Brasil
Portarias consolidam programas prioritários e ampliam política de prevenção às drogas
As normas consolidam iniciativas anunciadas durante a Semana Nacional de Políticas sobre Drogas, realizada entre 22 e 26 de junho pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), e fortalecem uma política baseada na prevenção ampliada, na articulação entre diferentes áreas do Estado e na promoção de oportunidades para populações em situação de vulnerabilidade.
Portarias consolidam programas prioritários
A Portaria MJSP nº 1.244 (LINK) estabelece o novo marco dos projetos do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci).
A norma organiza dez iniciativas da política de segurança pública com cidadania, entre elas Município Mais Seguro, Jovens Defensores Populares, Pronasci Juventude, Programa Cria — Prevenção e Cidadania, Alvorada, Escritório Social, Mães por Direitos, Centros Comunitários pela Vida (Convive), Rede de Centros de Acesso a Direitos e Inclusão Social (Rede Cais) e Bolsa-Formação. Também define competências, objetivos e diretrizes para cada projeto, fortalece a atuação integrada entre a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad) e a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), além de ampliar a cooperação com estados, Distrito Federal e municípios.
Entre as iniciativas estruturadas pela norma, três ficam sob coordenação da Senad: o Pronasci Juventude, voltado à prevenção do aliciamento de adolescentes e jovens pelo crime organizado; o Cria, direcionado à prevenção do uso problemático de substâncias psicoativas entre crianças, adolescentes e famílias; e o Cais, destinado à promoção do acesso a direitos, à inclusão social e à redução de vulnerabilidades em territórios marcados pela violência.
Outra medida publicada é a Portaria MJSP nº 1.245, que estabelece diretrizes nacionais para implantação e funcionamento dos Cais. A medida define objetivos, princípios e estratégias para orientar a atuação conjunta da União, estados, Distrito Federal, municípios, universidades, institutos federais e organizações da sociedade civil. Os centros atuarão na promoção do acesso à Justiça, à assistência social, à saúde e à educação, priorizando pessoas em situação de vulnerabilidade. A portaria reforça que os Cais têm como foco a promoção de direitos e da inclusão social, sem caráter de acolhimento institucional.
Já a Portaria Senad nº 126 transforma o Pronasci Juventude em política pública permanente no âmbito do Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas (Sisnad). O regulamento estabelece objetivos, diretrizes, critérios de implementação, público beneficiário e mecanismos de governança do programa, além de criar o Comitê Gestor do Pronasci Juventude, responsável por acompanhar a execução, definir prioridades e monitorar resultados.
“As portarias consolidam uma política sobre drogas baseada em evidências, prevenção e promoção de direitos. Elas dão segurança jurídica para ampliar iniciativas que já demonstram resultados nos territórios e fortalecem a atuação integrada entre União, estados, municípios e sociedade civil”, afirma a secretária Marta Machado.
O programa será destinado a jovens de 15 a 24 anos em situação de vulnerabilidade sociorracial agravada, especialmente aqueles expostos ao aliciamento pelo crime organizado, à evasão escolar, ao cumprimento de medidas socioeducativas, à violência doméstica, à situação de rua e a outras formas de exclusão social. Entre seus objetivos estão prevenir o recrutamento pelo tráfico de drogas, ampliar oportunidades de qualificação profissional e fortalecer redes de proteção social nos territórios mais vulneráveis.
Com a publicação da norma, o Governo Federal fortalece a estrutura normativa das ações de prevenção ampliada, inclusão social e promoção de direitos, conferindo maior estabilidade aos programas e ampliando a articulação entre políticas públicas voltadas aos territórios mais vulneráveis.
Brasil
Presidente Lula assina Medida Provisória que proíbe as bets no Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou nesta sexta-feira, 25 de setembro, Medida Provisória que acaba com a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, em ambientes físicos e virtuais, e se aplica também às concessões e autorizações estaduais e distritais. A proibição não abrange as demais modalidades lotéricas já autorizadas em lei.
PROIBIÇÃO DAS BETS
Com a Medida Provisória, as bets até então autorizadas não poderão oferecer apostas nem fazer qualquer tipo de publicidade no país. As empresas têm até 5/10 para retirar material publicitário e de patrocínio veiculado em meios físicos e em peças de publicidade exterior.
Confira o cronograma das medidas:
- Hoje (25/9): publicação da MP; início da proibição de novos aportes nas plataformas.
- Até 5/10 (segunda-feira), 23h59: prazo para retirada voluntária dos valores pelos apostadores.
- A partir de 6/10 (terça-feira): os sites e aplicativos de apostas saem do ar.
- Entre os dias 7 e 8/10: as bets devem informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, discriminados por CPF.
- De 9 a 14/10: prazo para devolução dos saldos aos apostadores pelos bancos.
