Paraná
Estado e BRDE firmam compromissos com RPPNs no projeto de créditos de biodiversidade
O Governo do Paraná e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) deram nesta segunda-feira (30) um passo decisivo no projeto-piloto de créditos de biodiversidade do Estado. O secretário do Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca, e o diretor-presidente do BRDE, Renê Garcia Júnior, assinaram os compromissos de execução do projeto com os representantes de sete Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) selecionadas.
A assinatura consolida a fase seguinte de uma política pública que colocou o Paraná na dianteira internacional do tema. Instituída pela Resolução Sedest nº 53, de 21 de outubro de 2024, a Política Estadual de Créditos de Biodiversidade tornou o Estado o primeiro governo subnacional do mundo a adotar esse mecanismo de incentivo à preservação ambiental.
“Hoje damos um passo concreto rumo a um Paraná mais sustentável. Recebo com entusiasmo a assinatura destes termos, que reforçam a importância de apoiar quem preserva. Os proprietários das RPPNs são guardiões da nossa biodiversidade, e este projeto valoriza esse compromisso com o futuro”, afirmou o secretário Rafael Greca.
Na prática, o projeto cria uma remuneração para proprietários que mantêm áreas privadas protegidas e conseguem demonstrar ganho líquido de conservação. Os créditos de biodiversidade são certificados que representam saldo positivo na preservação e na restauração do meio ambiente, gerados a partir de projetos que protegem ou ampliam áreas naturais. Eles funcionam como um instrumento econômico de reconhecimento dos serviços ecossistêmicos prestados por essas reservas.
O projeto-piloto é resultado de uma parceria entre a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest) e o BRDE, com aporte de até R$ 2 milhões. Pelo desenho institucional adotado, o Estado viabiliza a geração e a certificação dos créditos, enquanto o banco atua como comprador desses ativos ambientais, por meio do Fundo Verde.
Para Renê Garcia Júnior, o projeto ajuda a transformar conservação ambiental em valor concreto para a sociedade. “Esse projeto mostra que é possível aproximar preservação e instrumento financeiro de forma responsável e bem estruturada”, afirmou o diretor-presidente do BRDE.
As sete RPPNs classificadas na etapa final do edital são Bellatrix, representada por Leonardo Clausi; Vilar, por Beti Dalla Pria Pires; Antenor Rival Crema, por José Orlando Crema; Reserva Natural do Alpinista Waldemar Niclevicz, por Waldemar Niclevicz; Fazenda Paiquerê, por Joséli Bittencourt; Itáytyba, por Lúcia Arnt; e Alegrete, por João de Castro Novacki.
A classificação final foi publicada em janeiro deste ano, após análise técnica das candidaturas segundo critérios como área prioritária para conservação, região fitogeográfica, existência de plano de manejo e atividades econômicas compatíveis com o espaço protegido.
Com a formalização dos compromissos, essas reservas entram na etapa de implementação. O processo prevê diagnóstico ambiental, elaboração de plano de ação e avaliação por entidade independente. Só depois dessa verificação os créditos são efetivamente gerados e validados, para então serem vendidos ao BRDE a preço fixo.
O modelo também estabelece uma lógica de pagamento vinculada a desempenho. Cada crédito será adquirido inicialmente por R$ 25, após a certificação do primeiro ano. Se, ao fim do segundo ano, houver confirmação da execução integral do plano de ação, o valor sobe para R$ 37,50 por crédito. O limite é de até 1,6 mil créditos por RPPN ao ano, com pagamento máximo de R$ 40 mil no primeiro ciclo e de R$ 60 mil no segundo, desde que os compromissos de melhoria ambiental sejam plenamente cumpridos.
EDITAL – No desenho do edital, a adesão foi restrita a proprietários pessoa física com RPPNs localizadas no Paraná, com documentação regular e sem pendências tributárias ou ambientais, entre outros critérios. A seleção foi pensada como projeto-piloto de dois anos, voltado a estruturar um modelo paranaense de geração de incentivos financeiros ligados à conservação da biodiversidade.
A iniciativa também se conecta à estratégia socioambiental do BRDE. Lançado em 2022, o Fundo Verde do banco destina 1,5% do lucro anual da instituição a projetos de impacto socioambiental positivo com recursos não reembolsáveis. No caso dos créditos de biodiversidade, o banco passou a funcionar como agente de demanda, ajudando a dar valor econômico a ativos ambientais produzidos por reservas privadas.
PRESENÇAS – A formalização, realizada na sede do BRDE, em Curitiba, contou também com a participação do o diretor administrativo do banco, Heraldo Neves, do diretor de Patrimônio Natural do Instituto Água e Terra (IAT), Rafael Andreguetto, do superintendente do BRDE no Paraná, Paulo Starke, e do diretor-presidente do Simepar, Paulo de Tarso.
