Agro
Macfor e Ana Rosado Comunicação contestam cassação de prêmios da ABMRA e apontam falhas no processo
A agência Macfor e a Ana Rosado Comunicação divulgaram um posicionamento conjunto contestando a decisão da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA) de cassar prêmios concedidos durante a 23ª Mostra de Comunicação do Agro. Segundo as empresas, a medida é inédita na história do evento e levanta questionamentos sobre critérios, transparência e condução do processo.
Cassação de prêmios é considerada inédita no setor
De acordo com o posicionamento, em um intervalo de poucos dias, a ABMRA determinou a cassação de duas premiações concedidas à Macfor. O case “O Ano das Cooperativas”, premiado com Bronze, teve o reconhecimento cancelado em março de 2026. Já o case “O Agro no Comando Delas”, vencedor do Ouro, ainda não teve o troféu entregue.
As agências destacam que a sequência de decisões é considerada inédita nos mais de 20 anos da premiação, especialmente por envolver temas estratégicos para o agronegócio, como cooperativismo e protagonismo feminino.
Cases premiados tiveram validação técnica e reconhecimento externo
Segundo as empresas, os dois trabalhos foram regularmente inscritos, avaliados por um júri especializado e premiados em outubro de 2025.
O case “O Agro no Comando Delas” é descrito como um estudo proprietário que aponta crescimento de 79% na presença de mulheres em cargos de liderança no agronegócio entre 2017 e 2024. O material teria sido desenvolvido com base em dados reais, com apoio institucional e ampla divulgação em veículos de imprensa.
Além disso, o projeto também recebeu reconhecimento internacional ao conquistar prêmio no Prêmio Lusófonos da Criatividade, o que, segundo as agências, reforça sua legitimidade.
Debate sobre consentimento do cliente gera controvérsia
Um dos principais pontos de contestação diz respeito à exigência de consentimento formal do cliente. Segundo a Macfor, o regulamento da premiação prevê essa exigência, mas não especifica formato, prazo ou meio de comprovação.
As agências afirmam que houve participação ativa da cooperativa Coplacana na construção do case “O Ano das Cooperativas”, incluindo entrevistas, conteúdos e autorização para divulgação na mídia, o que configuraria consentimento material.
Em posicionamento próprio, a Coplacana confirmou que autorizou entrevistas e a utilização de conteúdo, mas negou qualquer envolvimento na decisão de cancelamento do prêmio.
Coplacana nega participação em cancelamento
A Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana) esclareceu que não atuou como denunciante nem como responsável pela cassação do prêmio Bronze.
A entidade informou que apenas respondeu a questionamentos formais e solicitou a retirada de seu nome de comunicados relacionados ao caso, reforçando que não teve participação direta no processo de cancelamento.
A cooperativa também destacou manter relação institucional transparente tanto com a Macfor quanto com a ABMRA.
Agências questionam condução e critérios do processo
No posicionamento, Macfor e Ana Rosado Comunicação apontam uma série de inconsistências na condução do processo por parte da organização da Mostra. Entre os principais pontos levantados estão:
- Exigência de critérios não previstos originalmente no regulamento;
- Prazos considerados curtos para apresentação de documentos;
- Ausência de notificação formal individualizada;
- Falta de transparência sobre auditorias externas mencionadas;
- Decisão tomada pela organização, e não pelo júri técnico.
As empresas destacam que, conforme o regulamento, as decisões do júri são soberanas e não passíveis de recurso, o que, segundo elas, não teria sido respeitado.
Cronologia dos fatos levanta dúvidas
As agências também chamam atenção para a linha do tempo do caso. A premiação ocorreu em outubro de 2025, enquanto os primeiros questionamentos surgiram apenas em dezembro.
Já as decisões de cassação foram oficializadas em março de 2026, após solicitações de documentos com prazos considerados limitados pelas empresas.
Para a Macfor, esse intervalo levanta questionamentos sobre a motivação e a consistência das decisões adotadas.
Contexto competitivo é citado pelas empresas
Outro ponto mencionado no posicionamento é o ambiente competitivo do setor. A Macfor destaca que patrocina iniciativas que concorrem com a Mostra da ABMRA, o que, segundo a agência, pode ter influenciado o contexto das decisões.
As empresas afirmam que cabe ao mercado avaliar a relação entre os acontecimentos e o cenário competitivo da comunicação no agronegócio.
Repercussão no mercado e manifestações públicas
O caso tem gerado repercussão entre profissionais do setor, com manifestações públicas em apoio às agências e questionamentos sobre a decisão da entidade organizadora.
Segundo a Macfor, o episódio reflete uma discussão mais ampla sobre critérios, governança e transparência em premiações do agronegócio.
