Agro
Cepea lança selo para fortalecer transparência e credibilidade no Indicador de Leite
O sistema agroindustrial (SAG) do leite no Brasil passou por profundas transformações nos últimos 20 anos. Segundo análise de Natália Grigol, pesquisadora da Equipe Leite do Cepea, houve evolução nas normas de qualidade, ganhos de produtividade, aumento da escala de produção e maior concentração do setor, o que intensificou a competitividade na aquisição do leite cru.
Essas alterações impactaram diretamente a forma como produtores, cooperativas e indústrias organizam as negociações, evidenciando a necessidade de maior coordenação e transparência entre os agentes.
Coordenação como fator de competitividade
Na cadeia do leite, coordenação significa alinhar informações e estratégias entre produtores, indústrias e cooperativas. Quando esse fluxo é eficiente, os agentes conseguem tomar decisões de forma conjunta, reduzindo conflitos e aumentando a competitividade. Já falhas nesse processo tendem a fragilizar o setor, levando cada elo a agir isoladamente e elevando os riscos de perdas.
Preço do leite como ferramenta estratégica
Atualmente, a informação sobre preços não é apenas um número de referência, mas uma verdadeira infraestrutura de coordenação. O Indicador de Preço do Leite ao Produtor, calculado pelo Cepea, permite aos agentes do setor mensurar oferta, demanda e desempenho, além de se preparar para cenários futuros. Essa adaptação constante garante resiliência aos negócios, mesmo diante das adversidades de mercado.
Histórico do Indicador de Leite do Cepea
A pesquisa de preços do leite realizada pelo Cepea teve início em 1986. Durante 32 anos, foi executada sem apoio institucional direto. Em 2018, recebeu suporte da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) e da Viva Lácteos, o que permitiu avanços em três frentes:
- evolução metodológica;
- ampliação da amostra;
- aprimoramento da divulgação dos resultados.
Novos desafios e inovação tecnológica
Para garantir qualidade e utilidade, o Indicador exige evolução contínua: ampliar a base de dados, assegurar a confiabilidade das informações e padronizar processos de coleta. Em 2025, o Cepea pretende automatizar a captação via API, assegurando periodicidade, rastreabilidade e governança dos dados sem abrir mão da confidencialidade.
“Selo Cepea” reconhece boas práticas no setor
Nesse contexto, surge o “Selo de Colaboração Transparente”, um mecanismo criado para incentivar comportamentos éticos e reconhecer empresas que contribuem com dados de qualidade.
O selo será concedido em três categorias – ouro, prata e bronze – e avaliará critérios como:
- frequência e pontualidade na participação;
- adesão à coleta automatizada via API;
- qualidade e rastreabilidade das informações;
- manutenção da confidencialidade;
- comprovação de negócios quando solicitada;
- colaboração institucional.
A primeira entrega do selo está prevista para dezembro de 2025, com base no desempenho das empresas durante o ano.
Benefícios para empresas e para o setor
O selo traz ganhos em diferentes frentes:
- Para o Indicador: assegura rastreabilidade e continuidade no fluxo de dados auditáveis.
- Para as empresas: agrega reputação, visibilidade e reconhecimento público.
- Para o setor: fortalece a coordenação entre os agentes, estimulando transparência e confiança mútua.
Um ativo coletivo da cadeia do leite
Segundo o Cepea, o Indicador de Preço do Leite deve ser visto como um ativo coletivo do setor. Para funcionar, depende da corresponsabilidade entre todos os envolvidos:
- o Cepea, responsável por metodologia, coleta e validação;
- os laticínios e cooperativas, que devem fornecer dados corretos e completos;
- os parceiros financiadores, que garantem a sustentabilidade e inovação do projeto.
Com o Selo Cepea, essa corresponsabilidade ganha um reforço institucional, blindando a qualidade das informações e garantindo que o Indicador continue refletindo de forma fiel a realidade do mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
BNDES financia R$ 83,96 milhões para biotecnologia e impulsiona sementes sintéticas de cana-de-açúcar no Brasil
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamentos que somam R$ 83,96 milhões para três projetos estratégicos do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), referência global em pesquisa e inovação na cana-de-açúcar.
