Agro
Agro bate recordes, mas novo diferencial passa a ser gestão e uso da tecnologia
Após o recorde de 2025, quando o país colheu 346,1 milhões de toneladas de grãos, a safra brasileira entra em fase de acomodação em 2026. A projeção mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica produção entre 340 milhões e 344 milhões de toneladas, leve recuo em relação ao pico histórico. O ajuste não altera a tendência de longo prazo, mas reforça a mudança de perfil do crescimento: com menos espaço para expansão acelerada de área, o avanço do agro passa cada vez mais pela eficiência dentro da porteira, exatamente onde gestão e uso estratégico da tecnologia se tornam decisivos, consolidando um modelo baseado em ganho de produtividade, e não mais em abertura de novas fronteiras.
Esse movimento marca uma mudança de paradigma. Se, no passado, o diferencial estava no acesso a máquinas, sementes e insumos, hoje tecnologias como drones, telemetria, inteligência artificial e agricultura de precisão já se tornaram amplamente disponíveis. Em outras palavras, viraram commodity. O novo eixo competitivo está na capacidade de uso. A vantagem deixa de ser “ter a tecnologia” e passa a ser “decidir melhor com ela”.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), na prática, isso significa transformar dados em ação. “Máquinas modernas geram volumes crescentes de informação sobre solo, clima, produtividade e uso de insumos. Sem interpretação adequada, esse volume pouco agrega. Com gestão, vira redução de custo, aumento de eficiência e previsibilidade de resultado”, lembra o dirigente.
“A própria Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) aponta que a digitalização do agro exige mais do que ferramentas: depende de governança, critérios operacionais e capacidade de gestão das informações. O uso isolado de tecnologia não sustenta ganhos no longo prazo”, continua.
“Além da eficiência produtiva, a tecnologia passou a cumprir outro papel estratégico: atender às exigências de mercado. Monitoramento de lavouras, rastreabilidade e controle de emissões deixaram de ser diferencial e passaram a ser requisito em cadeias cada vez mais pressionadas por critérios ambientais e de transparência”.
O presidente do IA, lembra que o setor vive uma transição silenciosa, mas decisiva. “Durante muitos anos, o produtor buscou acesso à tecnologia como forma de ganhar escala e produtividade. Isso funcionou e foi fundamental para o crescimento do agro brasileiro. Mas hoje esse acesso está disseminado. O que diferencia é a capacidade de usar essas ferramentas de forma integrada, com estratégia e disciplina de gestão”.
Segundo ele, o desafio deixou de ser técnico e passou a ser gerencial. “O produtor que não consegue interpretar os dados que gera dentro da própria fazenda está perdendo eficiência sem perceber. A inteligência artificial, por exemplo, já permite antecipar problemas, ajustar manejo e reduzir custo. Mas isso exige organização, processo e, principalmente, tomada de decisão baseada em informação, não em percepção”.
Rezende também destaca que a nova fase do agro exige mudança na forma de liderar o negócio rural. “A próxima fronteira não é tecnológica, é de gestão. Envolve capacitação de pessoas, integração de equipes e visão de longo prazo. Quem conseguir transformar dado em decisão vai operar com mais margem, mais eficiência e mais segurança. Quem não fizer isso vai ter dificuldade em um cenário cada vez mais competitivo”.
Nesse ambiente, o campo passa por uma profissionalização mais profunda. A gestão deixa de ser intuitiva e passa a ser orientada por indicadores. O uso de tecnologia deixa de ser diferencial isolado e passa a depender de processos bem definidos.
O resultado é um agro mais eficiente, mas também mais exigente. Produzir mais já não é suficiente. O que está em jogo agora é produzir melhor, com menor custo, maior controle e decisões mais rápidas.
Fonte: Pensar Agro
Agro
Desenrola Rural vai até 20 de dezembro. Saiba aqui como renegociar
Produtores rurais têm até o próximo dia 20 de dezembro para regularizar débitos do Pronaf e fundos constitucionais sob as regras do Desenrola Rural. Com o semestre final se aproximando, especialistas alertam que a demora na busca pela agência bancária pode significar a perda de condições especiais de parcelamento e descontos de até 96%.
A medida, que visa dar fôlego financeiro aos produtores em um cenário de custos elevados e impacto climático na safra, é uma tentativa de estancar a inadimplência no setor, que já ultrapassa a marca de 8%, segundo dados da Serasa Experian. O programa foca na regularização de débitos de pequenos produtores, permitindo descontos que chegam a 96% sobre encargos e prazos de até 10 anos para o pagamento.
