Agro
Soja: mercado reage em Chicago, preços avançam no Brasil e foco segue no clima dos EUA e na demanda da China
O mercado da soja encerrou esta semana com recuperação moderada nas cotações internacionais e reflexos positivos no mercado físico brasileiro. A Bolsa de Chicago (CBOT) registrou ganhos nos contratos de curto prazo, sustentados pela atuação compradora dos fundos de investimento e pelas expectativas de aumento da demanda chinesa pela safra norte-americana 2026/27.
Apesar do movimento positivo, o ambiente segue marcado por cautela. O feriado da Independência dos Estados Unidos reduziu a liquidez das negociações, enquanto os operadores permanecem atentos às previsões climáticas para o cinturão produtor norte-americano, fator determinante para o potencial produtivo da safra em desenvolvimento.
O contrato da soja com vencimento em julho fechou com alta de 0,49%, cotado a US$ 11,32 por bushel. O vencimento de agosto avançou 0,26%, para US$ 11,36 por bushel. No complexo soja, o farelo apresentou leve valorização, enquanto o óleo também encerrou o pregão em campo positivo.
Entretanto, os ganhos foram limitados pelos dados fracos das exportações semanais dos Estados Unidos. As vendas externas somaram apenas 41,8 mil toneladas, o menor volume do atual ano comercial e uma queda superior a 90% em relação à semana anterior. Além disso, as recentes chuvas reduziram as áreas afetadas pela seca no país, melhorando as perspectivas para a produtividade da safra americana.
Clima nos Estados Unidos segue como principal fator de formação de preços
Neste momento, o comportamento do clima no Meio-Oeste dos Estados Unidos continua sendo o principal direcionador das cotações internacionais. As previsões indicam temperaturas elevadas intercaladas com chuvas em boa parte das regiões produtoras, cenário considerado favorável ao desenvolvimento das lavouras.
Caso esse padrão climático seja mantido nas próximas semanas, o mercado poderá enfrentar novas pressões baixistas. Por outro lado, qualquer mudança nas previsões, especialmente durante o período crítico de florescimento e enchimento de grãos, tende a aumentar a volatilidade em Chicago.
Outro ponto observado pelos investidores é o comportamento da demanda chinesa. Embora existam expectativas de novas compras da soja americana para a próxima temporada, o mercado aguarda confirmações oficiais, já que o Brasil continua oferecendo produto competitivo no mercado internacional.
Mercado brasileiro acompanha Chicago e registra altas
No Brasil, a combinação entre a valorização dos contratos futuros e um dólar negociado próximo de R$ 5,21 deu sustentação aos preços da soja nas principais regiões produtoras.
No Rio Grande do Sul, a saca disponível no porto de Rio Grande alcançou R$ 136, enquanto em Ijuí as indicações chegaram a R$ 130 por saca. A safra gaúcha foi concluída com produtividade média de 2.707 quilos por hectare, resultado cerca de 14,8% inferior à estimativa inicial devido às adversidades climáticas registradas durante o ciclo.
Em Santa Catarina, São Francisco do Sul apresentou negócios ao redor de R$ 131 por saca, mantendo um cenário considerado equilibrado para armazenagem.
No Paraná, o porto de Paranaguá também registrou cotações próximas de R$ 136 por saca. O estado caminha para consolidar uma produção recorde de aproximadamente 21,8 milhões de toneladas, elevando os desafios relacionados à capacidade de armazenagem e à logística de escoamento.
No Centro-Oeste, as cotações permaneceram firmes. Em Mato Grosso do Sul, praças como Dourados, Campo Grande e Maracaju registraram negócios próximos de R$ 115 por saca. Já em Mato Grosso, Sorriso negociou ao redor de R$ 115, enquanto Rondonópolis atingiu R$ 120 por saca.
Custos de produção seguem em alta para a próxima safra
Além do comportamento dos preços, os produtores acompanham o avanço dos custos de produção para a temporada 2026/27. Em Mato Grosso, os levantamentos indicam aumento médio de 3,21% nos custos operacionais.
Entre os principais fatores estão a elevação de mais de 20% no preço das sementes de maior tecnologia e o reajuste próximo de 6% nos fertilizantes, refletindo o encarecimento dos insumos agrícolas e a volatilidade do mercado internacional.
Perspectivas para o mercado da soja
O mercado da soja inicia os próximos pregões atento a três fatores principais: a evolução do clima nos Estados Unidos, o comportamento da demanda chinesa e o desempenho das exportações americanas. No Brasil, o câmbio continuará sendo um importante componente para a formação dos preços internos.
Enquanto Chicago permanece sensível às previsões meteorológicas e aos fundamentos globais, o produtor brasileiro acompanha oportunidades de comercialização em um ambiente que ainda apresenta boa sustentação para as cotações, principalmente nos portos de exportação.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Safra de laranja 2026/27 começa com preços abaixo de 2025, apesar da menor produção
A safra brasileira de citros 2026/27 começou com um cenário diferente do observado no ano passado. Mesmo diante da expectativa de uma produção menor, os primeiros preços negociados para a laranja estão abaixo dos registrados no início da temporada 2025/26, refletindo um mercado menos aquecido e uma postura mais cautelosa da indústria de processamento.
De acordo com levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o início da nova safra tem sido marcado por menor urgência das processadoras em adquirir matéria-prima, diferentemente do que ocorreu em julho de 2025, quando os baixos estoques de suco impulsionaram a disputa pela fruta e sustentaram as cotações em níveis historicamente elevados.
Indústrias reduzem ritmo de compra
Segundo os pesquisadores do Cepea, a dinâmica de comercialização mudou significativamente entre uma safra e outra. No ciclo anterior, a oferta limitada e a necessidade de recompor estoques fizeram com que as indústrias antecipassem negociações, elevando os preços pagos aos produtores.
Neste ano, porém, o mercado iniciou a temporada de forma mais equilibrada, sem a mesma pressão compradora. Como resultado, as primeiras referências de preços ficaram abaixo das observadas no mesmo período de 2025, mesmo com a perspectiva de menor disponibilidade de fruta.
Primeiras negociações envolvem frutas precoces
O Cepea destaca que as cotações registradas neste início de julho ainda refletem principalmente contratos fechados anteriormente para frutas precoces e de meia-estação, além de negociações pontuais realizadas no mercado spot.
Por esse motivo, os preços atuais ainda não representam completamente o comportamento da safra 2026/27, uma vez que o volume de fruta disponível segue limitado neste começo de colheita.
Mercado deve ganhar novas referências nas próximas semanas
A expectativa é que o avanço da segunda florada e o aumento gradual do processamento industrial proporcionem um volume maior de negociações, permitindo a formação de referências de preços mais consistentes para a temporada.
Com a entrada de uma oferta mais ampla e a intensificação das atividades das indústrias, produtores e compradores terão maior clareza sobre o equilíbrio entre oferta e demanda, fator que deverá definir o comportamento das cotações ao longo dos próximos meses.
Enquanto isso, o setor acompanha atentamente a evolução da safra, o ritmo de processamento e o mercado internacional de suco de laranja, elementos que continuarão influenciando a formação dos preços da fruta no Brasil durante a temporada 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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