Agro
Safra de soja e milho 2025/26 no RS é revisada durante Fenasoja e aponta desafios climáticos e ganho no milho
A segunda estimativa da safra 2025/26 de soja e milho no Rio Grande do Sul foi apresentada durante o Encerramento Nacional da Colheita da Soja, realizado na Fenasoja, em Santa Rosa (RS). Os dados, divulgados pela Emater/RS-Ascar, indicam um cenário desafiador para a soja, impactada pelo clima, e uma revisão positiva para a produção de milho.
O evento integra a programação da Fenasoja, que celebra 60 anos e ocorre entre os dias 1º e 10 de maio no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson, reunindo autoridades, produtores e lideranças do agronegócio.
Soja: produtividade limitada e impacto climático
Na região de Santa Rosa, considerada o Berço Nacional da Soja, a área cultivada chega a 784.008 hectares. A produtividade média estimada é de 2.350 kg por hectare, com produção projetada em 1,84 milhão de toneladas.
A colheita já alcança 77% da área plantada, enquanto 14% das lavouras estão em maturação, 8% em enchimento de grãos e 1% ainda em floração.
Segundo a Emater/RS-Ascar, a variabilidade produtiva é significativa, com registros entre 1.200 kg/ha e 4.200 kg/ha. Fatores como irregularidade das chuvas, manejo e características do solo explicam essa oscilação.
A avaliação técnica aponta que a safra de soja segue altamente sensível às condições climáticas, refletindo diretamente no desempenho das lavouras.
Milho: produção cresce e colheita se aproxima do fim
Diferentemente da soja, o milho apresentou revisão positiva na produção. A estimativa atual aponta para 1.199.830 toneladas, aumento de mais de 66 mil toneladas em relação à previsão inicial.
A área plantada também foi ampliada, passando de 137.501 hectares para 150.204 hectares. Já a produtividade média foi revisada para 7.988 kg/ha, uma leve queda de 3,1% frente à estimativa inicial.
A colheita do cereal está praticamente concluída, com 94% das áreas já colhidas. O restante das lavouras encontra-se em fases finais do ciclo, como enchimento de grãos e maturação.
Apesar do bom desempenho, há alerta para riscos climáticos, especialmente a possibilidade de geadas precoces que podem afetar a finalização das lavouras.
Cenário estadual da safra 2025/26
No Rio Grande do Sul, a área plantada com soja está estimada em 6,62 milhões de hectares, com produtividade média de 2.871 kg/ha e produção total de 19,01 milhões de toneladas.
Para o milho, a área cultivada chega a 803.019 hectares, com produtividade média de 7.424 kg/ha e produção estimada em 5,96 milhões de toneladas.
Clima reforça necessidade de gestão e políticas públicas
Os dados apresentados reforçam o impacto direto das condições climáticas sobre a produção agrícola e os resultados econômicos no campo. A redução na produtividade da soja evidencia perdas relevantes e acende o alerta para a vulnerabilidade climática.
Especialistas destacam a importância de avançar em estratégias como irrigação, manejo eficiente e conservação do solo e da água, além do fortalecimento de políticas públicas voltadas à resiliência da produção agrícola.
Fenasoja reforça protagonismo do agronegócio
A realização do Encerramento Nacional da Colheita dentro da Fenasoja reforça o papel estratégico do evento para o agronegócio brasileiro, promovendo a integração entre produtores, instituições e mercado.
O balanço da safra 2025/26 confirma um cenário de contrastes, com desafios para a soja e maior estabilidade no milho, evidenciando a importância da gestão técnica e do acompanhamento climático para garantir produtividade e competitividade no campo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Safra de cana 2025/26 no Centro-Sul fecha com 611 milhões de toneladas e setor inicia novo ciclo priorizando etanol
A safra 2025/2026 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil foi encerrada com moagem de 611,15 milhões de toneladas, segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). O volume representa uma redução de 10,78 milhões de toneladas frente ao ciclo anterior, impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo do desenvolvimento da lavoura.
Apesar da retração, o ciclo se consolida como a quarta maior moagem da história da região, além de registrar a segunda maior produção de açúcar e etanol.
Moagem e produtividade: clima reduz desempenho agrícola
A produtividade média agrícola ficou em 74,4 toneladas por hectare, queda de 4,1% em relação à safra anterior, conforme dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).
O desempenho foi desigual entre os estados:
- Quedas: São Paulo (-4,3%), Goiás (-9,4%) e Minas Gerais (-15,9%)
- Altas: Mato Grosso (+3,2%), Mato Grosso do Sul (+6,0%) e Paraná (+15,5%)
A qualidade da matéria-prima também recuou. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) ficou em 137,79 kg por tonelada, redução de 2,34% na comparação anual.
