Agro
Impacto do tarifaço de Trump: exportações brasileiras caem para EUA, mas superávit comercial cresce em agosto
Apesar das tarifas de importação aplicadas pelos Estados Unidos em agosto, as exportações brasileiras continuaram crescendo em valor e volume, especialmente para China e Argentina, principais compradores. A Ásia respondeu por 45,9% das vendas externas, com a China representando 31,8%, enquanto a Argentina respondeu por 5,5%, com destaque para o setor automotivo.
Segundo análise da FGV Agro, os efeitos do tarifaço de Trump em agosto não devem se repetir com a mesma intensidade nos próximos meses, e uma estabilidade ou leve desaceleração é esperada.
Exportações para os EUA e União Europeia sofrem queda
Em contrapartida, as vendas para os Estados Unidos recuaram 18,5% em valor e 15,4% em volume, enquanto para a União Europeia a queda foi de 11,9% em valor e 9,4% em volume. Alguns setores, como máquinas e equipamentos, mostraram crescimento entre agosto de 2024 e 2025, mas a maioria das exportações enfrentou desaceleração.
Entre os produtos impactados pelo tarifaço, carne bovina, semimanufaturas de ferro e aço, e transformadores conseguiram compensar parte da queda nos EUA com vendas para outros mercados, enquanto produtos como madeira e fumo não conseguiram diversificar.
Superávit comercial de agosto é o maior desde janeiro
O superávit da balança comercial em agosto atingiu US$ 6,1 bilhões, superior aos US$ 4,5 bilhões registrados no mesmo mês de 2024, refletindo a retomada das exportações e a redução das importações. No acumulado do ano até agosto, porém, o superávit de 2025 (US$ 42,8 bilhões) ainda é inferior ao de 2024 (US$ 53,6 bilhões).
Em volume, as exportações aumentaram 7,3%, enquanto as importações caíram 3,8% em agosto, com destaque para a redução nos bens de capital e duráveis. Já no acumulado anual, as importações de bens de capital registraram aumento de 18,5%, puxadas por demandas internas.
Commodities lideram crescimento das exportações em agosto
O aumento das exportações em agosto foi puxado pelas commodities, com crescimento de 10,3% em volume, enquanto produtos não commodities tiveram aumento de 0,9%. Entre os produtos de destaque estão soja, petróleo, minério de ferro e carne bovina, que responderam por mais de 85% do crescimento das vendas externas para a China.
No setor industrial, a liderança em volume foi da extrativa (+21,3%), seguida da agropecuária (+6,1%) e da transformação (+2,4%). Em valor, a carne bovina foi o principal produto da transformação, com aumento de 56%, enquanto celulose, açúcares e farelo de soja recuaram.
Perspectivas para os próximos meses
De acordo com a FGV Agro, se não houver novas medidas tarifárias dos EUA, espera-se uma desaceleração moderada no crescimento de exportações e importações, com o saldo da balança comercial projetado entre US$ 62 bilhões e US$ 65 bilhões.
O esforço de diversificação de mercados segue como prioridade do Brasil, com atenção especial para negociações técnicas com os EUA e manutenção de fluxos com a China, garantindo que o país continue a reduzir a dependência de um único parceiro comercial.
Além disso, a vulnerabilidade externa deve permanecer controlada, graças à manutenção da taxa de juros brasileira, à redução das taxas nos EUA e à perspectiva positiva para a entrada de capital estrangeiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Adesão ao ZarcNM deve começar de imediato com análise de solo
Os sojicultores que pretendem acessar a subvenção diferenciada do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) por meio do Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM) devem iniciar os preparativos agora. O ZarcNM estará disponível na próxima safra em uma segunda fase do projeto piloto para a cultura da soja no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.
O primeiro passo para quem deseja entrar no programa é fazer a análise de solo em um dos laboratórios credenciados a operar o SiNM, plataforma desenvolvida pela Embrapa para indicação do nível de manejo. A análise para o ZarcNM mensura a saturação por bases, o teor de cálcio e a saturação por alumínio.
Após realizar a análise de solo, o agricultor deve procurar um operador de contrato de seguro rural, que pode ser uma cooperativa, banco, corretora ou outro. Caberá ao operador de contrato inserir no SiNM informações sobre o produtor e sobre o talhão a ser segurado. Também é o operador quem contrata avaliação por sensoriamento remoto para quantificar a área de cobertura do solo e conferir o histórico de culturas dos últimos três anos.
Com todas as informações inseridas no sistema, o SiNM calcula o nível de manejo do talhão e o operador de contrato repassa as informações para o governo para que seja feita a subvenção conforme o nível de manejo (NM). Para NM 4 a subvenção na safra 2026/2027 de soja será de 40%. No NM3 será de 35%, 30% para NM2 e 20%, que é o padrão do PSR, para NM1.
“Os contratos de seguro da safra 2026/2027 já começaram a ser negociados. Por isso, o produtor, a cooperativa e a seguradora que quiserem participar da fase 2 do projeto piloto precisa se antecipar. Quanto antes o seguro for contratado, maior a possibilidade de acesso à subvenção e melhores condições de coberturas”, alerta Hugo Borges Rodrigues, coordenador-geral de Risco Agropecuário do Ministério da Agricultura e Pecuária.
“O objetivo é que no momento da contratação do seguro da soja, o produtor já tenha a classificação do nível de manejo do talhão disponível no SiNM da Embrapa, pois isso permite que as seguradoras já utilizem a informação na precificação do risco e também que o produtor consiga acessar com antecedência os recursos do PSR com percentuais diferenciados de subvenção”, explica.
Além da cultura da soja, o projeto piloto do ZarcNM se ampliará para o milho segunda safra no Paraná e Mato Grosso do Sul. Nesse caso, a subvenção será de 40% no NM1, 45% no NM2 e de 50% nos NM3 e NM4.
A lista com laboratórios de análise de solo, operadores de contrato e de sensoriamento remoto credenciados a utilizar o SiNM está disponível aqui. Na mesma página é possível encontrar as informações completas sobre o Zarc Níveis de Manejo.
Nesta fase de testes, o ZarcNM está sendo utilizado apenas no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Para a safra 2026/2027 serão destinados R$ 1 milhão para subvenção no piloto na cultura da soja e R$ 1 milhão para o milho. De acordo com o Mapa, o valor pode ser ampliado, caso haja demanda. Na safra passada, quando o ZarcNM foi testado pela primeira vez apenas no Paraná, foram destinados R$ 8 milhões, mas somente R$ 206 mil foram contratados.
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