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Política Nacional

Macaé Evaristo defende criação de um Sistema Nacional de Direitos Humanos

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Em audiência pública na Câmara dos Deputados para apresentar projetos e resultados do Ministério dos Direitos Humanos, a ministra Macaé Evaristo reivindicou a criação de um Sistema Nacional de Direitos Humanos. De acordo com a ministra, é necessário adotar um modelo semelhante ao vigente na saúde, na assistência social e na segurança pública.

“Hoje, nossas políticas de direitos humanos ainda enfrentam o desafio da sua dispersão. É hora de discutirmos a necessidade de estruturação de um Sistema Nacional de Direitos Humanos, sustentado por um fundo nacional que assegure governança, recursos e a continuidade das políticas, programas, projetos, iniciativas”, disse a ministra.

Macaé Evaristo também defendeu a aprovação de propostas que estão em análise na Câmara. Entre elas está a que tipifica o desaparecimento forçado de pessoas como crime autônomo imprescritível (PL 6240/13). Outra medida defendia pela ministra obriga o Estado brasileiro a promover a ressocialização de mulheres resgatadas de trabalho análogo à escravidão (PL 3351/24).

O deputado Reimont (PT-RJ) ressaltou que a Câmara já aprovou uma proposta que prevê a proteção, pelo Estado, de pessoas resgatadas de trabalho análogo à escravidão. A medida foi enviada ao Senado. Reimont foi um dos autores dos pedidos para a vinda de Macaé Evaristo à Câmara.

“A Câmara dos Deputados, em 2024, aprovou um projeto de lei que fala sobre o tratamento que o Estado brasileiro tem que dar às pessoas que foram escravizadas, como num trabalho escravo doméstico. Normalmente são mulheres, meninas, que são tiradas do interior e levadas para grandes centros, para trabalhar na casa das famílias, às vezes aos 10, 12, 13 anos. Se o Estado brasileiro não teve um cuidado para impedir que essas pessoas fossem escravizadas, esse mesmo Estado é responsável por reparar isso”, afirmou.

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A ministra dos Direitos Humanos ainda defendeu urgência na aprovação de outras medidas, como a Convenção Americana sobre Proteção dos Direitos da Pessoa Idosa e o projeto que prevê a criação de postos de atendimento para registro civil nas maternidades (PL 3056/11).

“Essa articulação entre Executivo e Legislativo é essencial para que nossas políticas se consolidem com orçamento e continuidade”, salientou.

Participação social
Macaé Evaristo ainda enfatizou a importância da participação social para a construção das políticas públicas como forma de fortalecer a democracia. E, segundo a ministra, as conferências nacionais, retomadas no atual governo, representam o principal instrumento para garantir essa articulação com a sociedade.

A partir dessas conferências, o governo federal elabora uma série de planos voltados à proteção de grupos historicamente vulnerabilizados, como pessoas idosas, com deficiência, em situação de rua e LGBTQIA+.

Entre os planos aprovados, a ministra citou, por exemplo, os planos de educação em direitos humanos, de proteção aos defensores de direitos humanos, comunicadores e ambientalistas e o Plano Ruas Visíveis, voltado ao acolhimento de pessoas em situação de rua.

“Esses planos não são iniciativas isoladas, mas são instrumentos que transformam princípios em ação concreta e que apontam de forma clara para um país mais justo, plural e democrático”, esclareceu a ministra.

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Macaé Evaristo ainda destacou o Programa Envelhecer nos Territórios, voltados a pessoas com 60 anos ou mais. Dentre outras medidas, a iniciativa prevê a articulação com institutos federais para a formação de agentes que vão realizar visitas domiciliares para diagnosticar a situação de cada idoso em todos os municípios.

População de rua
Já dentro do Plano Ruas Visíveis, a ministra afirmou que serão construídas 40 unidades de atendimento, chamadas de Cidadania POP Rua, inicialmente em 21 municípios. As primeiras cidades a receber o equipamento serão aquelas com maior contingente de pessoas em situação de rua.

De acordo com Macaé Evaristo, esses postos servirão como porta de entrada para acolhimento das pessoas que vivem na rua e vão oferecer serviços como cuidados de higiene, primeiros atendimentos de saúde e encaminhamento para participação em programas sociais.

Além disso, o Governo Federal irá destinar 3% das unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida à população em situação de rua.

A reunião com a ministra dos Direitos Humanos foi realizada pela Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial em conjunto com duas outras comissões: a de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família e a de Fiscalização Financeira e Controle.

Reportagem – Maria Neves
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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Política Nacional

Comissão aprova penas mais rígidas para exploração de recursos naturais em terras indígenas

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A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados aprovou proposta que endurece as penas para quem explorar matéria-prima em terras tradicionalmente ocupadas por povos indígenas.

O texto altera a lei de crimes contra a ordem econômica e prevê pena de reclusão, de dois a dez anos, e multa para o crime contra o patrimônio da União, em caso de exploração ilegal de matérias-primas em terras indígenas.

O texto aprovado é a versão da deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) ao Projeto de Lei 959/22, do ex-deputado Leo de Brito (AC). O projeto inicial aumenta de um a cinco anos de detenção para dois a seis anos.

Segundo Xakriabá, a aprovação representa um avanço no combate à exploração ilegal de recursos em terras indígenas, e também um ato de “justiça histórica e de reafirmação da dignidade da pessoa humana como fundamento da República”, consagrando os povos originários como sujeitos de direitos e aliados indispensáveis na preservação da vida e do meio ambiente.

Xakriabá afirmou que a proteção das terras indígenas guarda relevância estratégica para o Brasil e para o mundo. “Nós, povos originários, desempenhamos papel essencial na preservação ambiental, utilizando conhecimentos ancestrais e práticas sustentáveis que assegurem a integridade de biomas cruciais”, disse, ao defender a defesa dos direitos indígenas como política de enfrentamento da crise climática e da perda de biodiversidade.

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Crimes ambientais
A proposta também altera a Lei dos Crimes Ambientais para aplicar a mesma pena (6 meses a 1 ano de detenção) dos que extraem irregularmente recursos minerais para quem:

  • colocar em risco a vida ou saúde de pessoas;
  • causar significativo impacto ambiental;
  • utilizar máquinas ou equipamentos pesados de mineração; ou
  • realizar a atividade mediante ameaça ou com emprego de arma.

Caso o crime seja praticado em terras indígenas, a pena será aumentada até o dobro. Quem financiar esse tipo de ação poderá ter até três anos de detenção.

Próximos passos
O projeto será analisado ainda pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Depois, seguirá para o Plenário. Para virar lei, precisa ser aprovado por Câmara e Senado.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Câmara dos Deputados

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