Agro
Preço internacional da ureia recua após meses de alta e mercado entra em compasso de espera
Os preços internacionais da ureia granular interromperam o movimento de valorização registrado nos últimos meses e passaram a operar em queda em importantes mercados globais. O recuo reflete um cenário de demanda mais fraca, menor volume de negociações e cautela dos compradores diante da expectativa por novas referências internacionais de preços.
De acordo com análise de Franklin Almeida, engenheiro agrônomo, baseada em levantamento da Marlen Group divulgado em 10 de maio de 2026, o mercado atravessa um momento de equilíbrio temporário entre oferta e demanda, após um longo período marcado por forte pressão altista.
A valorização observada anteriormente foi impulsionada principalmente por fatores geopolíticos, restrições produtivas e aumento nos custos energéticos em grandes países produtores de fertilizantes nitrogenados.
Demanda enfraquecida pesa sobre o mercado
Segundo o levantamento, o ritmo mais lento das compras internacionais passou a exercer maior influência sobre as cotações no curto prazo. A retração nas negociações e o comportamento mais cauteloso dos compradores reduziram a sustentação dos preços em diversas regiões produtoras e consumidoras.
Na comparação entre os dias 30 de abril e 7 de maio, os netbacks do Oriente Médio apresentaram forte queda. O indicador geral passou da faixa entre US$ 539 e US$ 910 para níveis entre US$ 463 e US$ 820 por tonelada, representando recuo de US$ 76.
O netback destinado aos Estados Unidos registrou queda semelhante, enquanto o mercado brasileiro apresentou retração de US$ 54, com valores variando entre US$ 565 e US$ 710 por tonelada.
Principais produtores globais registram baixa
Outras importantes regiões produtoras acompanharam o movimento de queda nas cotações internacionais da ureia.
O Irã registrou recuo de US$ 30 por tonelada. Já o Egito apresentou queda de US$ 20 nos embarques destinados à Europa e de US$ 25 para outros mercados internacionais.
Na Argélia e no Norte da África, os preços caíram US$ 25 por tonelada. A China teve uma das maiores retrações do período, com baixa de US$ 80.
O Sudeste Asiático também apresentou forte desvalorização, com redução de até US$ 80 nas cotações. No mercado CFR da região, a queda chegou a US$ 100 por tonelada.
Brasil acompanha retração dos preços
Entre os principais destinos consumidores, o Brasil também registrou recuo nas cotações CFR da ureia. Os preços caíram US$ 50 por tonelada, passando a operar na faixa entre US$ 700 e US$ 770.
A Argentina apresentou queda de US$ 60, enquanto o México, na costa oeste, registrou uma das maiores baixas do levantamento, com retração de US$ 110 por tonelada.
Na Austrália, os preços CFR recuaram US$ 60. Já nos Estados Unidos, a região do Golfo apresentou queda tanto no mercado de barcaças quanto no CFR, com reduções de US$ 66 e US$ 72, respectivamente.
Mercado aguarda tender da Índia
Apesar da queda generalizada nas cotações internacionais, alguns mercados permaneceram estáveis, como Geelong, na Austrália, e o mercado CFR da Índia.
O setor agora concentra as atenções no próximo tender indiano, considerado uma referência importante para o mercado global de ureia. A negociação pode definir o direcionamento dos preços nas próximas semanas e indicar se o atual movimento de baixa terá continuidade ou se haverá retomada da firmeza nas cotações internacionais.
Para o agronegócio brasileiro, o comportamento do mercado de fertilizantes segue estratégico, especialmente diante da proximidade das compras para a próxima safra e da elevada dependência nacional de insumos importados.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Crise global ameaça oferta de fertilizantes fosfatados e acende alerta para produtividade agrícola
Oferta global de fosfatados volta ao centro das preocupações do agronegócio
O mercado internacional de fertilizantes voltou a operar sob forte tensão diante do risco de restrição na oferta de fosfatados, insumo considerado essencial para a produtividade agrícola e sem substituto direto na nutrição das lavouras.
O alerta foi feito por Bruce Bodine, CEO da Mosaic, durante teleconferência com analistas do setor. Segundo o executivo, a disponibilidade global de fosfato poderá não ser suficiente para atender toda a demanda mundial nos próximos meses.
Conflitos internacionais pressionam cadeia global de fertilizantes
De acordo com a avaliação da companhia, o cenário é agravado pelas tensões geopolíticas envolvendo importantes regiões produtoras e exportadoras de matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes fosfatados.
Entre os principais fatores de pressão estão:
- Instabilidade no Oriente Médio
- Impactos logísticos relacionados à guerra na Ucrânia
- Restrições em rotas marítimas estratégicas
- Oferta limitada de enxofre e fosfato
Segundo Bodine, aproximadamente 20% do fosfato e metade do enxofre transportados por via marítima têm origem no Oriente Médio, aumentando a vulnerabilidade da cadeia global de suprimentos.
Fósforo é insumo estratégico para produtividade das lavouras
O fósforo é um dos nutrientes fundamentais para o desenvolvimento das plantas, atuando diretamente no crescimento radicular, na formação de grãos e no desempenho produtivo das culturas agrícolas.
A preocupação do setor é que produtores reduzam ou adiem aplicações diante do aumento dos custos e da pressão sobre as margens.
Na avaliação da Mosaic, a diminuição prolongada na reposição de fosfatados pode gerar impactos importantes sobre:
- Fertilidade do solo
- Equilíbrio nutricional das áreas agrícolas
- Potencial produtivo das lavouras
- Sustentabilidade agronômica no médio prazo
Mercado de potássio apresenta cenário mais equilibrado
Enquanto o segmento de fosfatados enfrenta maior instabilidade, o mercado global de potássio mantém uma dinâmica considerada mais firme e equilibrada.
Grandes compradores internacionais, especialmente nos Estados Unidos e na Ásia, continuam sustentando a demanda pelo nutriente.
Segundo o executivo, a Canpotex já operava com produção comprometida até junho, indicando estoques apertados ao longo do segundo trimestre.
Mosaic adota cautela no Brasil diante de crédito mais restrito
No mercado brasileiro, a Mosaic mantém postura mais conservadora em relação a investimentos e expansão operacional.
A companhia afirma estar ajustando o ritmo de vendas e priorizando maior seletividade na alocação de capital diante do ambiente de crédito mais desafiador no país.
Recentemente, a empresa encerrou operações na planta de Araxá e nas atividades de mineração em Patrocínio, ambas em Minas Gerais.
Empresa avalia venda de ativos e projeto de nióbio em Minas Gerais
Após a desativação das estruturas mineiras, a companhia analisa alternativas estratégicas para os ativos localizados em Minas Gerais.
Entre as possibilidades avaliadas estão:
- Venda de ativos industriais
- Reestruturação operacional
- Desenvolvimento de projeto de nióbio em Patrocínio
O movimento acompanha a necessidade global das empresas do setor em otimizar investimentos diante da volatilidade do mercado internacional de fertilizantes.
Agronegócio acompanha impactos sobre custos da safra
O avanço das incertezas no mercado de fertilizantes mantém produtores brasileiros atentos aos custos da próxima safra, principalmente em culturas de alta exigência nutricional, como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar.
Com o fósforo ocupando papel estratégico no desempenho agrícola, o cenário internacional amplia a preocupação sobre abastecimento, formação de preços e competitividade do agro brasileiro nos próximos ciclos produtivos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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