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Agro

Produtor rural poderá recuperar ICMS sobre insumos e diesel até 2032

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Os produtores rurais do Estado de São Paulo seguem com o direito de recuperar valores pagos de ICMS sobre insumos utilizados na atividade agrícola, mesmo diante das mudanças previstas pela Reforma Tributária. A possibilidade está mantida até 2032 e considera a recuperação do imposto recolhido nos últimos cinco anos.

Na prática, isso permite que gastos com itens essenciais à produção — como óleo diesel, fertilizantes e embalagens — sejam convertidos em crédito tributário, podendo ser reaplicados diretamente na atividade rural.

Diesel concentra parte relevante dos custos no campo

Entre os principais insumos impactados está o óleo diesel, um dos maiores componentes do custo de produção agrícola. O combustível é utilizado no funcionamento de máquinas, como tratores e colheitadeiras, além do transporte da produção.

Em 2026, a alíquota do ICMS sobre o diesel passou a ser de R$ 1,17 por litro. Com isso, um produtor que consome cerca de 100 mil litros durante um ciclo produtivo pode acumular aproximadamente R$ 117 mil em ICMS embutidos no custo do combustível.

Dependendo da estrutura da operação e da comprovação das aquisições vinculadas à atividade rural, esse valor pode ser recuperado integralmente na forma de crédito tributário.

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Recuperação do ICMS fortalece o planejamento financeiro

De acordo com especialistas, a recuperação do ICMS é um instrumento relevante para a gestão financeira no campo, embora ainda seja pouco explorado por parte dos produtores.

Segundo Viviane Morales, sócia proprietária e diretora administrativa da Lastro, o mecanismo foi criado justamente para reduzir o peso da carga tributária sobre a produção agropecuária.

“Esse crédito existe há anos e, quando recuperado corretamente, retorna ao caixa da propriedade, podendo ser reinvestido na própria atividade produtiva”, afirma.

Mudanças recentes geraram preocupação no setor

O direito à recuperação do ICMS chegou a ser colocado em dúvida recentemente com a publicação do Decreto nº 68.178, que gerou apreensão no setor produtivo ao indicar possíveis restrições ao benefício.

A mobilização de especialistas e representantes do agronegócio ampliou o debate técnico e contribuiu para a manutenção do mecanismo, considerado essencial para a sustentabilidade econômica das propriedades rurais.

Crédito tributário impacta diretamente a rentabilidade

Para Gustavo Venâncio, sócio proprietário e diretor comercial e de marketing da Lastro, a recuperação do imposto tem efeito direto sobre os resultados financeiros da atividade rural.

“O produtor enfrenta custos elevados e, muitas vezes, margens apertadas. Recuperar parte do imposto pago em insumos essenciais contribui para equilibrar as contas e fortalecer o planejamento do negócio”, destaca.

Recuperação até 2032 exige atenção dos produtores

Mesmo com o avanço da Reforma Tributária e a previsão de substituição do ICMS, o direito à recuperação permanece válido até 2032. Diante disso, especialistas recomendam que os produtores acompanhem de perto os valores pagos nos últimos anos.

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Em muitos casos, o montante recuperável pode representar uma economia significativa, além de reforçar o caixa para investimentos em tecnologia, melhoria de processos produtivos e expansão das atividades.

Ferramenta estratégica para o agronegócio paulista

Mais do que um tema tributário, a recuperação do ICMS se consolida como uma ferramenta estratégica de gestão no agronegócio de São Paulo. Ao permitir que parte dos recursos pagos em impostos retorne à produção, o mecanismo contribui diretamente para o fortalecimento e o desenvolvimento das propriedades rurais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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