Paraná
MPPR em Londrina denuncia médico da rede municipal por violência obstétrica praticada durante parto de adolescente em 2019 e por falsidade ideológica
Em Londrina, no Norte Central do estado, o Ministério Público do Paraná, por meio da 24ª Promotoria de Justiça da comarca, apresentou denúncia criminal por violência obstétrica contra um médico da rede municipal. A vítima do possível crime foi uma adolescente de 16 anos, supostamente agredida durante seu trabalho de parto, ocorrido em setembro de 2019.
Na ação penal, o MPPR sustenta que, durante o parto da jovem, o servidor público realizou de forma desnecessária e sem o consentimento dela um procedimento de episiotomia (incisão na região do períneo, feita quando há necessidade de facilitar a passagem do bebê) – a despeito de ser questionado quanto à necessidade da incisão por uma profissional de enfermagem e da negativa da adolescente de submeter-se ao procedimento. Conforme a denúncia, “pouco antes de realizar a episiotomia, disse ‘quem manda aqui sou eu’, após a intervenção da enfermeira […] (que assistia o parto) acerca da desnecessidade do procedimento, e da súplica da parturiente de que não desejava o corte no períneo”.
A Promotoria de Justiça aponta ainda que o médico não aguardou a expulsão espontânea da placenta (chamada de processo de dequitação), o que levou a diversas complicações posteriores, e que, durante todo o parto, em diversas ocasiões, ele constrangeu e humilhou a adolescente. Afirma o Ministério Público que o acusado, “no contexto de violência obstétrica, com vontade e consciência, causou danos emocionais à vítima […], prejudicando-a e perturbando-a em seu pleno desenvolvimento […], mediante constrangimento, humilhação, manipulação, ridicularização, causando prejuízo à sua saúde psicológica e autodeterminação, tudo prevalecendo-se da relação de poder entre médico e paciente.”
Indenização – O MPPR também acusa o profissional de saúde de falsidade ideológica, por ter inserido nos documentos relacionados ao prontuário clínico da paciente informações falsas: relatou não ter feito a episiotomia e ter aguardado a dequitação da placenta, o que, conforme apurou o Ministério Público, não ocorreu. Além da condenação pela violência obstétrica, a Promotoria de Justiça requer que o denunciado seja condenado a indenizar a jovem em R$ 50 mil por danos morais e materiais causados durante o parto. De modo a proteger a vítima, o processo tramita sob sigilo.
Processo número 0021599-29.2023.8.16.0014
Informações para a imprensa:
Assessoria de Comunicação
[email protected]
(41) 3250-4469
Fonte: Ministério Público PR
Paraná
Sistema de rasteamento em tempo real aprimora gestão do transporte escolar em 11 municípios
A implantação do projeto Educação no Rumo Certo, que viabiliza o rastreamento em tempo real no transporte escolar no Paraná, já começa a trazer efeitos práticos para quem mais importa: os alunos. Com a criação de um sistema de chamados para registrar e acompanhar demandas dos municípios, o atendimento ficou mais ágil e organizado nas 11 cidades integrantes do projeto-piloto nas quais foi implementado, em dezembro de 2025. Até agora, foram contabilizados 143 chamados, sendo 103 já resolvidos e 18 em andamento, com prazos definidos conforme o nível de prioridade.
Trata-se de um equipamento de geolocalização instalado em cada veículo que realiza o transporte escolar. Os dados são enviados para o sistema, apresentados por meio de um painel de gestão contendo componentes visuais pré-definidos de gestão de informações, em formatos de indicadores, tabelas, diferentes tipos de gráficos e calendários, entre outros recursos. Na prática, isso significa respostas mais rápidas para situações do dia a dia, como ajustes de rotas, substituição de veículos, manutenção de equipamentos e correções no sistema.
“Com isso, problemas que antes poderiam levar dias para serem resolvidos passam a ser atendidos em menos tempo, evitando que alunos fiquem sem transporte, reduzindo atrasos nas rotas e garantindo maior regularidade no trajeto até a escola”, afirma a diretora-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), Eliane Teruel Carmona. “A consequência direta é um serviço mais regular, com menos atrasos e maior previsibilidade para estudantes e famílias que dependem do transporte para chegar à escola”,
O avanço é resultado do investimento de R$ 1,3 milhão no projeto, desenvolvido pelo Fundepar, por meio do Departamento de Transporte Escolar (DTE). O sistema permite acompanhar, em tempo real, rotas, quilometragem e a execução do serviço em diferentes municípios, além de comparar automaticamente o que foi percorrido com o que foi registrado, o que aprimora a precisão das informações e orienta ajustes na operação.
