Paraná
Com formação ampla, bombeiros do Paraná estão preparados para atuar em todos os cenários
O Curso de Formação de Praças Bombeiro Militares (CFP/BM) forma profissionais para atuar em todas as áreas de salvamento, por meio de diversas disciplinas práticas e teóricas, como combate a incêndios, atendimento pré-hospitalar, busca, resgate e salvamentos em diferentes situações. Nesta quinta-feira (25), mais 419 novos profissionais que receberam a formação ingressaram na corporação no Paraná, durante uma cerimônia realizada no Palácio Iguaçu, em Curitiba.
Com uma carga horária de 1.500 horas, são ofertadas cerca de 36 disciplinas aos formandos no Centro de Ensino e Instrução do Corpo de Bombeiros, localizado na Academia Policial do Guatupê. Devido a grande quantidade de alunos, os cursos são realizados também em quartéis de grandes centros como Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Umuarama, Guarapuava, entre outros. A formação é feita próxima ao local de atuação dos profissionais e o ingresso é por meio de concurso público.
O curso abrange três áreas de competência: a cognitiva, com toda a parte teórica; a psicomotora, para que aprendam a utilizar ferramentas como motosserra e serrotes para a realização de resgates; e, por fim, a chamada atitudinal, em que são treinados para que tenham capacidade para lidar com situações drásticas como óbitos, suicídio, entre outros.
Segundo major Eduardo José Slomp Aguiar, comandante do Centro de Ensino e Instrução do Corpo de Bombeiros, trata-se de um curso muito intenso para tornar os profissionais aptos à atuação em áreas incomuns.
“A pessoa que ingressa no Corpo de Bombeiros ainda não tem muito conhecimento das nossas atividades. Ela vai ter contato desde a parte administrativa até a parte operacional, vai aprender a combater incêndio, realizar salvamentos, atendimento pré-hospitalar, tudo isso de forma profissional e incisiva para que a comunidade paranaense seja bem atendida”, disse.
Além do conhecimento teórico ministrado nas aulas, após quatro meses de curso, os alunos passam para a etapa do estágio, que tem duração de cinco meses. Eles começam então a atender chamados na Central de Operação e se deslocam para ocorrências com o caminhão de combate a incêndios ou ambulâncias. “É um curso no qual o aluno aprende fazendo, sempre acompanhado por profissionais que já têm experiência e bagagem para repassar o conhecimento”, destacou o major.
De acordo com Aguiar, todo o conteúdo abordado é para garantir uma formação completa ao profissional, com o intuito de prepará-lo para as situações mais inusitadas. “A formação contribuiu para ser um bombeiro completo. Eles fazem ações de combate a incêndio, nossa atividade primária, mas também a busca aquática, salvamento em altura. Existem outras especializações posteriores para aperfeiçoarem, mas ao término dessa formação já estão aptos para todas as missões do Corpo de Bombeiros”, explicou.
Ainda segundo ele, essa preparação do Paraná, reconhecida nacionalmente, ajuda os profissionais do Estado a colaborarem em grandes missões nacionais, como combate a incêndios no Pantanal ou resgate de corpos em Brumadinho, e internacionais, como a operação da Força Nacional para interromper focos de incêndio no Chile, no começo do ano.
PRONTOS PARA AÇÃO – Para Lucas Vieira Araújo, que fez o curso em um quartel de Londrina, na região Norte, o diferencial é justamente o preparo para todo tipo de ocorrência, muito além do combate a incêndios. “É uma formação técnica muito complexa que envolve treinamento na água, fogo e terra, porque o bombeiro é preparado para tudo. Tivemos instrutores muito capacitados que ajudaram de forma significativa na nossa formação”, disse.
Em sua última semana de estágio, Araújo teve que atender a um acidente envolvendo vítimas. “Tivemos a oportunidade de retirar as vítimas. É uma ocorrência que marca a vida da gente e que traz uma experiência muito grande para nossa formação. Aprendemos bastante na teoria e na prática nos estágios, estou feliz com minha formação e preparado para iniciar essa nova jornada”, afirmou.
Thais Moraes Ramos, formada em um quartel de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, conta que o curso foi diferente do que imaginava, mas que também foi desafiador. “A maioria das pessoas tem uma ideia diferente quando entra, foi legal passar por todos os obstáculos e ver que somos capazes de vencer”, afirmou. Entre os formados, 47 são mulheres, o equivalente a 11% do total, o que faz desta também a maior contratação de bombeiras da história do Estado.
Ela teve que combater um incêndio no primeiro dia do ano. “Meu primeiro combate a incêndio não teve vítimas, mas me marcou bastante. Me senti muito feliz ao ter o primeiro combate. Ver que consegui realizá-lo com sucesso é muito satisfatório. Treinamos para isso e agora vamos devolver o serviço pra comunidade da melhor forma possível”, destacou.
Segundo William Quintino Viana, que fez sua formação em um quartel de Ivaiporã, no Vale do Ivaí, que acabou de ganhar uma nova unidade, foi um período marcante para a sua trajetória. Ele conta que se sente muito preparado para colocar em prática tudo que aprendeu ao longo dos meses de curso. “O estágio operacional foi importante porque vivenciamos na realidade o atendimento a comunidade a população. O bombeiro procura servir e me sinto preparado para entregar o melhor para a sociedade”, ressaltou.
