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RAIS comemora 50 anos produzindo informações e orientando políticas públicas

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O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho ressaltou nesta quarta-feira (27), durante evento de comemoração e lançamento do livro RAIS 50 anos, a importância da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) para a formulação de mais de 40 políticas públicas e para o acompanhamento da recuperação do mercado formal de trabalho no país.

“Com a recuperação da série histórica podemos ver os avanços do emprego formal no país”, afirmou o ministro, que também homenageou servidores e técnicos responsáveis, ao longo das décadas, pela organização e sistematização das informações da RAIS.

Durante o evento, Marinho também comentou o debate sobre a redução da jornada de trabalho. Segundo ele, a proposta de redução para uma escala 4×3, defendida por alguns parlamentares, estaria descolada da realidade econômica brasileira. O ministro reiterou a defesa da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com o fim da escala 6×1, ressaltando que mudanças mais amplas poderiam ocorrer por meio de negociação coletiva entre trabalhadores e empregadores.

O presidente do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), Sérgio Luiz Leite, destacou que os dados da RAIS são fundamentais para orientar políticas públicas e ações de qualificação profissional para os trabalhadores.

“Os dados ajudam a entendermos qual é a necessidade de qualificação profissional para os trabalhadores, por exemplo. São também usados para construir o Relatório de Igualdade Salarial e ajudam hoje no debate sobre o fim da escala 6×1”, afirmou Leite.

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Já a presidenta do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Luciana Mendes Servo, ressaltou que a RAIS é fonte permanente de estudos dentro da instituição. “A RAIS faz parte da história do Ipea, e a gente cumpre com a nossa missão de fazer pesquisas para as políticas públicas”, declarou.

Criada em meados da década de 1970, a Relação Anual de Informações Sociais consolidou-se como um instrumento fundamental para implantação, controle e avaliação de políticas públicas voltadas ao trabalho e à proteção social. Seu caráter censitário, reunindo informações de empregados do setor público e privado, contribui para suprir lacunas de informação em um país marcado pela ampla diversidade regional e pelas diferentes dinâmicas do mercado de trabalho.

Ao longo de cinco décadas, a RAIS fortaleceu a capacidade de atuação do Estado em todo o território nacional, contribuindo para a formulação de políticas públicas, a efetividade das normas trabalhistas e a garantia de acesso a direitos sociais, como benefícios previdenciários e trabalhistas.

O tratamento das informações declaradas pelas empresas permitiu a geração de estatísticas de elevada confiabilidade sobre a formalização do emprego em todos os municípios brasileiros desde os anos 1990, possibilitando acompanhar os impactos das políticas macroeconômicas e das transformações tecnológicas sobre o mercado de trabalho formal.

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A RAIS possui papel estratégico para o bem-estar social dos trabalhadores e para o desenvolvimento econômico do país. O Programa do Seguro-Desemprego é um dos exemplos mais emblemáticos da utilização de seus dados, tanto nos processos de habilitação e concessão quanto no monitoramento do benefício. É por meio da base de dados que se verifica, por exemplo, se a dispensa ocorreu sem justa causa — principal requisito para acesso ao seguro — além do tempo de vínculo empregatício.

As informações da RAIS também subsidiam o monitoramento do grau de nacionalização da mão de obra, o cálculo das cotas do PIS/Pasep, a fiscalização do recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), a identificação dos beneficiários do Abono Salarial, o acompanhamento das diferenças salariais entre homens e mulheres e a mensuração da massa salarial paga aos trabalhadores formais.

Além disso, a base oferece suporte à elaboração, execução e avaliação de políticas públicas em diversas áreas do governo federal, servindo como ferramenta estratégica para praticamente todos os ministérios.

Atualmente, é por meio da RAIS que empresas do setor público e privado informam dados trabalhistas e remuneratórios de seus empregados, abrangendo uma base que já alcança cerca de 60 milhões de trabalhadores formais no país.

 Acesse o livro RAIS 50 anos

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

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Política Nacional de Proteção de Dados avança com participação social

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Brasília, 15/6/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), realizou, na sexta-feira (12), audiência pública para discutir a construção da Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais e Privacidade (PNPD).

