Agro
Mercado da soja: plantio avança no Brasil, exportações argentinas pressionam e Chicago reage com ajustes
O mercado da soja atravessa um período de forte volatilidade, influenciado por fatores externos e internos. Enquanto o Brasil acelera o plantio em meio a negociações lentas, a Argentina pressiona os preços internacionais com exportações intensificadas após a retirada temporária das retenciones. Já em Chicago, o movimento recente tem sido de ajustes técnicos após quedas consecutivas.
Exportações argentinas impactam preços globais
O governo argentino zerou temporariamente as retenciones (impostos de exportação) e, desde então, as vendas externas ganharam força. De acordo com a consultoria Granar, já foram registrados embarques de 2,69 milhões de toneladas de soja em grão, 4,72 milhões de toneladas de farelo e 905 mil toneladas de óleo, somando 11,46 milhões de toneladas de produtos agrícolas. O valor FOB dessas operações chega a US$ 4,18 bilhões, equivalente a 68,7% da meta de US$ 7 bilhões estipulada pelo governo.
A medida levou a China a comprar 20 carregamentos de soja, segundo a Reuters, reduzindo a competitividade do Brasil e dos Estados Unidos no curto prazo. Contudo, ainda há incerteza sobre a continuidade do benefício fiscal até 31 de outubro, diante da pressão do governo norte-americano para que Buenos Aires retome a cobrança.
Soja recua no Brasil com pressão externa
No mercado interno, os preços da soja seguem pressionados. No Rio Grande do Sul, as cotações caíram em média 4,6% nos portos, ficando em torno de R$ 134,50, enquanto no interior as perdas variaram entre 2% e 3% em cidades como Cruz Alta, Passo Fundo e Santa Rosa. Em Panambi, os preços de balcão recuaram de R$ 122,00 para R$ 119,00.
Em Santa Catarina, o recuo foi de 3,3% no porto de São Francisco, com a saca cotada a R$ 135,57. Já no Paraná, o plantio acelera, mas a comercialização segue lenta: em Paranaguá, o preço foi de R$ 137,39 (-3,40%); em Cascavel, R$ 126,56 (-0,53%); e em Maringá, R$ 126,97 (-0,90%).
No Mato Grosso do Sul, os preços também apresentaram quedas moderadas: em Dourados, R$ 122,64 (-1,51%), e em Maracaju, R$ 122,64 (-2,25%). Apesar disso, o estado mantém ritmo resiliente de comercialização, consolidando-se como polo estratégico de exportações.
No Mato Grosso, maior produtor nacional, o desafio está no início do plantio sob condições climáticas adversas. Na comercialização, a estratégia predominante é a venda antecipada. Em Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, os preços ficaram em R$ 117,19 (-1,75%), enquanto em Rondonópolis e Primavera do Leste alcançaram R$ 122,26 (-0,43%).
Bolsa de Chicago reage após quedas consecutivas
Após uma sequência de baixas, a soja voltou a subir na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta quinta-feira (25). Os contratos futuros registraram avanço de pouco mais de 6 pontos, acompanhando a valorização do óleo de soja, que subiu mais de 1%, e também do farelo.
O movimento é técnico, com ajustes e realização de lucros, após a pressão vinda das exportações argentinas. Ainda assim, fatores como o avanço da colheita nos Estados Unidos e o ritmo do plantio no Brasil continuam pesando sobre as cotações.
Na quarta-feira (24), o contrato de novembro havia encerrado a sessão em queda de 0,30%, a US$ 1.009,00/bushel, enquanto o janeiro recuou 0,31%, para US$ 1.028,50/bushel.
Negociações seguem lentas no mercado físico brasileiro
No Brasil, a liquidez permanece baixa, com produtores retraídos e prêmios pouco atrativos nos portos. Em Passo Fundo (RS), a saca recuou de R$ 130,00 para R$ 129,00; em Santa Rosa (RS), de R$ 131,00 para R$ 130,00. Em Rondonópolis (MT), houve leve alta de R$ 124,00 para R$ 125,00, enquanto em Dourados (MS) a cotação passou de R$ 123,00 para R$ 123,50.
Nos portos, Paranaguá (PR) caiu de R$ 135,00 para R$ 134,00, e Rio Grande (RS), de R$ 136,00 para R$ 134,00.
Analistas avaliam que os produtores seguem focados no plantio e aguardam melhores oportunidades para negociar, enquanto a CBOT e o câmbio oferecem apenas suporte limitado.
