Agro
Preços do algodão ficam estáveis a mais fracos no Brasil com recuo da demanda e baixa liquidez
Os preços do algodão no Brasil apresentaram comportamento de estabilidade a leve queda ao longo da semana, refletindo o enfraquecimento da demanda interna e a postura mais cautelosa dos compradores. Segundo a Safras Consultoria, o mercado operou com baixa liquidez, em um cenário de negociação mais pontual e ritmo reduzido de aquisições.
O movimento foi marcado por compradores atuando “da mão para boca”, ou seja, adquirindo volumes apenas conforme necessidade imediata, enquanto vendedores adotaram postura defensiva, o que contribuiu para limitar os negócios no mercado doméstico.
Algodão mantém preços praticamente estáveis em São Paulo e Mato Grosso
Na praça de São Paulo, o algodão posto CIF registrou valor próximo de R$ 4,14 por libra-peso na quinta-feira (18), praticamente estável em relação à semana anterior.
Já em Rondonópolis (MT), referência importante do mercado físico, a pluma foi negociada a R$ 131,14 por arroba, equivalente a cerca de R$ 3,97 por libra-peso. Na comparação semanal, houve leve recuo de 0,22%, frente aos R$ 131,43 por arroba registrados anteriormente.
O cenário reforça a tendência de estabilidade com viés de baixa, influenciado pela menor intensidade das compras e pela postura defensiva dos agentes de mercado.
Custos do algodão em Mato Grosso recuam levemente, mas seguem em patamar elevado, aponta Imea
Produção da safra 2026/27 mantém pressão sobre margens, enquanto exportações brasileiras avançam mais de 70% em volume diário
Os custos de produção do algodão em Mato Grosso registraram leve queda em maio, segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O custo total foi estimado em R$ 18.881,00 por hectare, abaixo dos R$ 18.962,50 por hectare observados em abril, considerando a safra 2026/27.
Apesar da redução pontual, o patamar de custos permanece elevado, mantendo pressão sobre a rentabilidade dos produtores em um cenário de preços internacionais ainda voláteis.
Exportações de algodão crescem 74% em relação ao ano passado
As exportações brasileiras de algodão seguem em ritmo forte em junho. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o país embarcou 104,327 mil toneladas nos primeiros nove dias úteis do mês, com média diária de 11,591 mil toneladas.
A receita acumulada no período foi de US$ 167,319 milhões, com média diária de US$ 18,591 milhões.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, o desempenho mostra crescimento expressivo: alta de 74,6% no volume diário exportado e avanço de 74,1% na receita diária, reforçando a competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional.
Mercado do algodão segue dividido entre pressão interna e demanda externa
Enquanto o mercado doméstico enfrenta baixa liquidez e preços pressionados, o cenário externo segue favorável, sustentando parte da demanda pela fibra brasileira. O equilíbrio entre custos elevados, consumo interno mais lento e forte desempenho das exportações deve continuar influenciando a formação de preços nas próximas semanas.
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Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Crédito rural para a agricultura empresarial soma R$ 65,7 bilhões nos dois primeiros meses da safra 2026/2027
Nos dois primeiros meses da safra 2026/2027, de julho a agosto de 2026, os produtores rurais enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e os Demais Produtores Rurais contrataram R$ 65,7 bilhões em operações de crédito rural.
Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com base em informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central do Brasil.
As Cédulas de Produto Rural (CPRs), títulos que permitem ao produtor obter recursos mediante o compromisso de entrega futura de produtos agropecuários, responderam por R$ 32,4 bilhões do total contratado no bimestre, o equivalente a 49,2% das operações. O volume ficou acima do registrado nas operações de custeio convencional, que somaram R$ 23 bilhões, ou 34,9% do total.
Do total destinado ao custeio da produção, os demais produtores empresariais responderam por R$ 12 bilhões, equivalentes a 52,2% do custeio contratado. Os produtores enquadrados no Pronamp contrataram R$ 11 bilhões, correspondentes a 47,8%.