O evento ocorreu em formato híbrido, no Palácio da Justiça, com transmissão ao vivo pelo YouTube, e reuniu representantes do Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade (CNPD), da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), da sociedade civil, da academia e do setor privado.

O secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Oliveira Fernandes, ressaltou o caráter estratégico da primeira audiência pública após dois mandatos do CNPD.

“A construção da Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais e Privacidade representa um passo fundamental. Trata-se de um instrumento que orientará a atuação do Estado brasileiro, fortalecerá os mecanismos de cooperação e ampliará o diálogo interinstitucional em torno dos direitos digitais, promovendo maior coerência, efetividade e participação na formulação de políticas públicas.”

Fernandes também destacou a centralidade do tema para a cidadania digital. “O direito à proteção de dados pessoais e à privacidade é hoje um dos pilares da cidadania digital. Em um contexto de transformação tecnológica acelerada, assegurar esses direitos significa garantir autonomia, dignidade e confiança nas interações digitais.”

A audiência integrou um processo mais amplo de elaboração participativa da política, que tem como referência os subsídios elaborados pelos seis Grupos de Trabalho Temáticos (GTTs) do CNPD, além das diretrizes encaminhadas pela ANPD ao MJSP. Ao todo, foram registradas 22 inscrições de fala da sociedade civil, além das contribuições dos coordenadores dos GTTs.

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Eixos e propostas

Os grupos de trabalho apresentaram recomendações organizadas em seis eixos estruturantes: educação e capacitação em proteção de dados (GTT 1); mecanismos e práticas de conformidade (GTT 2); governança de dados no setor privado (GTT 3) e no setor público (GTT 4); dados pessoais para o desenvolvimento econômico, tecnológico e a inovação (GTT 5); e harmonização entre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a Lei de Acesso à Informação (LAI) (GTT 6).

Entre as propostas apresentadas pelos coordenadores dos GTTs, destacaram-se a criação de uma Escola Nacional de Proteção de Dados, a institucionalização de uma Semana da Privacidade no calendário nacional, o estabelecimento de parcerias com o Ministério da Educação para integrar a temática aos currículos escolares e o desenvolvimento de ferramentas de autoavaliação para órgãos públicos. O GTT 5 propôs 36 subsídios voltados ao equilíbrio entre proteção de direitos e geração de valor econômico a partir do tratamento responsável de dados pessoais.

Representantes da sociedade civil apresentaram contribuições sobre temas como a necessidade de indicadores de monitoramento da política, a harmonização entre a LGPD e o direito de acesso à informação, a regulação do uso de tecnologias de reconhecimento facial e dados biométricos, a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e a inclusão de diretrizes específicas para a segurança pública.

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Organizações como o Instituto Alana, a Transparência Brasil, a Open Knowledge Brasil, a Fiquem Sabendo, o Idec, o iFood e o Instituto Sigilo, entre outras, também participaram da audiência.

A diretora da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), Miriam Wimmer, que participou ao lado do também diretor Iagê Miola, enfatizou a importância de compreender os diferentes anseios e perspectivas da sociedade.

“O CNPD trabalhou diligentemente, constituindo diferentes grupos de trabalho dedicados à abordagem dos diversos temas relacionados à política nacional. Tive a oportunidade de participar de vários desses encontros, nos quais pudemos trocar impressões, compartilhar experiências e acompanhar um trabalho muito sério e competente de construção dessas diretrizes”, disse.

O MJSP informou que as contribuições recebidas durante a audiência, bem como as manifestações escritas que poderão ser encaminhadas posteriormente, serão analisadas e incorporadas ao processo de elaboração da política. A expectativa, reforçada por múltiplos participantes, é que o decreto seja publicado ainda em 2026 — mais de oito anos após a aprovação da LGPD.

“Essa diversidade de perspectivas é fundamental para qualificar a escuta do Governo Federal e contribuir para a elaboração de uma política pública consistente, legítima e representativa”, concluiu Victor Fernandes.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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