Medidas jurídicas e transparência
Diante do cenário, Macfor e Ana Rosado Comunicação informaram que estão adotando medidas jurídicas cabíveis.
As empresas também disponibilizaram documentação para veículos de imprensa, incluindo regulamento da premiação, comunicações com a organização, dados dos estudos e materiais publicados.
Posicionamento oficial reforça contestação
No comunicado conjunto, as agências destacam cinco pontos principais:
- Os cases são reais, verificáveis e de interesse público;
- O regulamento da premiação foi integralmente cumprido;
- Exigências adicionais teriam sido introduzidas após a premiação;
- O processo não garantiu amplo direito de defesa;
- A cassação em sequência levanta questionamentos legítimos.
Perspectivas para o setor
O caso deve continuar repercutindo no mercado de comunicação do agronegócio, especialmente diante da possibilidade de judicialização.
Além disso, o episódio amplia o debate sobre transparência, critérios de avaliação e governança em premiações do setor, em um momento em que temas como cooperativismo e protagonismo feminino ganham cada vez mais relevância no agro brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Conectividade no campo cresce 15% e acelera avanço da agricultura digital no Brasil
A conectividade no campo brasileiro avançou de forma expressiva nos últimos anos e já se consolida como um dos principais pilares da transformação digital do agronegócio. Dados da Anatel e do Ministério das Comunicações mostram que 82,8% dos municípios brasileiros registraram melhora nos indicadores de conectividade no último ano, refletindo diretamente no ambiente rural.
Nas áreas agrícolas, o crescimento também chama atenção. Levantamento realizado pela ConectarAGRO em parceria com a Universidade Federal de Viçosa aponta que a área agricultável conectada no Brasil saltou de 18,7% para 33,9% entre 2023 e 2025, avanço de aproximadamente 15 pontos percentuais.
O movimento acompanha a crescente demanda do setor por tecnologias como agricultura de precisão, sensores inteligentes, telemetria em tempo real e operação de máquinas autônomas.
Digitalização rural pode movimentar US$ 500 bilhões até 2030
A expansão da infraestrutura digital no campo ganhou ainda mais relevância diante das projeções internacionais para o setor. Estudo da McKinsey & Company estima que a conectividade rural poderá gerar impacto superior a US$ 500 bilhões no Produto Interno Bruto global até 2030.
Segundo o relatório, somente o mercado ligado à operação online de máquinas autônomas pode alcançar US$ 60 bilhões nos próximos anos, impulsionado pela automação agrícola e pela integração de dados em tempo real.
Para especialistas do setor, a conectividade deixou de ser apenas suporte operacional e passou a ocupar papel estratégico na gestão das propriedades rurais.
Telemetria, drones e IA ampliam demanda por redes robustas
De acordo com Pedro Reinaldo, CEO da LOViZ, o avanço tecnológico no agro exige redes cada vez mais estáveis e de alta capacidade.
“O campo vive uma transformação acelerada, em que drones, irrigação inteligente, sensores IoT e sistemas de telemetria dependem de transmissão contínua de dados. Sem conectividade adequada, o produtor perde eficiência operacional e capacidade de tomada de decisão”, afirma o executivo.
A adoção de tecnologias baseadas em inteligência artificial também intensifica a necessidade de estabilidade de sinal, principalmente em propriedades que operam equipamentos autônomos e plataformas integradas de monitoramento.
Relevo e distância ainda desafiam expansão da conectividade rural
Apesar da evolução dos indicadores, a cobertura em áreas rurais ainda enfrenta obstáculos importantes. Regiões afastadas, propriedades extensas e topografias acidentadas dificultam a entrega de sinal estável pelas redes tradicionais de telecomunicações.
Nesse cenário, soluções personalizadas de conectividade vêm ganhando espaço no agronegócio. A LOViZ desenvolveu o sistema Agro Connect, voltado à implantação de redes adaptadas às características geográficas e operacionais de cada propriedade.
Segundo a empresa, o objetivo é garantir baixa latência e estabilidade para aplicações ligadas à automação, sensores inteligentes e inteligência artificial no campo.
Internet no campo também melhora qualidade de vida e retenção de mão de obra
Além dos ganhos de produtividade, a expansão da banda larga rural também traz impactos sociais relevantes. O acesso à internet de alta performance melhora a comunicação, o acesso à educação e os serviços digitais nas propriedades rurais.
Especialistas destacam ainda que a conectividade contribui para retenção de talentos no campo, um dos desafios enfrentados atualmente pelo agronegócio brasileiro.
Com o avanço da agricultura digital, a expectativa do mercado é que a infraestrutura de conectividade se torne um diferencial competitivo decisivo para o setor nos próximos anos, sustentando o crescimento da automação, da inteligência operacional e da gestão baseada em dados no campo brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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