemple o endividamento acumulado nos últimos ciclos.

Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o plano precisa ir além do anúncio de “recordes” orçamentários. A crítica central das bancadas é que o governo carece de uma visão estrutural de longo prazo: enquanto o custo de capital subiu, a subvenção ao seguro rural foi tratada como variável de ajuste orçamentário. Sem proteção contra intempéries, o crédito acaba financiando o risco, e não a produtividade, perpetuando o ciclo de inadimplência que já preocupa o Banco Central.

A Aprosoja Mato Grosso ecoa o descontentamento com a falta de previsibilidade. Para a entidade, de nada adianta um volume robusto se as linhas de investimento — essenciais para armazenagem e modernização — permanecerem travadas ou de difícil acesso para o médio produtor. O setor produtivo aponta que a paridade de importação e os custos de produção em patamares históricos exigem que o Plano Safra seja, antes de tudo, um instrumento de competitividade internacional, e não uma peça de marketing político que ignora a realidade técnica das fazendas.

Leia mais:  Clima favorece florada e mantém preços firmes na colheita de citros no RS

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Engenheiro Agrônomo Isan Rezende (foto), o setor está diante de uma encruzilhada. “O governo insiste em focar no volume total de crédito como se isso, por si só, garantisse a estabilidade da safra, mas esquece que o custo desse dinheiro tornou-se proibitivo para grande parte dos produtores. Não precisamos de um recorde de bilhões disponíveis se as taxas de juros não forem condizentes com a realidade de um setor que, nos últimos dois anos, foi duramente atingido por quebras climáticas sucessivas e pela volatilidade dos preços internacionais. O produtor hoje precisa de fôlego, não de novos passivos impagáveis”, afirmou Rezende.

“O agronegócio não pode ser tratado como um setor auxiliar que recebe atenção apenas quando a balança comercial precisa de socorro. Precisamos que o Plano Safra 2026/27 venha acompanhado de uma política clara de renegociação de dívidas e de um comprometimento real com o Seguro Rural. Sem isso, estamos apenas postergando um colapso financeiro que vai atingir desde o pequeno produtor até a economia das cidades que dependem diretamente do sucesso da nossa safra”, disse Isan.

Leia mais:  Semana do Trigo Começa Movimentada com Exportações e Colheita em Santa Catarina

“A nossa expectativa é de que, no dia 30, o anúncio não seja apenas um conjunto de números desenhado pela Fazenda para cumprir calendário. Queremos ver, de fato, a implementação de uma estratégia que proteja a nossa capacidade de investimento. Se o governo continuar tratando a equalização como um gasto primário e não como o investimento estratégico que é, estaremos condenando o próximo ciclo a uma estagnação perigosa. O agronegócio é o motor que mantém o Brasil respirando, e ele exige o respeito de ser tratado com política econômica técnica, e não com medidas paliativas que não resolvem o gargalo do custo do crédito na ponta”, concluiu o presidente do Instituto do Agronegócio.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continuar lendo

Mais Lidas da Semana

Copyright © 2019 - Agência InfocoWeb - 66 9.99774262