Fonte: Governo PR
Paraná
Paraná registra 1.802 atendimentos no projeto de Insulina Glargina para diabetes
A Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa), a convite do Ministério da Saúde (MS), iniciou uma parceria com o órgão federal para implementação do projeto-piloto visando a ampliação do acesso à insulina Glargina. A iniciativa tem como objetivo fortalecer o cuidado e melhorar a qualidade de vida de pacientes com diabetes mellitus, principalmente daqueles que enfrentam dificuldades no controle da glicemia com os tratamentos convencionais.
O diabetes é uma doença crônica caracterizada pelo aumento dos níveis de glicose no sangue e exige acompanhamento contínuo, mudanças no estilo de vida e, em muitos casos, uso diário de medicamentos e insulina. A doença também é um importante fator de risco para complicações cardiovasculares, especialmente quando não há controle adequado da glicemia.
Implementado em fevereiro deste ano, o projeto já atendeu no Paraná 1.802 pacientes até o dia 20 de maio de 2026. O Estado recebeu uma remessa de 19.891 unidades de canetas reutilizáveis de insulina Glargina para atendimento da população contemplada pelo programa.
De acordo com o secretário da Saúde do Paraná, César Neves, o projeto busca ampliar a assistência aos pacientes e avaliar os resultados clínicos da utilização da medicação na rede pública de saúde. “A proposta é oferecer um tratamento mais eficiente para pacientes que apresentam dificuldades no controle glicêmico. O acompanhamento adequado contribui para reduzir complicações e melhorar significativamente a qualidade de vida dessas pessoas”, afirmou.
O tratamento contempla novos diagnósticos e a migração de pacientes que utilizam a insulina NPH, conforme indicação médica. O público atendido nesta fase inclui idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 e tipo 2, além de crianças e adolescentes entre 2 e 17 anos com diabetes tipo 1. O projeto também prevê monitoramento dos pacientes atendidos, com avaliação médica e acompanhamento multiprofissional realizado pelas equipes de saúde.
AÇÃO PROLONGADA – Segundo o médico endocrinologista e coordenador da Saúde do Adulto no Departamento de Atenção Primária à Saúde da SMS Curitiba, Alexei Volaco, a insulina Glargina é um análogo de insulina, ou seja, um medicamento que teve sua molécula modificada para alterar suas características de ação. “Essa modificação estrutural faz com que a insulina tenha absorção mais lenta após a aplicação subcutânea, proporcionando uma ação prolongada de até 24 horas, sem picos de ação”, explicou.
O endocrinologista reforça que o controle adequado do diabetes depende de fatores como alimentação equilibrada, prática de atividade física, adesão ao tratamento e acompanhamento regular. “O uso correto da insulina, aliado aos cuidados diários, ajuda a prevenir complicações graves da doença e proporciona mais segurança e qualidade de vida ao paciente”, completou.
PREVENÇÃO E IDENTIFICAÇÃO – Além da distribuição do medicamento, a iniciativa também destaca a importância da prevenção e da identificação precoce do diabetes. Entre os sinais mais comuns da doença estão sede intensa, aumento da vontade de urinar, fadiga, emagrecimento sem causa aparente e alterações na visão.
A paciente Martha Notburga Rosniecek, de 90 anos, que participa do projeto-piloto, relata melhora significativa no controle da glicemia após o início do tratamento com a insulina Glargina. ‘Estou me dando muito bem com essa nova insulina. Parece que ela é melhor do que a outra que eu usava. Depois que comecei o tratamento, meus exames melhoraram bastante e a glicemia ficou mais controlada no dia a dia. Isso me trouxe mais tranquilidade e segurança’, relatou.
Segundo ela, o acompanhamento realizado pelas equipes de saúde também tem contribuído para melhorar a qualidade de vida. Hoje consigo acompanhar melhor os resultados e percebo que os níveis diminuíram bastante. Acho que melhorou muito”, afirmou Martha.
Para Antônio José Bertulino, de 83 anos, a utilização da insulina Glargina trouxe melhora significativa no controle da glicemia e mais qualidade de vida. “Antes eu tinha muita dificuldade para controlar o diabetes. Mesmo usando a outra insulina, a glicemia chegava a níveis muito altos. Depois que comecei a usar a insulina Glargina, melhorou bastante. Hoje, em alguns dias, a medição fica em 90, 87. Isso traz mais tranquilidade e segurança. Ter acesso gratuito a esse medicamento pela rede pública está sendo muito bom e fez diferença na minha saúde”, relatou.
PRODUÇÃO NACIONAL – A adoção desta estratégia pelo Ministério da Saúde (MS) é uma resposta à escassez global das insulinas humanas, NPH e regular, registrada desde 2023. Para reduzir a vulnerabilidade do país e fortalecer a produção nacional, foi formalizada em abril de 2025 a Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) de insulina Glargina.
Fonte: Governo PR
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