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Do campo à experiência turística: agricultura familiar ganha protagonismo no Salão do Turismo

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O 10º Salão do Turismo, que acontece de 7 a 9 de maio, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, coloca a agricultura familiar como eixo da experiência turística brasileira. Um dos principais espaços do evento será o Armazém da Agricultura Familiar, voltado à promoção, comercialização e inserção de produtos no mercado do turismo.

A iniciativa, realizada em parceria entre o Ministério do Turismo (MTur) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), reúne 18 produtores, de nove estados brasileiros, com mais de 80 produtos. No espaço, o público poderá encontrar itens como mel, cafés, chocolates, castanhas, farinhas, doces artesanais e produtos da sociobiodiversidade, além de ervas medicinais e artesanato sustentável.

Além de ser uma vitrine, o Armazém funciona como ponte entre o campo e o turismo, conectando pequenos produtores a visitantes, operadoras e agentes do setor.

Segundo o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, a iniciativa reforça o papel estratégico da agricultura familiar na experiência turística brasileira. “Mais do que produtos, esses empreendedores vão trazer consigo histórias, heranças culturais e sabores regionalizados de um país imenso e rico em sua diversidade. O Armazém da Agricultura Familiar é a expressão concreta de um turismo que gera renda, promove inclusão e fortalece os territórios”, destacou.

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Para os expositores, o espaço também representa uma oportunidade de ampliar mercados e dar visibilidade à produção local.

“É um espaço de conexão com a origem, com os sabores, as histórias e os saberes que representam a força do nosso território. A gente reúne produtores que transformam tradição em valor, com identidade e qualidade. Essa vitrine fortalece a geração de renda e cria oportunidades reais para quem vive da produção local”, afirmou Elivane Medeiros, representante da Mostra Ceará.

Incentivo e inclusão produtiva

Esse movimento é sustentado por políticas públicas e de planejamento já consolidadas no país. A Lei Geral do Turismo reconhece a atividade como ferramenta de desenvolvimento econômico e social, incentivando a integração entre turismo, cultura e produção local.

Nos últimos anos, o MTur também avançou na formalização do segmento. Produtores rurais e agricultores familiares, que oferecem experiências turísticas, já podem se registrar no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur), ampliando o acesso a políticas públicas, crédito e ações de promoção.

Além disso, o Plano Nacional do Turismo (PNT) 2024–2027 estabelece como norma a valorização de experiências autênticas, da sustentabilidade e da inclusão produtiva, com foco na geração de renda e no fortalecimento das economias regionais. O documento orienta ações voltadas ao desenvolvimento do turismo em áreas rurais e à diversificação da oferta turística no país.

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O Salão do Turismo

Pela primeira vez no Nordeste, o Salão do Turismo reúne toda a cadeia produtiva do setor, com programação voltada à geração de negócios, promoção de destinos, capacitação e experiências para o público.

O evento também contempla exposições culturais, gastronomia típica e espaços temáticos que valorizam os territórios, saberes e modos de vida locais, em linha com o Programa de Regionalização do Turismo.

Saiba mais

  • Evento: 10º Salão do Turismo

  • Data: 7 a 9 de maio

  • Local: Centro de Eventos do Ceará – Fortaleza (CE)

  • Entrada: gratuita e aberta ao público

  • Inscreva-se AQUI.

Vai ao Salão? Saiba como chegar.

Vai ao Salão? Confira o que fazer em Fortaleza.

Por Natália Moraes
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo

Fonte: Ministério do Turismo

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Do laboratório à linha de frente: Sandra Coccuzzo transforma pesquisa em resposta concreta à sociedade

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A biomedicina poderia ter levado Sandra Coccuzzo por muitos caminhos. Mas foi no Laboratório de Fisiopatologia do Instituto Butantan que a pesquisadora, ainda estagiária, encontrou o seu lugar. Hoje, doutora em farmacologia e diretora do Centro de Desenvolvimento Científico (CDC), integra o instituto há mais de 30 anos. Nesse percurso, investigou o potencial terapêutico do veneno de serpentes, esteve na linha de frente da pandemia de covid-19 e participou da formação de diversos cientistas. 

O impacto do trabalho ultrapassou os limites do laboratório, especialmente durante a pandemia, quando a ciência passou a ocupar o centro do debate público. Pesquisas antes restritas ao ambiente acadêmico passaram a ser acompanhadas pela população, com expectativa concreta de aplicação em tratamento e cuidado. 