O benefício não é universal. A regra vale exclusivamente para contratos de crédito rural firmados entre 2012 e 2022, especificamente nas operações do Pronaf e nos financiamentos via Fundos Constitucionais (FCO, FNO e FNE). O enquadramento ignora o tamanho da propriedade, focando estritamente na natureza da dívida. Ao formalizar a adesão, o produtor tem o nome retirado dos cadastros de restrição ao crédito, o que devolve a capacidade de tomar novos financiamentos para a safra — peça-chave para a sobrevivência da atividade agrícola.
O principal gargalo para o sucesso do programa está na ponta do atendimento bancário. Especialistas em Direito Agrário alertam que instituições financeiras costumam ignorar a política pública para oferecer “pacotes internos” de renegociação, que frequentemente carecem das vantagens garantidas pelo programa federal.
A recomendação para o produtor ir à agência bancaria munido dos contratos e exigir, expressamente, a aplicação das regras do Desenrola Rural. Aceitar soluções genéricas oferecidas pelo banco sem comparar com as condições federais é um erro que pode custar a rentabilidade da propriedade e o acesso ao crédito no longo prazo.
O Desenrola Rural, contudo, ignora o médio e o grande produtor, que também sofrem com a crise de rentabilidade do setor. Sem uma política pública universal, esse perfil de produtor depende da aplicação rigorosa do Manual de Crédito Rural (MCR) para a reestruturação de suas dívidas. Na prática, a falta de flexibilidade voluntária dos bancos tem forçado esses produtores a buscar o Poder Judiciário para garantir o direito de repactuar débitos sem colocar em risco a viabilidade do negócio.
Guia prático
Para garantir o direito à renegociação sob as regras do Desenrola Rural e evitar as armadilhas dos “pacotes genéricos” dos bancos, a preparação documental é o passo mais estratégico. O produtor deve encarar a ida à agência não como um pedido de favor, mas como uma formalização de direito garantido pelo programa federal.
Antes de comparecer à agência, o produtor deve organizar um dossiê completo. A falta de um único documento pode ser usada como justificativa pelo gerente para negar o enquadramento ou direcionar o cliente para outras linhas de crédito com juros mais altos.
Documentação essencial
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Identificação Pessoal: RG e CPF (ou CNH) atualizados do titular do crédito.
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Comprovação da Propriedade: Matrícula atualizada do imóvel rural, além do Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) e a última declaração do Imposto Territorial Rural (ITR). Esses documentos atestam a regularidade da área e são fundamentais para o histórico de crédito junto à instituição.
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Cédula de Crédito Rural ou Contrato: Este é o documento central. É ele que prova a origem da dívida (se Pronaf ou Fundos Constitucionais como FCO, FNO ou FNE) e o período de contratação (entre 2012 e 2022). Caso o documento original tenha sido extraviado, o produtor deve solicitar formalmente uma cópia autenticada ou declaração detalhada à própria agência antes da data da renegociação.
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Extrato atualizado da dívida: Levar o demonstrativo do débito facilita a identificação imediata da operação na tela do gerente e evita divergências de valores na simulação do acordo.
Postura no atendimento
O advogado Gian Tozini, especialista em Direito Agrário, reforça que a documentação serve como escudo contra ofertas pouco vantajosas.
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Exija o enquadramento: Ao apresentar os documentos, o produtor deve solicitar expressamente a aplicação das condições do Desenrola Rural. Se o gerente informar que “o sistema não libera”, o produtor deve pedir uma justificativa por escrito ou o número de protocolo do atendimento.
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Não assine sem conferir: É comum que instituições ofereçam renegociações internas, que raramente trazem os descontos de até 96% previstos pelo programa federal. O produtor deve recusar qualquer proposta comercial que não apresente as condições estabelecidas pela norma do governo.
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Formalize a recusa: Caso a agência insista em ignorar o programa, o produtor tem o direito de registrar uma reclamação no Banco Central, munido do protocolo de atendimento negado.
A organização prévia destes documentos é o que define se a renegociação será uma solução eficiente para o fluxo de caixa da propriedade ou apenas uma postergação de um problema financeiro. O prazo final para essa regularização é 20 de dezembro de 2026.
Fonte: Pensar Agro
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