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Após três anulações, denunciado pelo MPPR por homicídio de trabalhador rural sem-terra volta a júri popular em Curitiba

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Está marcado para a próxima quinta-feira, 28 de maio, às 10 horas, no Tribunal do Júri de Curitiba, o quarto julgamento do homem denunciado pelo Ministério Público do Paraná por participação no homicídio de um trabalhador rural sem-terra ocorrido em fevereiro de 1998 em Marilena, no Noroeste do estado. O réu é ex-presidente da Regional Noroeste do Paraná da União Democrática Ruralista (UDR) e o crime aconteceu durante uma ação de desocupação em propriedades rurais. O caso teve repercussão internacional e é acompanhado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Áudio do Promotor de Justiça André Tiago Pasternak Glitz

O crime – Conforme a denúncia oferecida pelo MPPR, famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) estavam acampadas nas Fazendas Santo Ângelo e Boa Sorte desde novembro de 1997, quando homens encapuzados e armados invadiram as áreas e promoveram a retirada forçada dos ocupantes. Durante a ação, várias pessoas foram feridas e a vítima foi atingida por disparo de arma de fogo na cabeça, morrendo no local. A denúncia detalha que o então proprietário da Fazenda Boa Sorte teria concorrido para o crime ao contratar homens armados para realizar a desocupação da área, assumindo o risco do resultado decorrente da ação.

Segundo aditamento da denúncia, o então presidente regional da UDR teria efetuado o disparo que matou a vítima, a menos de um metro de distância. O documento descreve que o homem assassinado teria sido obrigado, junto aos demais acampados, a permanecer deitado no chão durante a ação armada, sendo executado com um tiro na região posterior da cabeça após não conseguir se abaixar a tempo, em razão de problemas de coluna que possuía.

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O Ministério Público sustenta que o crime foi praticado mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima e com a finalidade de assegurar a impunidade dos envolvidos pelos demais crimes praticados durante a invasão das fazendas.

A denúncia também aponta a participação de outros três homens no crime: o então proprietário de uma das fazendas, que teria contratado homens armados para realizar a desocupação da área; um homem que teria participado diretamente da retirada dos acampados e outro apontado como responsável pela contratação dos seguranças e que teria coordenado a operação no local.

Repercussão internacional – Em 2009, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) concluiu que o Estado brasileiro violou direitos fundamentais da vítima ao não prevenir adequadamente a atuação de grupos armados privados e ao falhar na investigação, julgamento e punição dos responsáveis pelo homicídio. A Comissão recomendou ao Brasil a realização de investigação completa e imparcial, a responsabilização efetiva de executores e mandantes, além da adoção de medidas estruturais para combater a violência rural e desmantelar milícias privadas atuantes em conflitos agrários. Em acompanhamento realizado posteriormente, a CIDH registrou preocupação com a demora excessiva do processo penal e classificou a morosidade como forma de impunidade.

Quatro júris – O réu já foi submetido a júri popular em 2013, 2016 e 2021, mas os três julgamentos acabaram anulados pelo Judiciário. O último júri, realizado em junho de 2021, resultou em condenação a 14 anos e 3 meses de prisão, posteriormente anulada pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná em 2023. Segundo o acórdão, a anulação ocorreu após entendimento de que houve violação ao artigo 478 do Código de Processo Penal, em razão de referências feitas em plenário a condenações anteriores já anuladas e a decisões judiciais de corréus, o que teria influenciado indevidamente os jurados.

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Com a decisão, o processo retornou à fase anterior ao julgamento. Uma nova sessão do Tribunal do Júri chegou a ser designada, mas foi suspensa por decisão liminar do Tribunal de Justiça após a defesa apresentar documentos médicos apontando graves problemas de saúde do acusado, incluindo tratamento de hemodiálise e limitações físicas severas. Relatório do MPPR de acompanhamento do caso destaca que, apesar da atuação contínua do Ministério Público para evitar a impunidade, o processo já ultrapassa 27 anos sem condenação definitiva e as sucessivas anulações, adiamentos e impasses processuais ampliam o risco de inviabilização material do julgamento e reforçam as preocupações manifestadas pela CIDH quanto à possibilidade de responsabilização dos acusados.

Processo: 0028357-13.2012.8.16.0013

Matérias anteriores:

25/06/2021 – Júri condena a 14 anos de prisão homem que matou trabalhador rural

09/11/2016 – Justiça condena ruralista Marcos Prochet a 15 anos de prisão por morte de militante sem-terra Sebastião Camargo em 1998

28/11/2012 – Caso Sebastião Camargo: Júri condena acusados por homicídio de sem-terra

25/06/2021 – Júri condena a 14 anos de prisão homem que matou trabalhador rural

Informações para a imprensa:
Assessoria de Comunicação
[email protected]
(41) 3250-4226

Fonte: Ministério Público PR

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MPPR empossa três Procuradores de Justiça nesta sexta-feira (29)

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O Ministério Público do Paraná realiza nesta sexta-feira, 29 de maio, a solenidade de posse no cargo de Procurador de Justiça de Solange Novaes da Silva Vicentin, Walber Alexandre de Souza e Luciane Evelyn Cleto Melluso Teixeira de Freitas. A cerimônia ocorrerá às 17 horas, no auditório do Bloco II da sede do MPPR em Curitiba (Rua Marechal Hermes, 820). O evento será transmitido ao vivo pelo YouTube.