- A partir de 14/10: havendo obstáculo que impeça os bancos de devolver os valores, a Caixa Econômica Federal recebe os recursos e providencia a devolução aos apostadores.
INTERESSE PÚBLICO
A extinção das autorizações decorre de motivo de interesse público e não gera direito a indenização por lucros cessantes, por investimentos realizados ou por expectativa de continuidade da atividade, tampouco à devolução total ou parcial do valor pago pelas outorgas. Até o momento, foram concedidas 85 outorgas para exploração de apostas de quota fixa no país, cada uma no valor de R$ 30 milhões, totalizando R$ 2,55 bilhões pagos pelas empresas durante o processo de concessão.
FISCALIZAÇÃO E COMBATE AO MERCADO ILEGAL
O Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça atuarão para o bloqueio de sites ilegais. O Ministério da Fazenda conta com um laboratório virtual dedicado à identificação e ao bloqueio mais rápido de plataformas irregulares. Após a identificação dos sites, a SPA comunica a Anatel para obloqueio dos domínios, com medidas que incluem também a remoção de aplicativos e a restrição dos meios de pagamento utilizados por operadores ilegais.
A MP cria ainda o Comitê Institucional de Fiscalização e Combate à Exploração Ilegal de Apostas, coordenado pela Casa Civil, para promover a articulação e a coordenação das ações das autoridades competentes para a prevenção, a fiscalização e a repressão à oferta, a exploração e a publicidade das bets.
As sanções aplicáveis a pessoas físicas e jurídicas que descumprirem as determinações vão de advertência a multas que podem chegar a R$ 2 bilhões, além de suspensão parcial ou total das atividades, no caso das pessoas jurídicas.
PROJETO DE LEI TIPIFICA CRIMES
Além da Medida Provisória, o governo elaborou Projeto de Lei para definir conceitos e tipificar crimes relativos às apostas de quota fixa. A proposta tipifica cinco condutas:
- exploração de apostas de quota fixa, ainda que autorizado por autoridade estrangeira (reclusão de 4 a 6 anos);
- divulgação de apostas de quota fixa ou captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa);
- uso de dados pessoais para captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento de pena se os dados envolverem histórico de apostas, saúde ou forem de criança ou adolescente);
- facilitação financeira da exploração de apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa); e
- fornecimento de aplicação de internet para apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento se a aplicação burlar verificação de idade ou
- localização, ou for dirigida a criança ou adolescente).
SAÚDE PÚBLICA
As apostas online passaram a representar uma nova e crescente demanda de saúde pública. O problema vai além da perda financeira: o transtorno do jogo está associado a ansiedade, depressão, perda de controle, alterações no sono e no humor, conflitos familiares, isolamento, prejuízos às relações pessoais e profissionais e maior uso de álcool e outras drogas.
“Há dados que expressam o tamanho do problema, mas certamente não conseguem traduzir todo o sofrimento que aparece quando ouvimos os relatos de pacientes, profissionais de saúde e familiares. Estamos falando de algo que vai muito além de uma atividade econômica: entra nas casas das pessoas, nas escolas e nos celulares, e afeta não apenas quem desenvolve um comportamento compulsivo, mas também os familiares que estão ao seu redor. Nós temos o autoteste disponível no Meu SUS Digital para que cada pessoa possa avaliar o impacto das apostas na própria vida”, ressaltou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A dificuldade financeira é o principal fator associado ao suicídio entre apostadores.
O risco de desenvolver dependência é três vezes maior entre pessoas socioeconomicamente vulneráveis e 150% maior entre jogadores online. Em 2023, mais de 28 milhões de brasileiros haviam apostado nos 12 meses anteriores à pesquisa, e 10,9 milhões apresentavam padrão de jogo de risco ou problemático.
Os efeitos já aparecem na demanda pelo SUS. Entre 2018 e 2025, os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas cresceram cerca de 140%, e aprojeção é de aumento de mais 104% até 2028. Estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estima em R$ 38,8 bilhões anuais o custo social associado aos jogos, dos quais R$ 30,6 bilhões — quase 79% — estão ligados à saúde, incluindo suicídios, perda de qualidade de vida associada à depressão e tratamentos médicos.
A exposição começa cedo e também afeta familiares. Pesquisa em escolas públicas e privadas mostrou que 20,4% dos estudantes já apostaram online; o contato pode começar aos 11 anos e, entre os meninos do 3º ano do Ensino Médio, a proporção chega a 49,7%.
Entre as mulheres que apostam ou já apostaram, 65% disseram não ter procurado ajuda por vergonha; entre as que não apostam, 12% relatam impactos decorrentes do jogo de familiares.
Fonte: Ministério da Saúde
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