Para a comercialização da produção agropecuária, foram contratados R$ 4 bilhões em crédito no período. Já as operações destinadas à industrialização somaram R$ 2,9 bilhões. Em ambos os casos, os recursos ficaram concentrados entre médios e grandes produtores.
As operações de investimento, destinadas à aquisição de máquinas e equipamentos, irrigação e modernização de estruturas produtivas, somaram R$ 3,5 bilhões no bimestre. Entre os programas específicos, o Pronamp Investimento registrou R$ 428 milhões em contratações, enquanto o RenovAgro somou R$ 413 milhões.
SEGMENTAÇÃO POR PORTE DO PRODUTOR
Na análise por segmento, os demais produtores rurais, fora do Pronamp, responderam por R$ 22 bilhões, equivalentes a 33,5% do total concedido no período. O Pronamp registrou R$ 11,4 bilhões em concessões, o equivalente a 17,3% do total.
Ao todo, a agricultura empresarial registrou 70.657 contratos de crédito rural no bimestre. Desse total, 23.478 foram operações de CPRs, que representaram parcela significativa das contratações realizadas nos dois primeiros meses da safra.
Entre as regiões do país, o Sul concentrou o maior número de contratos, com 22.631 operações, e registrou R$ 11,7 bilhões em crédito. Na sequência aparecem o Sudeste, com R$ 9,6 bilhões, e o Centro-Oeste, com R$ 7,2 bilhões. O Nordeste e o Norte registraram, respectivamente, R$ 3,2 bilhões e R$ 1,7 bilhão em concessões no bimestre.
O levantamento também mostra diferenças no valor médio das operações entre as regiões. O Nordeste apresentou o maior valor médio por contrato, de R$ 1,05 milhão, seguido pelo Centro-Oeste, com R$ 1,03 milhão. O Sul, apesar de registrar o maior número de contratos e o maior volume de crédito entre as regiões, apresentou o menor valor médio, de R$ 516,5 mil.
FONTES DE RECURSOS
Entre as fontes de recursos utilizadas no financiamento do crédito rural, os Recursos Obrigatórios (parcela dos depósitos à vista que as instituições financeiras devem destinar ao crédito rural) foram a principal fonte controlada no período, com R$ 9,9 bilhões, equivalentes a 41% do total de fontes controladas.
A Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) na modalidade controlada somou R$ 6,7 bilhões, correspondentes a 28% das fontes controladas.
Entre as fontes não controladas, formadas por recursos captados livremente pelas instituições financeiras no mercado, a LCA Livre foi a principal, com R$ 7,6 bilhões destinados ao crédito rural.
RECURSOS EQUALIZÁVEIS
A programação orçamentária de recursos equalizáveis para a safra 2026/2027 totaliza R$ 97,6 bilhões, conforme a Portaria MF nº 2.170, de 22 de julho de 2026. Esses recursos são destinados a linhas de crédito com taxas de juros controladas pelo Governo Federal, com a equalização da diferença em relação às taxas de mercado.
Nos dois primeiros meses da safra, foram concedidos R$ 10,9 bilhões em recursos equalizáveis.
Entre os programas de investimento com recursos equalizáveis, o RenovAgro registrou o maior volume de contratações no período, com R$ 412,9 milhões, seguido pelo Pronamp, com R$ 380,3 milhões, e pelo Moderfrota, com R$ 250,2 milhões.
Nas operações equalizáveis de investimento, Banco do Brasil e BNDES concentraram, juntos, cerca de 77% das concessões do período, com participações de 39,8% e 36,8%, respectivamente.
Nas linhas equalizáveis de custeio e comercialização, o Banco do Brasil respondeu por 45,6% das concessões, seguido pelo Sicredi, com 16,7%, e pela Cresol, com 12,9%.
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