Agro
Fertilizantes e diesel disparam e pressionam custos de produção no campo paulista
Os custos de produção agropecuária em São Paulo seguiram em trajetória de alta durante abril de 2026, impulsionados principalmente pelo encarecimento dos fertilizantes nitrogenados e do óleo diesel. O movimento reforça a pressão sobre as margens dos produtores rurais em um momento de atenção crescente ao equilíbrio entre despesas operacionais e rentabilidade no campo.
A análise faz parte de levantamento do Departamento Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), elaborado com base nos dados do projeto Campo Futuro, desenvolvido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
Fertilizantes lideram altas e elevam custo das lavouras
Entre os principais componentes do custo agrícola, os fertilizantes apresentaram os aumentos mais expressivos em abril. Segundo o relatório, a valorização foi influenciada pelo agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, fator que impactou diretamente a oferta global de nutrientes e elevou as cotações internacionais.
A ureia agrícola registrou alta de 33,7% no mercado paulista, liderando os reajustes observados no período. Outros fertilizantes também apresentaram forte valorização:
- Nitrato de amônio: alta de 14,3%;
- Sulfato de amônio: avanço de 16,5%;
- Formulado NPK 20-00-20: valorização de 37,7%.
O aumento dos preços dos fertilizantes preocupa especialmente produtores de grãos, cana-de-açúcar e outras culturas de grande escala, que dependem desses insumos para manter a produtividade das lavouras.
Diesel mais caro aumenta despesas operacionais
Outro fator de peso na composição dos custos rurais foi o diesel. O combustível registrou elevação de 6,7% em abril, refletindo a valorização do petróleo no mercado internacional e os reajustes praticados no mercado doméstico.
Com isso, houve aumento das despesas relacionadas ao transporte da produção, logística interna das propriedades e operações mecanizadas, atividades essenciais para a agricultura moderna.
O impacto é sentido em praticamente todas as cadeias produtivas, uma vez que o diesel influencia diretamente o custo de plantio, pulverização, colheita e escoamento da produção.
Queda de defensivos ameniza parte da pressão
Apesar do cenário de alta para fertilizantes e combustíveis, alguns defensivos agrícolas apresentaram redução de preços ao longo do mês, trazendo certo alívio para os produtores.
Entre os produtos que registraram as maiores quedas estão:
- Altacor: recuo de 14,7%;
- Velpar K: redução de 16,4%;
- Plateau: queda de 16,8%.
De acordo com o relatório, o movimento foi favorecido pela recomposição dos estoques das empresas e pela menor demanda observada no período, contribuindo para uma acomodação dos preços desses produtos.
Custos acumulam forte alta em 12 meses
No acumulado dos últimos 12 meses, os custos de produção agropecuária continuam apresentando forte elevação em São Paulo, especialmente nos insumos mais estratégicos para a atividade rural.
Os maiores aumentos registrados foram:
- Nitrato de amônio: alta de 87,8%;
- Ureia agrícola: valorização de 41,3%;
- Diesel: avanço de 17,5%.
O cenário mantém a preocupação dos produtores com a rentabilidade das atividades agropecuárias, especialmente diante da volatilidade dos mercados internacionais e das incertezas relacionadas ao custo dos insumos para a próxima safra.
Produtores monitoram mercado de insumos
Com fertilizantes e combustíveis permanecendo entre os principais componentes dos custos operacionais, produtores rurais seguem atentos ao comportamento do mercado internacional, às condições geopolíticas e às oportunidades de compra antecipada.
A evolução dos preços dos insumos nos próximos meses será decisiva para a definição das estratégias de plantio, investimentos e gestão financeira das propriedades, especialmente em um cenário de margens cada vez mais apertadas no agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
China reconhece Brasil como livre de febre aftosa e abre caminho para expansão das exportações de carne suína
O agronegócio brasileiro conquistou uma importante vitória no mercado internacional. A China reconheceu oficialmente todo o território brasileiro como livre de febre aftosa, medida que deverá impulsionar as exportações de carne suína, ampliar oportunidades comerciais e fortalecer ainda mais as relações sanitárias entre os dois países.
O anúncio foi celebrado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que destacou o trabalho conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), a ApexBrasil, os serviços estaduais de defesa agropecuária e o setor produtivo nacional.
A decisão representa um marco para a suinocultura brasileira e reforça o reconhecimento internacional da qualidade e da robustez do sistema de defesa sanitária do país.
Reconhecimento amplia oportunidades para a suinocultura brasileira
Segundo a ABPA, o novo status sanitário deverá gerar benefícios imediatos para estados que possuem frigoríficos habilitados a exportar para a China.
Até então, apenas Santa Catarina possuía o reconhecimento de área livre de febre aftosa sem vacinação perante as autoridades chinesas, condição que permitia o embarque de produtos com maior valor agregado, como carnes com osso e miúdos externos.
Com a ampliação do reconhecimento para todo o território nacional, estados como Rio Grande do Sul e Mato Grosso passam a ter acesso às mesmas condições comerciais, ampliando a competitividade da carne suína brasileira no principal mercado consumidor do mundo.
Atualmente, Santa Catarina conta com sete plantas habilitadas para exportação ao mercado chinês, enquanto o Rio Grande do Sul possui oito unidades autorizadas e Mato Grosso uma planta exportadora apta a atender o país asiático.
Exportações podem crescer mais de 40 mil toneladas por ano
As projeções da ABPA indicam que o reconhecimento sanitário poderá gerar um incremento superior a 40 mil toneladas anuais nas exportações brasileiras de carne suína destinadas à China.
O aumento dos embarques deve contribuir para fortalecer a renda dos produtores, estimular investimentos na cadeia produtiva, gerar novos empregos e ampliar a entrada de divisas na economia brasileira.
Além do crescimento das exportações, a medida cria condições para futuras habilitações de frigoríficos em outras regiões do país, ampliando ainda mais o potencial de expansão do setor.
Confiança sanitária fortalece posição do Brasil no mercado global
Para o presidente da ABPA, Ricardo Santin, a decisão chinesa é resultado de décadas de trabalho voltado ao fortalecimento da sanidade animal brasileira e à construção de credibilidade internacional.
Segundo ele, o reconhecimento demonstra a confiança das autoridades chinesas na qualidade dos sistemas brasileiros de vigilância, controle sanitário e defesa agropecuária.
A medida também reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor estratégico de proteína animal para mercados exigentes, em um momento em que a segurança alimentar e os padrões sanitários ganham importância crescente no comércio internacional.
Brasil amplia protagonismo no comércio mundial de proteínas
O reconhecimento da China ocorre em um cenário de aumento da demanda global por alimentos seguros, rastreáveis e produzidos sob elevados padrões sanitários.
Nesse contexto, a certificação de todo o território nacional como livre de febre aftosa fortalece a competitividade da proteína animal brasileira e amplia as perspectivas de crescimento das exportações nos próximos anos.
Além de consolidar a liderança brasileira na produção de carnes, a decisão cria um ambiente mais favorável para o aprofundamento das relações comerciais entre Brasil e China, principal destino das exportações do agronegócio nacional.
Sanidade animal segue como diferencial estratégico
A conquista reforça a importância dos investimentos contínuos em defesa agropecuária, vigilância sanitária e rastreabilidade da produção.
Especialistas do setor avaliam que a manutenção de elevados padrões sanitários continuará sendo um dos principais diferenciais competitivos do agronegócio brasileiro no mercado internacional.
Com o novo reconhecimento, a suinocultura nacional ganha fôlego para ampliar sua presença no mercado chinês e consolidar o Brasil entre os maiores fornecedores globais de proteína animal.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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