Exportações dos EUA e cenário cambial
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou exportações líquidas de 724,5 mil toneladas de soja na semana encerrada em 18 de setembro, acima das expectativas médias do mercado. O Egito foi o principal comprador, com 166,2 mil toneladas.
No câmbio, o dólar comercial manteve estabilidade em R$ 5,3269. O Dollar Index registrou alta de 0,23%, a 98.105 pontos, enquanto os mercados internacionais operaram de forma mista.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Mercado global de açúcar pode registrar déficit em 2026/27, alerta Organização Internacional do Açúcar
A Organização Internacional do Açúcar projeta que o mercado global de açúcar deverá entrar em déficit na safra 2026/27, sinalizando uma possível mudança no equilíbrio entre oferta e demanda após um período de superávit mundial.
Segundo estimativa divulgada pela entidade em atualização trimestral, o déficit global deverá alcançar 0,262 milhão de toneladas métricas na próxima temporada, refletindo principalmente uma queda prevista de cerca de 2 milhões de toneladas na produção mundial.
El Niño amplia preocupação com oferta global de açúcar
De acordo com a OIA, o avanço do fenômeno climático El Niño aumenta os riscos para importantes regiões produtoras, elevando as preocupações com produtividade agrícola e oferta global da commodity.
O relatório aponta que as condições climáticas podem afetar diretamente a produção de cana-de-açúcar em grandes exportadores, alterando o comportamento do mercado internacional ao longo de 2026 e 2027.
A entidade destacou que a previsão de déficit marca a primeira estimativa oficial para a safra 2026/27.
Superávit global de açúcar em 2025/26 foi revisado para cima
Apesar da perspectiva de déficit futuro, a Organização Internacional do Açúcar revisou para cima sua projeção de superávit global na temporada 2025/26, considerando o ciclo entre outubro e setembro.
A estimativa passou de 1,22 milhão para 2,244 milhões de toneladas métricas, indicando oferta ainda confortável no curto prazo.
Segundo a entidade, o cenário atual tende a manter os preços relativamente estáveis nos próximos meses.
“A perspectiva para os preços nos próximos três meses é neutra, pois o superávit de 2025/26 é modesto”, informou a organização.
Formação de estoques pode sustentar preços internacionais
Mesmo com oferta global positiva na temporada atual, a OIA avalia que alguns fatores podem limitar pressões de baixa sobre os preços internacionais do açúcar.
Entre eles estão:
- preocupações com redução no uso de fertilizantes;
- aumento das operações de hedge;
- formação preventiva de estoques;
- incertezas climáticas relacionadas ao El Niño.
Segundo a entidade, esses elementos podem contribuir para maior sustentação dos preços no mercado internacional.
Produção global de etanol deve crescer em 2026
O relatório também apresentou projeções para o mercado global de etanol, setor diretamente ligado à cadeia sucroenergética.
A expectativa da OIA é que a produção mundial avance de 123,1 bilhões para 129,4 bilhões de litros em 2026, impulsionada principalmente pela recuperação da produção brasileira e pela expansão do setor na Índia.
O consumo global de etanol também deverá crescer, passando de 122,9 bilhões para 126,9 bilhões de litros, embora ainda permaneça abaixo da oferta prevista.
Alta do petróleo fortalece demanda por biocombustíveis
Segundo a organização, o aumento dos preços do petróleo, influenciado pelas tensões geopolíticas no Golfo Pérsico, vem ampliando o interesse global pelos biocombustíveis.
A OIA destacou que diversos países estão ampliando programas de mistura de etanol à gasolina como estratégia energética e ambiental.
Entre os movimentos citados pela entidade estão:
- o avanço do E32 no Brasil;
- discussões sobre E25 na Índia;
- ampliação do E20 na União Europeia.
Os biocombustíveis ganham competitividade econômica em cenários de petróleo elevado, favorecendo a demanda por etanol produzido a partir da cana-de-açúcar e do milho.
Brasil segue no centro das atenções do mercado sucroenergético
Com a recuperação da produção nacional prevista para 2026, o Brasil deve continuar exercendo papel estratégico no abastecimento global tanto de açúcar quanto de etanol.
O desempenho climático da safra brasileira, aliado ao comportamento da demanda internacional por biocombustíveis, deverá ser determinante para o equilíbrio do mercado global nos próximos ciclos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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