Segundo a UNICA, a menor moagem já era esperada diante das condições climáticas observadas durante o ciclo.
Produção de açúcar e etanol: estabilidade e leve recuo
A produção de açúcar totalizou 40,43 milhões de toneladas, praticamente estável frente às 40,18 milhões do ciclo anterior, mas abaixo do recorde histórico de 42,42 milhões registrado em 2023/2024.
Já a produção total de etanol somou 33,72 bilhões de litros, recuo de 3,56% na comparação anual.
O detalhamento mostra movimentos distintos:
- Etanol hidratado: 20,83 bilhões de litros (-7,82%)
- Etanol anidro: 12,89 bilhões de litros (+4,22%), segunda maior marca da série histórica
O etanol de milho ganhou ainda mais relevância, com produção de 9,19 bilhões de litros (+12,26%), representando 27,28% do total produzido no Centro-Sul.
Vendas de etanol: mercado interno segue dominante
No mês de março, as vendas de etanol totalizaram 2,79 bilhões de litros, com forte predominância do mercado doméstico.
- Mercado interno: 2,75 bilhões de litros (-0,06%)
- Exportações: 45,11 milhões de litros (-71,22%)
No consumo interno:
- Etanol hidratado: 1,66 bilhão de litros (+20,25% ante fevereiro)
- Etanol anidro: 1,09 bilhão de litros (+4,80%)
- No acumulado da safra:
- Hidratado: 20,34 bilhões de litros
- Anidro: 13,04 bilhões de litros (+7,08%)
O avanço do anidro foi impulsionado, entre outros fatores, pela implementação da mistura E30 (30% de etanol na gasolina) a partir de agosto de 2025.
Além do impacto econômico — estimado em R$ 4 bilhões de economia para proprietários de veículos flex — o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, recorde histórico do setor.
Nova safra 2026/27 começa com moagem mais forte
A safra 2026/2027 já começou com ritmo acelerado. Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem atingiu 19,56 milhões de toneladas, crescimento de 19,67% frente ao mesmo período do ciclo anterior.
Ao todo, 195 unidades estavam em operação:
- 177 com moagem de cana
- 10 dedicadas ao etanol de milho
- 8 usinas flex
A qualidade da matéria-prima permaneceu estável, com ATR de 103,36 kg por tonelada.
Novo ciclo prioriza etanol e reduz produção de açúcar
O início da nova safra mostra uma mudança clara de estratégia industrial. Apenas 32,93% da cana foi destinada à produção de açúcar na primeira quinzena, enquanto mais de dois terços foram direcionados ao etanol.
- Como consequência:
- Produção de açúcar: 647,21 mil toneladas (-11,94%)
- Produção de etanol: 1,23 bilhão de litros (+33,32%)
- Desse total:
- Hidratado: 879,87 milhões de litros (+18,54%)
- Anidro: 350,20 milhões de litros
- Etanol de milho: 411,94 milhões de litros (+15,06%), com participação de 33,49%
O movimento reflete um cenário de mercado mais favorável ao biocombustível neste início de ciclo.
Vendas na nova safra e expectativa de alta no consumo
Na primeira quinzena da safra 2026/2027, as vendas totalizaram 1,28 bilhão de litros:
- Hidratado: 820,15 milhões de litros
- Anidro: 460,87 milhões de litros
No mercado interno, foram comercializados 1,25 bilhão de litros, enquanto as exportações somaram 28,88 milhões de litros (+18,03%).
A expectativa é de aceleração nas vendas nas próximas semanas, à medida que a queda de preços nas usinas seja repassada ao consumidor final, aumentando a competitividade do etanol frente à gasolina.
CBios: setor já avança no cumprimento das metas do RenovaBio
Dados da B3 até 29 de abril indicam a emissão de 14 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) em 2026.
O volume disponível para negociação já soma 25,13 milhões de créditos. Considerando os CBios emitidos e os já aposentados, o setor já disponibilizou cerca de 60% do total necessário para o cumprimento das metas do RenovaBio neste ano.
Análise: etanol ganha protagonismo em meio a incertezas globais
O início da safra 2026/2027 confirma uma tendência estratégica: maior direcionamento da cana para a produção de etanol, impulsionado por fatores como:
- demanda doméstica consistente
- políticas de descarbonização
- maior previsibilidade no mercado interno
- cenário internacional de incertezas energéticas
Com isso, o setor sucroenergético reforça seu papel na matriz energética brasileira, ao mesmo tempo em que ajusta sua produção às condições de mercado, buscando maior rentabilidade e segurança comercial.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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