Brasil
MJSP amplia atendimento a indígenas venezuelanos e leva entrevistas de refúgio a comunidades em Roraima
Boa Vista, 8/5/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) realizou, entre 4 e 8 de maio, missão em Boa Vista e Pacaraima, em Roraima (RR), para atendimento e realização de entrevistas de elegibilidade para solicitação de refúgio de indígenas venezuelanos que vivem na região.
Participaram da atividade equipes da Coordenação-Geral do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), vinculada ao Departamento de Migrações (Demig), da Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), além de profissionais da Agência da ONU para Refugiados (Acnur).
A etapa é essencial no processo de reconhecimento da condição de refugiado, especialmente para pessoas que não possuem documentos de identificação do país de origem, realidade que afeta grande parte das populações indígenas.
A coordenadora substituta de Elegibilidade da Coordenação-Geral do Conare, Fernanda Akemi, que integrou a missão com outros servidores da área, ressaltou a importância da etapa. “No caso de pessoas indocumentadas, a entrevista é essencial para garantir que, após decisão do Conare, esses indígenas possam obter documentação definitiva no Brasil”, explicou.
A ação ocorreu nas comunidades de Sorocaima I, Bananal, Sakau Mota e Tarau Paru, em Pacaraima. Também houve atendimento em abrigos em Boa Vista, como Warao Tuma a Tuaranoko e Jardim Floresta, além de indígenas residentes no município de Cantá. Ao todo, mais de 100 pessoas das etnias Kariña, Jivi, Taurepang e Warao foram atendidas, incluindo crianças.
Trata-se da primeira iniciativa oficial do órgão em comunidades indígenas de Pacaraima, representando avanço no contato direto com populações em situação de maior vulnerabilidade e de difícil acesso.
“Levar esse atendimento até as comunidades indígenas representa um passo importante para garantir que essas populações sejam ouvidas em seus próprios contextos, superando barreiras de acesso e fortalecendo o alcance da proteção internacional no Brasil”, afirmou a coordenadora-geral do Conare, Amarílis Busch Tavares.
O representante do Acnur no Brasil, Davide Torzilli, destacou que ações presenciais consideram as necessidades específicas da população indígena para assegurar direitos fundamentais e proteção. “Essas comunidades enfrentam inúmeras dificuldades, entre elas o deslocamento até os centros de atendimento, o que torna ainda mais relevante a atuação diretamente nos territórios onde vivem”, disse.
A missão contou com apoio do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, iniciativa das Nações Unidas, Governo do Brasil e Consórcio Amazônia Legal, com financiamento do Governo do Canadá. Também participaram o Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados (SJMR), a Força-Tarefa Logística Humanitária e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
Brasil
Brasil apresenta compromissos para concretizar Política Nacional em fórum da ONU sobre migração
Nova Iorque, 11/5/2026 – O Brasil voltou a participar do debate internacional sobre políticas públicas de migração durante o II Fórum Internacional de Revisão das Migrações, realizado em Nova York (EUA), de 5 a 8 de maio. O encontro contou com a participação dos ministérios da Justiça e Segurança Pública (MJSP), das Relações Exteriores (MRE) e dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).
O fórum ocorre a cada quatro anos na sede da Organização das Nações Unidas, no âmbito do Pacto Global para Migração Segura, Ordenada e Regular, e é considerado o principal espaço internacional de debate sobre políticas migratórias. O MJSP foi representado pela Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), com a participação da secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Loula, e do diretor do Departamento de Migrações (Demig), Victor Semple.
Durante o evento, países, organismos e sociedade civil debateram temas como integração social, governança de dados, mudanças climáticas, direitos trabalhistas e reunificação familiar de migrantes. Em painel sobre migração, qualificação profissional e transição justa, Maria Rosa Loula destacou que o Brasil tem demonstrado ser possível conciliar acolhimento e responsabilidade, com garantia de acesso à saúde, trabalho e proteção para migrantes.
“Fortalecer essas políticas é essencial não apenas para acolher pessoas com dignidade, mas também para construir uma mobilidade laboral mais justa e integrada, enfrentando desafios como idioma e qualificação com apoio conjunto do setor público e privado”, ressaltou.
Em parceria com os governos do México e da Colômbia, a delegação brasileira também promoveu evento sobre a implementação do Pacto Global na América Latina, que contou com a participação de representantes de Portugal, Uruguai e Guatemala.
O Brasil apresentou, pela primeira vez, avanços em governança migratória e boas práticas de acolhimento desenvolvidos nos últimos anos. Além disso, o País anunciou 11 compromissos para fortalecer essas políticas e ampliar a proteção a migrantes, refugiados e apátridas.
Compromissos apresentados pelo Brasil
1. Promover a coesão social e combater a xenofobia;
2. Promover o retorno seguro e digno de brasileiros retornados;
3. Promover a implementação, o acompanhamento e o monitoramento da Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (PNMRA);
4. Promover governança migratória inclusiva e ampliar mecanismos de participação direta de migrantes, refugiados e apátridas;
5. Fortalecer a prevenção e a erradicação da apatridia nos âmbitos regional e global, com incentivo à adesão à Convenção para Redução dos Casos de Apatridia e ampliação da participação na Aliança Global para a Erradicação da Apatridia;
6. Aperfeiçoar normativas internas e políticas públicas voltadas à garantia do direito à reunião familiar de migrantes e refugiados;
7. Promover a implementação dos planos de trabalho das cinco redes temáticas da Conferência Sul-Americana sobre Migrações (CSM);
8. Fortalecer o Programa Brasileiro de Acolhida Humanitária por Patrocínio Comunitário, em parceria com organizações da sociedade civil, como via complementar de admissão e acolhimento de pessoas em necessidade de proteção internacional;
9. Fortalecer respostas sustentáveis e centradas na vítima no atendimento a pessoas afetadas pelo tráfico humano;
10. Fortalecer a governança de dados sobre tráfico de pessoas e contrabando de migrantes;
11. Fortalecer ações de prevenção e cooperação internacional no enfrentamento ao tráfico de pessoas e ao contrabando de migrantes.
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