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COP15: conheça as espécies migratórias do Brasil e as ações para sua conservação

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A partir desta segunda-feira (23/3) até 29 de março, o Brasil sedia a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS, na sigla em inglês). Realizado em Campo Grande (MS), o evento coloca no centro do debate global a necessidade de implementar políticas públicas internacionais que garantam a sobrevivência das 1.189 espécies protegidas pelo tratado.

“As espécies migratórias não reconhecem fronteiras. Por isso, protegê-las exige o que há de melhor na cooperação internacional: ciência compartilhada, compromissos conjuntos e ação coordenada”, destaca a ministra do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

Para o secretário-executivo do MMA e presidente da COP15, João Paulo Capobianco, o país assume um papel de liderança proativa no encontro. “O Brasil não apenas sedia a COP, mas conduz propostas de conservação das espécies migratórias. Chegamos a Campo Grande com a agenda mais robusta que o país já apresentou na história desta Convenção, liderando pelo exemplo com a recente criação das Unidades de Conservação (UCs) no Rio Grande do Sul, cruciais para a proteção das espécies migratórias não apenas nacional como globalmente”, afirma.

A urgência do encontro é reforçada pelos dados do relatório Estado das Espécies Migratórias do Mundo (2024), que aponta que uma em cada cinco espécies listadas pela CMS está em risco de extinção devido a ameaças como a perda de habitat e a emergência climática. Por este motivo, as Partes debaterão na COP15 a necessidade de incluir 42 novas espécies migratórias à listagem oficial.

Como ação concreta de salvaguarda, o governo brasileiro oficializou, em 6 de março, a criação do Parque Nacional Marinho do Albardão (com mais de 1 milhão de hectares) e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Albardão (55,9 mil hectares), em Santa Vitória do Palmar (RS). Albardão é hoje a maior UC marinha do país, elevando a proteção da Zona Econômica Exclusiva para cerca de 26,73% e aproximando o Brasil da meta global de proteger 30% dos ambientes marinhos até 2030 (Marco de Kunming-Montreal).

Espécies migratórias em destaque

Do total de espécies protegidas atualmente pela Convenção, 962 são aves e as demais distribuem-se entre mamíferos terrestres (94), mamíferos aquáticos (64), peixes (58), répteis (10) e um inseto. Grande parte desses animais silvestres transita pelo território brasileiro. O deslocamento dos animais exige medidas de conservação integradas entre os países vizinhos a fim de fortalecer corredores ecológicos capazes de conectar biomas e acompanhar o trânsito natural das espécies.

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No âmbito da CMS, uma espécie é considerada migratória quando sua população, ou parte dela, cruza fronteiras entre países ao longo do ciclo de vida, em busca de alimento, água, locais seguros para reprodução e temperaturas mais adequadas, entre outros motivos. Esses deslocamentos dependem da manutenção de corredores ecológicos e da conectividade entre habitats, que compõem um dos eixos estruturantes do debate na COP15.

Os animais são protegidos por meio de dois mecanismos principais: o Anexo I, que lista as espécies em perigo de extinção que exigem proteção rigorosa dos países, e o Anexo II, que abrange as espécies que possuem um estado de conservação desfavorável e que se beneficiariam de acordos internacionais e ações conjuntas para seu manejo. No Brasil, essa proteção é operacionalizada por meio dos Planos de Ação Nacional (PANs), coordenados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae)

Com uma população estimada em 34,5 mil indivíduos na costa brasileira, é protegida pelo PAN Cetáceos Marinhos. A espécie realiza migrações anuais de áreas de alimentação na Antártida para águas tropicais brasileiras, como o Banco dos Abrolhos, para reprodução e cria. No âmbito da CMS, está incluída no Anexo I.

Onça-pintada (Panthera onca)

Símbolo da biodiversidade terrestre, embora não realize migrações sazonais de longa distância como as aves, depende da conectividade entre fragmentos de biomas para manter o fluxo gênico. É protegida pelo PAN Grandes Felinos e foi incluída nos Anexos I e II da CMS após proposta liderada pelo Brasil, visando a cooperação internacional para corredores transfronteiriços.

