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Bolsas globais oscilam após decisões de juros; Selic a 14,25% e commodities pressionam mercados e ações do agro

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Os mercados financeiros globais operam em clima de cautela nesta quinta-feira (18), após as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. Enquanto o Banco Central brasileiro reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano, o Federal Reserve (Fed) manteve os juros norte-americanos inalterados, reforçando o discurso de vigilância sobre a inflação.

No Brasil, o Ibovespa Futuro abriu em leve baixa, refletindo ajustes dos investidores após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). O dólar comercial voltou a operar acima de R$ 5,14, em meio às preocupações com o cenário internacional e as perspectivas para a inflação global.

Selic cai para 14,25% e mercado avalia próximos passos

O Banco Central promoveu o terceiro corte consecutivo de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, levando a Selic para 14,25% ao ano. Apesar do movimento de flexibilização monetária, a autoridade monetária sinalizou cautela diante da persistência de riscos inflacionários e das incertezas externas.

Analistas avaliam que futuras reduções dependerão do comportamento da inflação, da atividade econômica e do ambiente internacional, especialmente das decisões do Fed e das oscilações dos preços das commodities.

Bolsas internacionais têm desempenho misto

Nos Estados Unidos, os índices futuros de Wall Street registravam alta moderada, sustentados pelo alívio geopolítico no Oriente Médio e pela expectativa de estabilidade econômica após a reunião do Fed.

Na Europa, o cenário foi mais cauteloso. O índice DAX, da Alemanha, operava próximo da estabilidade, enquanto CAC 40, da França, e FTSE 100, do Reino Unido, registravam leves perdas.

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Na Ásia, o fechamento foi misto. O destaque positivo ficou para Japão e Coreia do Sul, com ganhos expressivos dos índices Nikkei e Kospi. Em contrapartida, Hong Kong recuou fortemente, pressionada pelas expectativas de juros mais elevados nos Estados Unidos.

Fechamento dos principais índices asiáticos
  • Nikkei (Japão): +1,65%
  • Kospi (Coreia do Sul): +2,25%
  • Taiex (Taiwan): +1,28%
  • Straits Times (Singapura): +0,70%
  • CSI300 (China): +0,21%
  • SSEC (Xangai): -0,43%
  • Hang Seng (Hong Kong): -1,59%
  • S&P/ASX 200 (Austrália): -0,62%
Tecnologia lidera ganhos na China

As ações de tecnologia chinesas foram destaque positivo após a Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China anunciar medidas de incentivo à inovação e ao financiamento de empresas de setores considerados estratégicos.

Entre os segmentos priorizados estão inteligência artificial, computação quântica, fusão nuclear e interfaces cérebro-computador. O anúncio impulsionou principalmente as empresas listadas nos mercados voltados à inovação tecnológica.

O índice STAR 50, referência para empresas de tecnologia na China, avançou quase 4%, alcançando novo recorde de fechamento. O movimento reforça o interesse do governo chinês em acelerar investimentos em tecnologias de próxima geração.

Petróleo recua e pressiona ações ligadas a commodities

Outro fator relevante para os mercados foi a queda dos preços internacionais do petróleo após avanços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã. A redução das tensões geopolíticas diminuiu o prêmio de risco incorporado à commodity.

No Brasil, o movimento tende a pressionar ações do setor petrolífero, como Petrobras e Prio. Já o minério de ferro apresentou viés de baixa nos mercados asiáticos, o que pode limitar o desempenho de empresas exportadoras ligadas ao setor mineral.

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Para o agronegócio, a trajetória das commodities energéticas segue sendo um dos principais fatores de influência sobre custos de produção, logística, fertilizantes e margens de exportação.

Mercado corporativo movimenta a Bolsa brasileira

Entre os destaques corporativos do dia estão:

  • Aprovação de dividendos e juros sobre capital próprio por grandes companhias brasileiras;
  • Novo programa de recompra de ações da Ultrapar;
  • Aprovação, pelo Cade, da aquisição do controle da Brava Energia pela Ecopetrol;
  • Expectativas sobre os próximos balanços corporativos e seus impactos sobre o desempenho do Ibovespa.
Perspectivas para o agronegócio

O cenário atual combina fatores positivos e desafios para o setor agropecuário. A redução da Selic tende a favorecer o crédito e os investimentos produtivos, enquanto a valorização do dólar continua beneficiando exportadores brasileiros.

Por outro lado, as oscilações nas commodities globais, a política monetária norte-americana e o comportamento da economia chinesa permanecem no radar dos produtores, cooperativas e empresas ligadas ao agronegócio.

Nos próximos dias, investidores acompanharão atentamente os desdobramentos da política monetária global, a evolução dos preços de petróleo e minério de ferro e os indicadores econômicos da China e dos Estados Unidos, que continuam sendo determinantes para os mercados e para o desempenho das commodities agrícolas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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“Etanolduto” de R$ 22 bilhões pode reduzir custos logísticos em 20%

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Um projeto de R$ 22 bilhões prevê a construção de dois dutos entre Sinop, em Mato Grosso, e Paulínia, em São Paulo, para transportar etanol ao Sudeste e levar derivados de petróleo no sentido contrário. A estrutura poderá ampliar o mercado para o milho produzido no Centro-Oeste, reduzir custos logísticos e retirar das rodovias cerca de 225 mil viagens de caminhão por ano.