Acompanhe aqui a transmissão

    Trajetórias

Solange Novaes da Silva Vicentin tomou posse no Ministério Público do Paraná em 1993, como Promotora de Justiça Substituta em Cruzeiro do Oeste. No mesmo ano, assumiu a Promotoria de Justiça de entrância inicial da comarca de Grandes Rios.

Em 1994, foi designada para a comarca de Londrina, onde desempenhou atribuições junto ao Tribunal do Júri, à Vara da Infância e da Juventude, à Vara Criminal, à Vara de Execuções Penais, à Vara de Família, aos Juizados Especiais e às Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Defesa do Meio Ambiente, Pessoas com Deficiência e Fundações. Desde 2016, coordena a Central de Atendimento ao Cidadão de Londrina.

Solange foi professora da Escola da Magistratura de Londrina, de 1992 a 2014, e do Núcleo Descentralizado de Londrina da Fundação Escola do Ministério Público do Paraná (Fempar), onde atuou de 1994 a 2017, tendo dirigido a unidade entre 1999 e 2001. Também lecionou no Departamento de Direito Público da Universidade Estadual de Londrina, entre 2000 e 2001, e na Faculdade de Direito Faccar, em Rolândia, no período de 2002 a 2010.

Solange Novaes da Silva Vicentin

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Walber Alexandre de Souza

Walber Alexandre de Souza ingressou no MPPR em 1996, nomeado para o cargo de Promotor de Justiça Substituto de Cianorte. No mesmo ano, foi designado para atuar em Promotorias de Justiça das comarcas de Maringá, Peabiru, Telêmaco Borba, Laranjeiras do Sul e Chopinzinho. Em 1997, assumiu como titular na comarca de entrância inicial de Cândido de Abreu, com designações para as Promotorias de Justiça de Reserva e Ivaiporã, sendo promovido por merecimento para a comarca de entrância intermediária de Assaí, em 1999, com designações para as Promotorias de Justiça de São Jerônimo da Serra e Cornélio Procópio. Em 2002, chegou à entrância final em Cascavel e, no ano seguinte, foi removido para Curitiba, como Promotor de Justiça Substituto, com designações para atuação no Juizado Especial Criminal, nas Varas Criminais de Curitiba, nas Varas de Execução Penal, na Promotoria de Justiça de Investigação Criminal (antiga PIC), na Promotoria de Inquéritos Policiais (antiga PIP) e na Promotoria de Justiça da Vara de Auditoria da Justiça Militar. Em 2007, foi designado para atuar no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em Curitiba, e, em 2008, passou para a Promotoria de Justiça Especializada de Proteção ao Patrimônio Público e à Ordem Tributária.

Na Administração Superior, entre 2010 e 2017, exerceu as funções de Promotor-Corregedor e Promotor-Corregedor Adjunto. De 2018 a 2024, atuou como Assessor do Gabinete do Procurador-Geral de Justiça, junto à Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos (Subjur). Também em 2018, exerceu as atribuições de Secretário do Conselho Superior do Ministério Público. Em 2023, integrou a banca examinadora do concurso para ingresso na carreira do MPPR. Em 2024, foi removido para o cargo de Promotor de Justiça Substituto em 2º Grau, com atuação junto ao 5º Grupo Cível, da Procuradoria de Justiça Cível. Em 2026, foi designado para atuar junto ao 6º Grupo Criminal da Procuradoria de Justiça Criminal.

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Luciane Evelyn Cleto Melluso Teixeira de Freitas tomou posse no Ministério Público do Paraná em 1993, atuando como Promotora Substituta nas comarcas de Foz do Iguaçu, Paranaguá e Arapoti. Em 1994, assumiu como Promotora de Justiça titular de entrância inicial de Barracão, sendo removida para São João do Ivaí, em 1995. No mesmo ano, passou pelas comarcas de Goioerê e Guarapuava. Promovida por merecimento em 1998, assumiu a comarca de entrância final de Cascavel até sua remoção para Curitiba, em 1999. 

Na capital, atuou inicialmente como Promotora Substituta de entrância final nas Promotorias da Vara da Infância e Juventude e da Família, assumindo como titular da Promotoria de Justiça de Registros Públicos de 2005 a 2014, mesmo ano em que atuou nas Promotorias de Justiça de Proteção à Saúde Pública e da Fazenda Pública. De 2015 a 2024, atuou na Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público, alçando o cargo de Promotora de Justiça Substituta em 2º Grau, onde permaneceu até sua promoção por antiguidade ao cargo de 10ª Procuradora de Justiça do 5º Grupo Cível.

Luciane Evelyn Cleto Melluso Teixeira de Freitas

Fonte: Ministério Público PR

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