Paraná
Municípios já aderem à certificação antirracista; 70 primeiros terão apoio do Estado
De grandes centros urbanos a cidades de menor porte, municípios do Paraná começaram a se mobilizar para construir políticas públicas mais justas e inclusivas. A adesão à certificação de municípios antirracistas já reúne cidades como Londrina, Cascavel e Maringá, também Ivaiporã, Paraíso do Norte e São Carlos do Ivaí, mostrando que o compromisso com a igualdade racial se aplica a diferentes perfis, permitindo uma implementação de ações concretas e estruturadas.
A certificação “Municípios Antirracistas – Diversidade e Paraná Plural” hoje é aplicada pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), em parceria com o Ministério Público do Paraná (MPPR) e a Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa (Semipi), para apoiar as prefeituras na implementação de ações concretas de enfrentamento ao racismo e promoção da diversidade, alinhadas a diretrizes legais.
Na prática, a iniciativa ajuda os municípios a planejarem e realizarem iniciativas, que refletem em compromissos e iniciativas que impactam diretamente o dia a dia da população.
Para incentivar a adesão, o Governo do Estado, por meio da Semipi, vai custear a auditoria técnica dos primeiros 70 municípios que concluírem a entrada no programa. Com isso, as prefeituras conseguem avançar na certificação com redução de custos e apoio técnico especializado do Tecpar.
Segundo Ivânia Ramos dos Santos, diretora de Políticas Públicas da Igualdade Racial e Povos e Comunidades Tradicionais da Semipi, além do apoio à certificação oficial, atualmente sob responsabilidade do Tecpar, a Semipi também atua diretamente no suporte aos municípios durante a implantação das políticas públicas exigidas pelo programa, auxiliando as gestões municipais na compreensão das exigências legais e na adequação às diretrizes previstas no modelo de certificação.
GOVERNANÇA – Entre os temas trabalhados estão a implementação de conselhos e fundos municipais de promoção da igualdade racial, a adesão ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir) e a estruturação de políticas públicas alinhadas às diretrizes antirracistas. A secretaria também produz materiais de apoio e orientação, validados pelo Ministério Público, para auxiliar as cidades em todas as etapas do processo, contribuindo para qualificar a coleta de evidências analisadas pelo Tecpar.
“O objetivo é apoiar os municípios na criação de políticas públicas estruturadas e efetivas, além de reconhecer quem já está fazendo esse trabalho. É uma iniciativa inovadora, que coloca o Paraná na vanguarda nacional no enfrentamento ao racismo”, destaca o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.
O avanço da adesão entre municípios de diferentes regiões e portes demonstra que o tema está ganhando prioridade nas gestões públicas. “A proposta é justamente essa: criar um movimento estadual capaz de gerar mudanças estruturais, com resultados reais na vida das pessoas”, enfatiza Marafon.
O Tecpar já realizou a capacitação das equipes técnicas, estruturou o ambiente de auditoria e definiu os protocolos de avaliação da certificação. Os primeiros municípios interessados já encaminharam solicitações e aguardam o início das auditorias técnicas custeadas pelo Estado. Segundo a Semipi, o Estado também já implementou diretrizes e ações orientativas em diferentes cidades paranaenses, fortalecendo a construção de políticas públicas permanentes de promoção da igualdade racial.
POR QUE ADERIR? – Ser um município certificado como antirracista vai além de cumprir diretrizes: é posicionar a cidade como referência em desenvolvimento social, inclusão e responsabilidade pública. Na prática, isso fortalece a gestão e amplia o acesso a políticas públicas mais justas. Além disso, a certificação gera reconhecimento institucional e visibilidade positiva para o município, valorizando a gestão perante a população e órgãos públicos.
As ações necessárias para aderir à certificação estão disponibilizadas em uma cartilha digital, desenvolvida pelo Ministério Público, que servirá como um guia prático para gestores municipais, detalhando cada etapa do processo de adesão e execução do projeto.
De acordo com o promotor Rafael Osvaldo Machado Moura, coordenador do Centro de Apoio Operacional de Proteção aos Direitos Humanos do MPPR, a cartilha reúne em um único documento orientações jurídicas e medidas práticas para ajudar os gestores municipais a compreenderem como implementar as políticas antirracistas já previstas na legislação.
“Muitas vezes o enfrentamento ao racismo fica no campo da intenção e a ideia é que este roteiro concreto seja para integrar a gestão pública às normas antirracistas. Por isso essa certificação representa um compromisso ético e legal não só com a população negra e indígena, mas com toda a sociedade paranaense. Isso demonstra que o município reconhece as desigualdades históricas e assume o dever de enfrentá-las institucionalmente”, observa.
COMO FUNCIONA – Todo o processo é feito de forma remota e digital, por meio de uma plataforma simples e interativa, onde o município adquire e agenda a certificação, para então aplicá-la, coletando evidência e, então, gerando o resultado.
O resultado final é apresentado na própria plataforma Tecpar de auditoria e a certificação pode ser classificada nos níveis bronze, prata ou ouro, conforme o conjunto de iniciativas adotadas, que também tem como diretriz o número de habitantes.
Veja quais são as oito macrodiretrizes necessárias para a cidade receber a certificação:
1 – Implementação de conselhos municipais de promoção da igualdade racial
2 – Inclusão do ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena nos planos municipais da educação
3 – Leis para ações afirmativas em concursos e processos seletivos públicos
4 – Adesão ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir)
5 – Critérios alinhados à Lei de Cotas para admissões de comissionados, terceirizados e estagiários
6 – Aprovação de Plano Municipal de Promoção de Igualdade Racial
7 – Aplicação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra
8 – Oferta de capacitação antirracista para assessorias de imprensa
A certificação também é considerada uma ferramenta sugerida aos municípios hoje pelo MP.