OUTROS CURSOS – No Paraná, os profissionais do Corpo de Bombeiros também passam por treinamentos especiais que os preparam para agir de forma rápida e eficiente sempre que precisam atender situações complexas além do combate a incêndios, como mergulhos em locais profundos, salvamento em áreas remotas ou em montanhas, resgate a pessoas soterradas.
O Corpo de Bombeiros do Paraná já ofereceu cursos como o Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas (BREC); especializações de Mergulhador Autônomo; Socorro em Regiões de Montanha e Áreas Remotas; Negociador, entre outros.
Cada curso desses exige estrutura específica, ambientes variados e dedicação exclusiva do bombeiro durante o período de formação, que podem durar de duas semanas até quatro meses ininterruptos.
EFETIVO – A formatura foi realizada no Palácio Iguaçu com a maior contratação da última década, além de ser a primeira que ocorre após a autonomia da corporação, aprovada em dezembro de 2022. A partir de agora, os bombeiros passarão a atender todas as regiões do Estado. Eles ficarão lotados em 18 quartéis de 15 diferentes cidades: Apucarana, Cianorte, Colombo, Curitiba, Francisco Beltrão, Guarapuava, Ivaiporã, Maringá, Londrina, Paranavaí, Pato Branco, Ponta Grossa, Santo Antônio da Platina, São José dos Pinhais e Umuarama.
Fonte: Governo PR
Paraná
Ministério Público do Paraná requer a suspensão da comercialização de lotes e a regularização integral de loteamento da década de 1990 em Quatro Barras
O Ministério Público do Paraná, por meio da Promotoria de Justiça de Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba, ajuizou ação civil pública para garantir a regularização urbanística e ambiental integral do Loteamento Bosque Merhy. A ação pede, em caráter de urgência, a suspensão da venda de qualquer lote, bem como da cobrança e do recebimento de valores referentes a lotes eventualmente já comercializados, e busca a reparação de danos materiais e morais coletivos.
Áudio do Promotor de Justiça André Luiz de Araújo
São réus os dois loteadores do empreendimento e o Município de Quatro Barras, este último por suposta omissão no dever de fiscalizar. Registrado em 1995, com 133 lotes distribuídos em uma área de 561.076 m², o loteamento situa-se em região de manancial, integralmente inserida na Área de Proteção Ambiental (APA) do Iraí.
Problemas históricos – De acordo com a investigação do MPPR, o loteamento nunca foi integralmente concluído. Segundo relatórios técnicos, os loteadores não implantaram a infraestrutura básica que lhes cabia. As redes de água e esgoto foram executadas tardia e parcialmente pela Sanepar; a energia elétrica e a iluminação pública foram implantadas, de forma gradual, pela Copel. Em ambos os casos, os custos foram repassados ao Município e aos próprios moradores. Permanecem pendentes a drenagem pluvial, a pavimentação e a abertura integral das vias projetadas. Há, ainda, indícios de que áreas que deveriam permanecer preservadas, como um lago e um bosque protegido, teriam sido repassadas ao Município no lugar de áreas úteis à população, para simular o cumprimento do percentual mínimo de áreas públicas.
O histórico do empreendimento também registra intervenções recentes objeto de autuação ambiental. Em 2020, a retomada de obras em Área de Preservação Permanente (APP) foi autuada e embargada pelo Instituto Água e Terra (IAT), inclusive por descumprimento de embargo que remontava a 2001, o que resultou em multa de R$ 200 mil. Mais recentemente, vistoria da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, em maio de 2026, apontou indícios de nova supressão de vegetação em APP, em aparente descumprimento do embargo. A extensão exata e o volume dos danos ambientais ainda dependem de perícia judicial.
Pedidos urgentes – Diante da gravidade da situação, o Ministério Público formulou pedidos liminares, em caráter de urgência, requerendo ao Judiciário a imediata paralisação de qualquer obra e de qualquer supressão de vegetação na área, com o apoio da Polícia Militar Ambiental (Força Verde) na fiscalização. Também foram requeridas a indisponibilidade de bens dos loteadores, no valor mínimo de R$ 2 milhões, para assegurar as obras de regularização, o ressarcimento ao erário e a reparação dos adquirentes prejudicados, e a determinação para que o Município adote as medidas necessárias para fazer cessar e remover as irregularidades apontadas.
No julgamento do mérito, o MPPR requer a condenação dos réus à conclusão definitiva da infraestrutura do loteamento, à destinação correta das áreas públicas, à recuperação integral da área degradada, na extensão a ser apurada em perícia, mediante Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), e ao pagamento das indenizações devidas. Os valores das indenizações por danos morais coletivos, se fixados, serão revertidos ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos (FEID).
No julgamento do mérito, o MPPR requer a condenação dos réus à conclusão definitiva da infraestrutura do loteamento, à destinação correta das áreas públicas, à recuperação integral da área degradada, na extensão a ser apurada em perícia, mediante Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), e ao pagamento das indenizações devidas. Os valores das indenizações por danos morais coletivos, se fixados, serão revertidos ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos.
Processo 0001353-95.2026.8.16.0211
Informações para a imprensa:
Assessoria de Comunicação
[email protected]
(41) 3250-4249
Fonte: Ministério Público PR
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