“O transporte escolar é um elo fundamental para garantir o acesso dos estudantes à escola com segurança e regularidade. A modernização amplia o controle do serviço e contribui para a permanência dos alunos”, afirma o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda.
Entre março e abril de 2026, equipes técnicas estiveram em campo nas cidades de Cambé, Corbélia, Ibiporã, Iretama, Laranjeiras do Sul, Luiziana, Reserva do Iguaçu, Rolândia, Tibagi, Toledo e Três Barras do Paraná para validar o funcionamento da ferramenta. Nessa etapa, o sistema já começou a qualificar as informações sobre a operação: o cruzamento entre a quilometragem registrada pelos rastreadores e os dados informados pelos prestadores tem permitido identificar pontos de ajuste nos registros e no planejamento dos repasses, contribuindo para uma gestão mais precisa e transparente dos recursos públicos.
“Além de dar mais agilidade às demandas, a tecnologia melhora a qualidade das informações. Com a integração dos dados, o preenchimento dos sistemas pelos municípios se torna mais simples e confiável, reduzindo erros e retrabalho. Hoje, 383 dos 396 rastreadores já estão em operação, ampliando a capacidade de controle da frota e o acompanhamento do serviço”, explica Eliane.
TRAJETOS PRECISOS – Os primeiros levantamentos, com base em 34.701 trajetos feitos em 11 municípios, mostram que o uso do rastreamento já permite um nível mais detalhado de leitura da operação. A comparação entre a quilometragem prevista e a efetivamente realizada tem indicado variações médias da ordem de 39%, informação que serve como base para ajustes mais finos no planejamento das rotas e na definição dos repasses.
“Com esses dados, os municípios conseguem alinhar melhor o que foi planejado com o que acontece na prática, corrigindo distorções, evitando desperdícios e organizando o serviço de forma mais eficiente. A tendência, com a atualização contínua das informações e o uso do sistema no dia a dia, é reduzir essas diferenças e tornar o transporte cada vez mais preciso e confiável”, afirma a chefe do DTE do Fundepar, Claudia Akel.
As vistorias em campo também impulsionaram ajustes operacionais e ajudaram a adequar a ferramenta à realidade dos municípios. Integrado ao Sistema de Gestão do Transporte Escolar (Siget), o rastreamento passa a oferecer uma base mais confiável para a tomada de decisão, reforçando o controle e a organização do serviço. Em paralelo, o Fundepar tem aprimorado os painéis de monitoramento, o sistema de chamados e o acompanhamento dos equipamentos.
EDUCAÇÃO NO RUMO CERTO – Iniciativa do Fundepar, o projeto foi criado para modernizar o transporte escolar e torná-lo mais seguro, eficiente e transparente. Lançado em fevereiro de 2025, o projeto está em fase-piloto em municípios como Cambé, Corbélia, Luiziana, Rolândia, Reserva do Iguaçu, Laranjeiras do Sul, Ibiporã e Iretama, escolhidos por representarem diferentes realidades de operação e alta quilometragem percorrida.
A solução utiliza tecnologia de rastreamento para monitorar, em tempo real, os veículos que transportam estudantes da rede estadual, permitindo o acompanhamento de rotas, velocidade e quilometragem efetivamente realizada. Ao Siget, o sistema substitui processos manuais por dados automatizados e confiáveis, melhora o planejamento logístico e assegura maior precisão nas informações utilizadas para o cálculo de repasses aos municípios.
Na prática, o projeto fortalece a gestão do transporte escolar ao ampliar o controle operacional, aumentar a segurança de alunos e motoristas e garantir mais transparência na aplicação dos recursos públicos. Também contribui para a regularidade e pontualidade das rotas, facilitando a rotina das famílias e dos estudantes que dependem do serviço para chegar à escola.
Com mais de 210 mil alunos atendidos em cerca de 1,7 mil escolas estaduais, o transporte escolar é um fator decisivo para o acesso e a permanência na educação. Ao qualificar esse serviço, o Educação no Rumo Certo ajuda a reduzir a evasão escolar e melhora as condições de aprendizagem. Diante dos resultados positivos da fase-piloto, a previsão é ampliar o projeto para novos municípios e, após licitação prevista para 2026, disponibilizar a ferramenta para todo o Estado.
Fonte: Governo PR
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