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Nota oficial — Sistema do Governo Federal registra nove casos de intoxicação por metanol

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Nesta sexta-feira (26), a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad/MJSP) recebeu, por meio do Sistema de Alerta Rápido (SAR), notificação que reporta nove casos de intoxicação por metanol, no estado de São Paulo, num período de 25 dias, todos a partir da ingestão de bebida alcóolica adulterada.

O número de casos registrado, inicialmente, pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), de Campinas (SP), e encaminhado ao Comitê Técnico do SAR é considerado fora do padrão para o curto período de tempo e também por desviar dos casos até hoje notificados de intoxicação por metanol.

O Ciatox recebeu, nos últimos dois anos, casos de intoxicação por metanol a partir de consumo de combustíveis por ingestão deliberada em contextos de abuso de substâncias, frequentemente associada à população de rua. Contudo, de acordo com a notificação de hoje, a ingestão se deu em cenas sociais de consumo alcóolico, incluindo bares, e com diferentes tipos de bebida, como gin, whisky, vodka, entre outros. São registros inéditos no referido centro toxicológico. É possível haver outros casos não notificados, uma vez que nem todos os casos de intoxicação chegam aos órgãos de vigilância e controle.

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A ingestão acidental ou intencional de metanol leva a intoxicações graves e potencialmente fatais. O cenário de adulteração é particularmente relevante do ponto de vista de saúde pública, pois episódios dessa natureza frequentemente resultam em surtos epidêmicos com múltiplos casos graves e elevada taxa de letalidade, afetando grupos populacionais vulneráveis e exigindo resposta rápida das autoridades sanitárias. Nesse sentido, requer alerta à população, considerando, inclusive, o início do fim de semana, quando há maior frequência a bares e consumo de bebidas alcóolicas.

SAR – O Sistema de Alerta Rápido sobre drogas do Brasil (SAR) é um subsistema do Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas – Sisnad, gerenciado pela Secretaria da Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), vinculado ao Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid)

Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, Ministério da Justiça e Segurança Pública

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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Organização criminosa investigada por sextortion movimenta R$ 4 milhões em dois meses

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Curitiba, 21/5/26 – Com apoio estratégico do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Ciberlab/MJSP), a Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou, nesta quinta-feira (21), a Operação Love Hurts. A ação busca desarticular uma organização criminosa especializada em extorsão sexual por meio de sextortion e lavagem de dinheiro. A iniciativa integra o Programa Brasil Contra o Crime Organizado.

As investigações apontam que o grupo movimentou R$ 4 milhões em apenas dois meses, fazendo mais de 20 vítimas em diferentes regiões do País.

Foram expedidos cinco mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão domiciliar. A operação contou ainda com a colaboração das polícias civis do Espírito Santo (PCES), Goiás (PCGO), Maranhão (PCMA), Paraíba (PCPB) e Rio Grande do Norte (PCRN). O apoio interestadual fortalece a repressão a crimes cibernéticos, fraudes e golpes virtuais.

Do afeto à extorsão

Segundo a investigação, a dinâmica criminosa começou em 2024. Por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens, a vítima foi contatada por um perfil falso com o nome “David Green”. O investigado utilizava fotos de terceiros, já identificadas em golpes internacionais, e se apresentava falsamente como médico oncologista em missão de paz na Síria.

Após conquistar a confiança da vítima com manipulação emocional e promessas de casamento — prática que caracteriza, em tese, o chamado romance scam —, o autor induziu a mulher a compartilhar fotos e vídeos íntimos. A partir desse momento, a organização passou a atuar em duas frentes:

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• Estelionato sentimental: solicitação de altas quantias sob falsos pretextos, como passagens aéreas e pagamento de multas fictícias relacionadas ao transporte de ouro na Áustria e no Brasil;
• Sextortion: após a vítima demonstrar desconfiança e esgotamento financeiro, o investigado passou a ameaçá-la com a divulgação de imagens íntimas nas redes sociais, exigindo R$ 20 mil.

Ao todo, o prejuízo financeiro da vítima que deu origem às investigações chegou a R$ 63,3 mil, além de grave abalo psicológico.

Atuação do Ciberlab/MJSP

Com suporte estratégico e de inteligência do Ciberlab, a investigação identificou uma divisão estruturada de tarefas em dois núcleos principais:

• Núcleo estrangeiro (operacional): baseado em terminal telefônico com DDI da Nigéria (+234), país associado a redes especializadas em fraudes afetivas, segundo relatos de vítimas. Esse núcleo era responsável pela abordagem, sedução e posterior extorsão;
• Núcleo nacional (“conteiras”): formado por operadores financeiros no Brasil responsáveis por ceder contas bancárias para o recebimento, ocultação e dissimulação dos valores ilícitos, mediante conversão em criptoativos para lavagem de dinheiro.

Golpes em todo o Brasil

As transferências feitas pelas vítimas eram rastreadas e direcionadas para contas de brasileiras que já aparecem como beneficiárias em diversos boletins de ocorrência registrados em vários estados. Segundo a investigação, isso demonstra a dimensão e a continuidade do esquema criminoso.

A operação é resultado do trabalho das polícias civis no enfrentamento a crimes cibernéticos associados à violência psicológica, sexual e patrimonial contra mulheres no ambiente digital, especialmente por meio de fraudes afetivas e sextortion.

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O tema recebeu reforço legislativo recente com a sanção, em 20 de maio de 2026, de novas medidas de proteção à mulher e enfrentamento à violência digital. As mudanças ampliam mecanismos previstos na Lei Maria da Penha e fortalecem a atuação integrada dos órgãos de segurança pública.

Apoio do MJSP

A participação do Ciberlab tem sido fundamental para integrar as polícias civis estaduais e sufocar o braço financeiro de organizações criminosas que exploram a vulnerabilidade emocional das vítimas.

“A complexidade dos crimes cibernéticos e o combate às fraudes exigem cooperação entre agências de inteligência altamente especializadas e as polícias civis”, afirmou o delegado da Polícia Civil do Paraná, Kelvin Bressan.

Os investigados poderão responder pelos crimes de extorsão qualificada (art. 158, § 1º, do Código Penal), organização criminosa transnacional (Lei nº 12.850/2013) e lavagem de dinheiro (Lei nº 9.613/1998). Somadas, as penas podem ultrapassar 20 anos de reclusão.

Operação Love Hurts

A ação recebeu o nome de “Operação Love Hurts” — expressão em inglês que significa “O amor machuca” — em referência direta ao estelionato sentimental investigado, também conhecido como romance scam.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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