Antes disso, o caminho até a pesquisa foi guiado pela curiosidade. Ainda na graduação, Sandra buscava compreender os mecanismos por trás das doenças. “A biomedicina tem uma característica de te instigar a perguntar, de querer entender o porquê das coisas. E foi isso que me capturou”, afirma. O primeiro contato com o Butantan também veio por meio de outra mulher, que a encaminhou a uma pesquisadora da instituição. O gesto acabou definindo o rumo da sua carreira — e se repetiria ao longo da trajetória. 

Crotoxina 

No Laboratório de Fisiopatologia, passou a investigar o potencial de substâncias presentes no veneno da cascavel, em especial a crotoxina. O que poderia ser visto como elemento nocivo revelou-se, sob determinadas condições, uma fonte promissora para o desenvolvimento de novas terapias. “Existe uma frase na farmacologia: entre o veneno e o remédio está a dose”, explica. 

Os estudos demonstraram que, em concentrações controladas, a toxina pode modular o sistema imunológico, com potencial terapêutico, inclusive em processos inflamatórios e tumorais. Com o avanço das pesquisas, o foco passou a incluir a compreensão detalhada de sua estrutura molecular, possibilitando a reprodução dessas moléculas em laboratório. 

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Esse processo permite transformar um elemento natural em base para medicamentos sem depender da extração contínua de venenos. “A natureza funciona como um protótipo. A gente aprende com ela e consegue reproduzir essas moléculas de forma sintética”, afirma. 

A dimensão do trabalho se ampliou quando os resultados passaram a circular fora do ambiente acadêmico. “Eu comecei a receber cartas de mães com crianças em tratamento. Pessoas que viam na pesquisa uma esperança. Isso não tem preço.” 

O enfrentamento à covid-19 

Esse movimento se intensificou durante a pandemia. “As pessoas passaram a entender o que é ciência, a se interessar. Hoje existe uma expectativa real sobre o que a pesquisa pode trazer para a vida delas”, afirma. 

À frente de estruturas estratégicas do Butantan, Sandra participou da organização de respostas diretas à crise sanitária, incluindo iniciativas voltadas ao diagnóstico molecular e à vigilância do vírus. 

A pesquisa passou a operar em tempo real, com impacto direto sobre decisões em saúde pública. Foi nesse contexto em que ela contraiu covid-19, mantendo-se em isolamento enquanto acompanhava as atividades do instituto, em um momento em que a ciência se consolidava como ferramenta central no enfrentamento da crise. 

Mulher e cientista 

Ao longo dessa trajetória, a presença feminina na ciência aparece como parte do caminho que Sandra precisou sustentar. No Brasil, a participação de mulheres em publicações científicas passou de 38%, em 2002, para 49%, em 2022, segundo relatório da Agência Bori e da Elsevier. Ainda assim, a desigualdade persiste nos espaços de liderança: em 2023, elas ocupavam 45,6% dos grupos de pesquisa, com menor presença em áreas científicas e tecnológicas. 

Sandra reconhece esse peso no próprio percurso. “Tem, sim. Eu tenho uma família extremamente contributiva. Meu marido sempre me deu muito apoio. Mas, nitidamente, você está dobrando sua responsabilidade”, afirma. 

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Ao assumir a direção científica, passou a acumular gestão, produção científica, formação de pesquisadores e captação de recursos. “Eu não posso deixar de ser cientista. Eu não posso deixar de formar pessoas. Eu não posso deixar de recrutar recursos”, resume. 

A maternidade atravessou esse processo. Para sustentar todas as frentes, precisou reorganizar a rotina. “Eu tive que sucumbir o meu tempo de casa para não deixar os pratinhos caírem”, diz. 

A trajetória, no entanto, não foi solitária. Sandra destaca a importância de uma rede de apoio formada por outras mulheres, desde referências no início da carreira até o apoio da mãe, Valéria, e de pesquisadoras e familiares. Mesmo com reconhecimento, as diferenças de tratamento ainda aparecem. “Existem posições que você toma que, se eu fosse homem, seriam acatadas e ovacionadas. Por eu ser mulher, elas são ouvidas e primeiro racionalizadas.” 

Instituída em 2004 por decreto do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) é realizada anualmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com universidades, instituições de pesquisa, agências de fomento, escolas, museus, governos locais, empresas e entidades da sociedade civil. Em 2026, ao adotar como tema as Mulheres e Meninas na Ciência, a iniciativa reforça a centralidade de trajetórias como as de Sandra — pesquisadora cujos trabalhos demonstram, na prática, como a produção científica liderada por mulheres amplia o impacto social da ciência, conecta conhecimento às necessidades da população e contribui para a construção de um sistema científico mais diverso e representativo.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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