Todas as informações sobre adesão, a cartilha do MP-PR e o regulamento do programa estão disponíveis AQUI.
Fonte: Governo PR
Paraná
Estado adquire 120 kits para ensino de Matemática a alunos com deficiência visual
A rede estadual de educação do Paraná acaba de ganhar uma importante ferramenta de apoio ao ensino de Matemática para alunos com deficiência visual. A Secretaria da Educação (Seed-PR) adquiriu e já começou a distribuir 120 kits Multiplano, de educação inclusiva, para as 90 Salas de Recursos Multifuncionais (SRM) que atendem estudantes com essa deficiência.
O kit Multiplano é um aparelho didático que surgiu para atender estudantes com deficiência visual, com a proposta de tangibilizar o ensino de Matemática, tornando concretos e táteis seus conceitos mais abstratos ao transpô-los para peças de plástico.
Composto por 124 itens, o kit inclui um tabuleiro retangular com 26 linhas e 21 colunas de furos, que funciona como base; pinos, que servem para fixar elásticos, indicar posições e como unidades de contagem; hastes, para a criação de sólidos geométricos e gráficos cartesianos; fixadores para a produção de gráficos; além de uma base circular para diversas aplicações.
As peças podem ser combinadas das mais variadas formas e são capazes de cobrir mais de 120 temas diferentes, como álgebra, trigonometria, cálculo de área, tabuada, raiz quadrada, operações com frações, probabilidade, equações de 2º grau e inequações.
“Educação de qualidade é educação para todos”, declara o secretário estadual da Educação, Roni Miranda. “O kit Multiplano vai permitir que nossos alunos com deficiência visual tenham um ensino direcionado e totalmente adaptado para eles. Isso demonstra o compromisso da educação paranaense com o ensino inclusivo e qualificado”, completa.
UNIVERSAL E INCLUSIVO – Com investimento total de R$ 196.440 os kits vão beneficiar diretamente 1.331 estudantes com deficiência visual – com baixa visão e cegueira – regularmente matriculados na rede estadual. Indiretamente, porém, o impacto será ainda maior. Isso porque a metodologia utilizada no Multiplano é flexível e também aplicável a estudantes sem deficiência.
“O Multiplano é a solução para o ensino inclusivo de Matemática”, comemora Rubens Ferronato, que foi professor da rede estadual e é o criador do kit. “Essa certeza surgiu durante seu desenvolvimento, baseado nos preceitos do Desenho Universal, de que poderíamos atender a todos, igualmente, em um mesmo ambiente de aprendizagem”, explicou.
Desenho Universal (DU) é um conceito surgido na década de 1980, inicialmente na área da Arquitetura, e que propunha a criação de espaços de uso democrático, que pudessem ser utilizados por todas as pessoas: de crianças e idosos a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
O DU chegou à área da Aprendizagem no final dos anos 1990, como uma abordagem inclusiva, eliminando barreiras de ensino, com aulas e materiais acessíveis a todos os alunos, independente de suas características ou necessidades.
A distribuição dos kits está sendo feita por meio dos Núcleos Regionais de Educação (NRE), que os encaminham para as escolas com Salas de Recursos Multifuncionais que atendem estudantes com deficiência visual. Uma vez entregues, será realizada formação para capacitar os profissionais dos cinco Centros de Apoio Pedagógico (CAP) para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual, localizados em Cascavel, Curitiba, Francisco Beltrão, Maringá e Londrina, ainda no primeiro semestre deste ano. Depois, esses profissionais farão a formação dos demais professores das SRM de forma online.
MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO – O projeto do Multiplano começou a ser desenvolvido por Rubens ainda como professor da rede estadual do Paraná, no início dos anos 2000. Foi neste período que ele vivenciou em sala de aula as dificuldades de transmitir os conteúdos de matemática para um aluno com deficiência visual. Conceitos aparentemente simples encontravam a barreira da representação abstrata.
Depois de muito bater cabeça, Rubens encontrou a solução em um lugar inesperado: uma loja de materiais de construção. Lá, observando uma chapa perfurada, utilizada para pendurar ferramentas, rebites e elásticos, ele visualizou os suportes necessários para tornar concreto um plano cartesiano. Apresentado ao aluno, esse protótipo do que viria a ser o Multiplano se mostrou um sucesso.
“Em dois dias, esse aluno que até então tinha dificuldades intransponíveis para aprender matemática, já era capaz de resolver problemas complexos”, lembra Rubens. Em 2002, ele pediu exoneração da rede estadual, para que pudesse se dedicar exclusivamente ao desenvolvimento e aperfeiçoamento do que viria a ser o Multiplano, que atingiu seu formato definitivo em 2008. Hoje, diversas escolas do país e do exterior, como Portugal e Espanha, adotam o kit construído por Rubens.
ENSINO DA MATEMÁTICA – O Paraná foi destaque na Bett Brasil 2026, maior evento de inovação e tecnologia para a educação da América Latina, realizada em São Paulo, de 05 a 08 de abril. No encontro, foram relatadas iniciativas do programa Matemática Paraná, que une tecnologia, inteligência artificial e estratégias de recomposição da aprendizagem para apoiar professores e estudantes no dia a dia escolar.
Também chamou a atenção o Programa Desafio Paraná, iniciativa estratégica da Secretaria da Educação, também voltado à recomposição da aprendizagem, ao fortalecimento do desempenho acadêmico e ao engajamento dos estudantes da rede pública estadual por meio de uma plataforma interativa, com quizzes, aulas e desafios gamificados, para o acompanhamento pedagógico baseado em dados.
Fonte: Governo PR
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