Brasil
Governo do Brasil lança chamada pública para reconhecer povos e comunidades tradicionais que conservam a floresta na Amazônia
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) lançou uma nova chamada pública para pagamento por serviços ambientais (PSA) voltada a povos e comunidades tradicionais que desenvolvem atividades de uso sustentável dos recursos naturais em Reservas Extrativistas (Resex) da Amazônia, no âmbito do Projeto Floresta+ Amazônia. A iniciativa reconhecerá os serviços ambientais prestados por mais de 1.100 famílias nos estados do Amazonas e de Rondônia, com repasses de até R$ 8 mil por família.
O apoio financeiro será dividido em duas parcelas anuais em reconhecimento ao empenho em manter a floresta viva. A chamada pública prevê atender cinco reservas extrativistas: Arapixi, Lago do Capanã-Grande e Rio Ituxi no Amazonas; Rio Cautário e Rio Ouro Preto, em Rondônia. O Projeto Floresta+ Amazônia é coordenado pelo MMA implementado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com recursos do Fundo Verde para o Clima (GCF). Nesta chamada pública, o Projeto Floresta+ Amazônia estabeleceu uma parceria com o ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, órgão gestor desses territórios.
“Apoiar comunidades tradicionais que historicamente foram invisibilizadas pelos políticos e pelas políticas públicas é um avanço fundamental para garantir a manutenção das florestas. Sem essas comunidades já teríamos perdido milhões de hectares de florestas na Amazônia. Os ribeirinhos, extrativistas, castanheiros, seringueiros, pescadores tradicionais, quilombolas dentre tantas outras comunidades tradicionais além dos povos indígenas são a garantia de que as florestas permanecerão em pé e vivas, se de fato oferecermos condições de prosperidade a eles”, declarou o secretário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, André Lima.
As unidades de conservação selecionadas nesta Chamada Pública mantêm, no mínimo, 90% de seus territórios com cobertura de vegetação nativa. Ao mesmo tempo, estão entre as reservas extrativistas que, considerando um entorno de 100 km, registraram as maiores quantidades de alertas de desmatamento nos últimos cinco anos, o que reforça a importância dessas Resex como barreira ao avanço do desmatamento. Nesse contexto, o pagamento por serviços ambientais é um incentivo fundamental para fortalecer a proteção da floresta e reconhecer o serviço ambiental de proteção da floresta prestado pelas pessoas que vivem nesses territórios.
“As famílias que vivem nas reservas extrativistas são parceiras estratégicas da conservação. Elas mantêm a floresta em pé por meio do uso sustentável dos recursos naturais e de conhecimentos construídos ao longo de gerações. Assim, esta iniciativa representa um avanço importante porque transforma em política pública o reconhecimento de que conservar a Amazônia depende de fortalecer as populações que historicamente protegem esses territórios”, explica o presidente do ICMBio, Mauro Pires.
As unidades de conservação participantes foram escolhidas também por outros critérios, como possuírem uma relação atualizada das famílias que vivem no território e Plano de Manejo válido, além de terem celebrado o Contrato de Concessão de Direito Real de Uso (CCDRU) entre o ICMBio e a associação local.
A participação das famílias é voluntária e obedece a critérios como cumprir o plano de manejo e não ter pendências ambientais. As inscrições podem ser realizadas pelas famílias com cadastro validado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na RESEX elegível, a partir de 1º de setembro de 2026. O processo de inscrição ocorrerá, principalmente, por meio de mutirões nos territórios elegíveis realizados pelas equipes do MMA, ICMBio e PNUD até 31 de março de 2027.
Uma vez aprovada a inscrição, a família recebe o primeiro pagamento de R$ 4 mil. O recebimento do segundo repasse financeiro é condicionado aos resultados do monitoramento de desmatamento na unidade de conservação, avaliado com base nos dados oficiais do sistema do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Brasileira por Satélite (Prodes).
“Esta chamada pública de PSA apoiada pelo Projeto Floresta+ Amazônia representa mais um avanço do projeto, ao valorizar o papel das comunidades na conservação da biodiversidade e na manutenção dos serviços ecossistêmicos; o pagamento por esses serviços prestados pelas comunidades é uma remuneração justa pelo cuidado que desempenham para manter a floresta viva”, comemora a coordenadora do Projeto Floresta+ Amazônia pelo PNUD, Regina Cavini.
Para mais informações, acesse o edital aqui
Informações Gerais – PSA RESEX
Período de inscrição: 1º de setembro de 2026 a 31 de março de 2027
Valores e pagamento
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R$ 8.000,00, divididos em duas parcelas anuais de R$ 4.000,00;
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A liberação da segunda parcela é condicionada à manutenção das práticas ambientais.
RESEX participantes
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Amazonas: RESEX Arapixi, RESEX Lago do Capanã-Grande e RESEX Rio Ituxi;
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Rondônia: RESEX do Rio Cautário e RESEX Rio Ouro Preto.