A estrutura poderá ampliar o mercado para o milho produzido no Centro-Oeste, reduzir a dependência do transporte rodoviário e dar maior previsibilidade ao escoamento do etanol. Segundo a empresa, o sistema poderá retirar das estradas cerca de 225 mil viagens de caminhão por ano, mas a economia prevista com o frete ainda não foi divulgada.

Denominado Projeto Pascal, o empreendimento está sendo estruturado pela Inpasa e foi apresentado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para o início do licenciamento ambiental federal. A iniciativa ainda depende dos estudos ambientais, das autorizações e da definição do cronograma de implantação.

Os dois dutos serão instalados lado a lado em um corredor de aproximadamente 2,1 mil quilômetros. Uma das estruturas terá capacidade para levar 13,3 bilhões de litros de etanol por ano do Centro-Oeste até Paulínia, principal polo de distribuição de combustíveis do País.

A partir do interior paulista, o produto poderá ser distribuído para grandes centros consumidores e, posteriormente, encaminhado ao Porto de Santos. Essa conexão criaria uma alternativa para as usinas instaladas longe dos mercados de maior consumo e das estruturas de exportação.

O segundo duto será utilizado no sentido inverso. A capacidade projetada é de 6,6 bilhões de litros de derivados de petróleo por ano, transportados de Paulínia para Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A operação aproveitaria a mesma estrutura para atender duas necessidades logísticas da região.

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O Centro-Oeste ampliou rapidamente a produção de etanol de milho, mas continua dependente dos caminhões para movimentar grande parte do combustível. Em alguns casos, as usinas estão localizadas a até 1,7 mil quilômetros dos principais centros consumidores.

Segundo os dados apresentados no projeto, 15 usinas de etanol de milho foram construídas na região nos últimos cinco anos. Nesse período, a produção regional de etanol, incluindo diferentes matérias-primas, passou de 11,3 bilhões para 16,2 bilhões de litros e já representa quase metade do volume produzido no Brasil.

Para o agricultor, o avanço dessa indústria significa a consolidação de um comprador permanente de milho próximo às áreas produtoras. Diferentemente das exportações, que dependem da movimentação até os portos, as usinas recebem o cereal durante todo o ano e transformam a produção em etanol, óleo, farelos proteicos e energia.

Uma rota de grande capacidade para escoar o combustível pode dar suporte à instalação de novas unidades e à ampliação das fábricas existentes. Isso tende a fortalecer a demanda regional por milho e sorgo, ampliar as alternativas de comercialização e reduzir a dependência de poucos destinos. O efeito sobre os preços recebidos pelo produtor, entretanto, dependerá da capacidade efetivamente instalada, da concorrência entre compradores e do ritmo de execução do projeto.

A redução do transporte de etanol por rodovia também poderá liberar caminhões para outras atividades do agronegócio, principalmente durante os períodos de colheita. As 225 mil viagens que poderão ser retiradas das estradas por ano representam uma média superior a 600 deslocamentos por dia.

Parte dos veículos poderá ser direcionada ao transporte de grãos entre propriedades, armazéns, usinas, ferrovias e portos. A mudança não elimina a participação dos caminhões, que continuarão necessários nas etapas entre as lavouras, as indústrias e os terminais, mas reduz os percursos mais longos destinados ao transporte de combustíveis.

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A estimativa da empresa é que a substituição de parte do modal rodoviário evite a emissão de aproximadamente 500 mil toneladas de carbono por ano quando os dutos estiverem operando em sua capacidade nominal. A projeção ainda dependerá do volume efetivamente transportado e da configuração definitiva do sistema.

O traçado deverá acompanhar a BR-163 entre Sinop e Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. A partir desse ponto, os dutos seguirão em grande parte pela faixa de servidão do Gasoduto Bolívia-Brasil até Paulínia. O aproveitamento de corredores já utilizados busca diminuir a necessidade de abertura de novas áreas.

A análise preliminar identificou, porém, trechos que exigirão estudos mais detalhados, incluindo travessias de rios, zonas úmidas, áreas urbanizadas, remanescentes de vegetação nativa e locais próximos a residências. Essas condições deverão ser avaliadas no Estudo e no Relatório de Impacto Ambiental.

Se receber as autorizações, a construção poderá durar cinco anos. A previsão apresentada pela empresa é manter uma média de quatro mil trabalhadores durante as obras, com pico de até oito mil empregos nas etapas de maior atividade.

O Projeto Pascal ainda está em uma fase inicial e não há garantia de que será executado no formato apresentado. A entrada no licenciamento, contudo, mostra que a expansão do etanol de milho começou a exigir uma infraestrutura compatível com a escala alcançada pelo Centro-Oeste. Para o produtor de grãos, a proposta representa a possibilidade de aproximar a lavoura dos mercados de combustíveis do Sudeste e do comércio exterior sem depender exclusivamente das rodovias.

Fonte: Pensar Agro

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