As iniciativas incluem o desenvolvimento de sementes sintéticas de cana-de-açúcar, a implantação de uma planta industrial de demonstração e a criação de uma variedade resistente ao besouro Sphenophorus levis, conhecido como bicudo-da-cana.
Investimento total ultrapassa R$ 165 milhões
Os recursos serão viabilizados pela linha BNDES Mais Inovação e poderão ser aplicados em obras civis, aquisição de equipamentos, serviços técnicos especializados em pesquisa e desenvolvimento, além de custos operacionais.
No total, os três projetos somam R$ 165,54 milhões, com participação adicional da Finep (R$ 72,9 milhões) e do próprio CTC (R$ 8,68 milhões).
Sementes sintéticas podem transformar o plantio de cana
A principal inovação do pacote é o desenvolvimento das sementes sintéticas de cana-de-açúcar, tecnologia que promete mudar o modelo tradicional de plantio da cultura no Brasil.
Hoje, o sistema convencional utiliza grandes volumes de colmos e máquinas pesadas, o que gera alto custo operacional, consumo elevado de combustível e impactos como compactação do solo e erosão.
Com a nova tecnologia, o plantio passaria a se assemelhar ao de culturas como soja e milho, utilizando cerca de 400 kg de sementes sintéticas por hectare.
Entre os benefícios esperados estão:
- Redução da compactação do solo
- Menor consumo de combustíveis e insumos
- Diminuição do uso de água no plantio
- Eliminação de viveiros de colmos
- Maior rapidez na renovação dos canaviais
- Aumento da produtividade agrícola
As sementes são produzidas in vitro e envolvidas por uma estrutura protetiva que permite armazenamento, transporte e plantio mecanizado, além de já serem livres de doenças.
Planta-piloto será instalada em Piracicaba (SP)
Parte do investimento será destinada à implantação da primeira planta industrial de demonstração de sementes sintéticas, na Fazenda Santo Antônio, sede do CTC em Piracicaba (SP).
A unidade ocupará 10 mil metros quadrados e terá capacidade inicial para produzir sementes suficientes para até 500 hectares de cana por ano. A operação deve gerar 72 novos empregos diretos.
Segundo o CEO do CTC, César Barros, a tecnologia representa uma mudança estrutural no setor.
“Estamos dando um passo fundamental para colher os resultados dessa tecnologia. O uso da semente sintética será uma disrupção no plantio da cana, com ganhos de produtividade, margens agroindustriais e redução de emissões”, afirmou.
Pesquisa busca ampliar eficiência e escala da tecnologia
Outro eixo do investimento prevê avanços na qualidade das sementes sintéticas, com foco em maior taxa de germinação, maior seletividade do material biológico e ampliação da vida útil, permitindo armazenamento prolongado e logística mais eficiente.
A meta é expandir o alcance da tecnologia para produtores em regiões mais distantes dos centros de produção.
Nova variedade combate principal praga da cana no Brasil
O terceiro projeto apoiado pelo BNDES envolve o desenvolvimento de variedades de cana-de-açúcar resistentes a insetos, com destaque para o Sphenophorus levis, o bicudo-da-cana.
A praga é uma das mais agressivas à cultura no país, com registros significativos em estados como São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, podendo levar à morte da planta e perdas expressivas de produtividade.
CTC reforça papel estratégico na inovação do agro
Fundado em 1969, o CTC é hoje uma das principais instituições de pesquisa em biotecnologia agrícola do mundo. A entidade tem participação relevante no desenvolvimento de variedades de cana que respondem por cerca de 31% da produção nacional.
Com histórico ligado ao Programa Nacional do Álcool (Proálcool), o centro evoluiu para uma sociedade anônima com forte atuação em melhoramento genético, biotecnologia e soluções sustentáveis para o setor sucroenergético.
A instituição também foi responsável pela primeira cana geneticamente modificada do mundo, aprovada em 2017 pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), resistente à broca-da-cana (Diatraea saccharalis).
Inovação e sustentabilidade no centro da estratégia
Com os novos investimentos, o CTC reforça sua atuação em tecnologias voltadas à eficiência produtiva, redução de custos e menor impacto ambiental, alinhadas às demandas globais por sustentabilidade e transição energética no agronegócio.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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