Elegibilidade das famílias
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Adesão voluntária com assinatura de Termo de Adesão da chamada pública;
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Anuência positiva no processo de CLPI – Consentimento Livre, Prévio e Informado;
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CPF deve constar, conforme informações prestadas pelo ICMBio, na relação de famílias validada ou homologada em uma das Resex elegíveis;
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Comprometimento da família com as responsabilidades firmadas no CCDRU celebrado com o ICMBio e do Plano de Manejo;
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Inexistência de embargo ambiental ativo ou infrações ambientais, registradas em sistemas do Ibama ou ICMBio, vinculadas ao CPF do Provedor de serviços ambientais;
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Inexistência de pendências relativas a Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) ou Termos de Compromisso Ambiental firmados com órgãos ambientais federais.
Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
[email protected]
(61) 2028-1227/1051
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Brasil
OMS e Unicef destacam avanço do Brasil em vacinação
Dados divulgados nesta terça-feira (15) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostram que o Brasil reduziu de forma expressiva o número crianças zero-dose, aquelas que não receberam a primeira dose da vacina com componente DTP — representada no Brasil pela pentavalente, que protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b (Hib), bactéria responsável por doenças graves, como meningite e pneumonia. Com isso, o país deixou de integrar a lista dos 20 países com o maior número dessas crianças e registrou um dos maiores avanços mundiais na recuperação da cobertura vacinal infantil.
De acordo com as Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional (WUENIC), o número de crianças zero-dose no Brasil caiu de 360 mil, em 2023, para 255 mil em 2024, alcançando 50 mil em 2025. O resultado representa uma redução de aproximadamente 86% em relação ao ano anterior e de quase 90% na comparação com 2023.
Segundo as estimativas, o Brasil vem melhorando a cobertura vacinal ano após ano, ao mesmo tempo em que reduz o número de crianças zero-dose. As organizações atribuem esse resultado ao aumento da cobertura vacinal e aos aprimoramentos no sistema público de registro e divulgação das informações sobre imunização, tornando os dados mais precisos e completos.
O avanço reflete o fortalecimento das ações de imunização desenvolvidas pelo Ministério da Saúde em parceria com estados e municípios. Entre as estratégias adotadas estão a retoma intensificação das campanhas de vacinação, com a retomada dos dias de mobilização, a busca ativa de crianças com esquemas vacinais incompletos, a ampliação da vacinação em escolas, o fortalecimento da rede de salas de vacina, a melhoria dos sistemas de informação do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e o monitoramento contínuo das coberturas vacinais em todo o território nacional.
Cenário internacional
Os resultados brasileiros ocorrem em um contexto em que a recuperação da vacinação infantil ainda avança lentamente em nível mundial. Os dados da WUENIC apontam que, aproximadamente 116 milhões de crianças, o equivalente a 90% dos bebês nascidos em 2025, receberam ao menos uma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP). Já 110 milhões (85%) completaram o esquema de três doses. Apesar da melhora em relação ao ano anterior, a cobertura global permanece abaixo dos níveis registrados antes da pandemia de Covid-19.
O relatório estima que 13,5 milhões de crianças permaneceram sem receber a primeira dose da vacina contendo DTP em 2025, indicador utilizado internacionalmente para monitorar crianças zero-dose. Outros 7,3 milhões iniciaram o calendário vacinal, mas não concluíram o esquema recomendado. Como consequência, 57 países registraram surtos importantes de sarampo ao longo do último ano.
Entre os 195 países avaliados, apenas 30 conseguiram ampliar suas coberturas vacinais desde 2019, enquanto 65 permaneceram estagnados ou apresentaram retrocessos. O Brasil está entre os 17 países que registraram aumento superior a cinco pontos percentuais na cobertura da primeira dose da vacina contendo DTP entre 2019 e 2025 e apresentou o segundo maior crescimento no período, de 19 pontos percentuais, atrás apenas da Líbia.
Destaque nas Américas
Na Região das Américas, o Brasil apresentou desempenho superior ao observado em diversos países. Enquanto algumas nações registraram queda na cobertura da primeira dose da vacina DTP entre 2024 e 2025, o Brasil manteve a tendência de recuperação da vacinação infantil e reduziu significativamente o número de crianças zero-dose.
Em números absolutos, México (218 mil), Venezuela (185 mil), Argentina (101 mil) e Bolívia (89 mil) concentram atualmente os maiores contingentes de crianças zero-dose na região. O Brasil reduziu esse número para cerca de 50 mil crianças, resultado que reforça o processo de recuperação das coberturas vacinais no país.
As estimativas da OMS e do Unicef são elaboradas anualmente com base nos dados reportados pelos países e constituem a principal referência internacional para o acompanhamento da cobertura vacinal. As organizações ressaltam que o fortalecimento dos programas nacionais de imunização, dos sistemas de informação e das estratégias voltadas à ampliação do acesso às vacinas é fundamental para prevenir surtos de doenças imunopreveníveis e garantir a proteção da população infantil.
Vanessa Aquino e João Vitor Moura
Ministério da saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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