Tartaruga-verde (Chelonia mydas)

Espécie migratória marinha que percorre milhares de quilômetros entre áreas de alimentação e desova. No Brasil, praias protegidas pelo PAN Tartarugas Marinhas e pelo Projeto TAMAR são fundamentais para o sucesso reprodutivo da espécie, listada no Anexo I da Convenção.

Tubarão-mangona (Carcharias taurus)

Classificado como Criticamente em Perigo de Extinção, este predador de águas costeiras integra iniciativas de conservação como como o PAN Tubarões. Sua proteção exige o controle da pesca dirigida, especialmente por meio de redes de emalhe. Em 2020, também foi estabelecida uma agenda de conservação transfronteiriça entre Brasil, Uruguai e Argentina, voltada à proteção da espécie.

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Bagres Migratórios

Espécies como a Dourada (Brachyplatystoma rousseauxii) realizam a maior migração de água doce do mundo, viajando do estuário do rio Amazonas até as cabeceiras nos Andes para desovar. O Pintado (Pseudoplatystoma corruscans), que ocorre principalmente nas bacias dos rios São Francisco e da Prata, e a Piramutaba (Brachyplatystoma vaillantii), característica da Bacia Amazônica, também dependem de sistemas fluviais sem barragens para sobrevivência. Na COP15, o Brasil propõe a inclusão do Pintado no Anexo II. Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela e Brasil vão apresentar de forma conjunta na Conferência a criação de um Plano de Ação Multiespécies para os Bagres Migratórios Amazônicos.

Albatroz-errante (Diomedea exulans)

Ave marinha de grande porte que voa por todos os oceanos do hemisfério sul. No Brasil, é protegida pelo Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Albatrozes e Petréis (PLANACAP), que trabalha na implementação de medidas para reduzir a captura incidental por frotas pesqueiras de espinhel.

Maçarico-acanelado (Calidris subruficollis)

Pequena ave que percorre 30 mil quilômetros anuais entre o Ártico e a América do Sul. Dependente de campos naturais úmidos, como os do sul do Brasil e do Pantanal, sofre com o declínio de habitats e é protegida pelo PAN Aves Limícolas Migratórias. Integra também o Memorando de Entendimento para a Conservação das Espécies Migratórias de Aves dos Campos Sulinos da América do Sul e dos Seus Habitats (MoU Pastizales).

Sobre a CMS e a COP15

A CMS é um tratado ambiental das Nações Unidas, em vigor desde 1979, que promove a conservação de espécies migratórias, seus habitats e rotas em escala global.

A COP é a principal instância decisória da CMS, em que 132 países e a União Europeia se reúnem para atualizar as listas de espécies protegidas pelo acordo, o orçamento do Secretariado da CMS e resoluções que orientam políticas públicas e iniciativas de conservação ao redor do mundo. O encontro ocorre a cada três anos.

A CMS reúne governos, cientistas, povos indígenas, comunidades tradicionais, sociedade civil e especialistas em vida silvestre para enfrentar desafios relacionados à conservação da fauna migratória em escala global.

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
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(61) 2028-1227/1051
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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Brasil

Ministério da Saúde amplia diálogo com movimentos sociais na preparação do SUS para impactos do El Niño

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O Ministério da Saúde apresentou, nesta quarta-feira (23), estratégias para preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) para os impactos das mudanças climáticas e de fenômenos como o El Niño. Durante a roda de conversa virtual “El Niño 2026/2027 e saúde: participação social e resposta nos territórios” foram discutidas a preparação e a resposta do SUS diante das emergências climáticas e os desafios para a saúde pública nos diferentes territórios. 

O evento foi iniciado com uma palestra do secretário-executivo substituto do Ministério da Saúde, Nilton Pereira Júnior, que apresentou um panorama sobre o planejamento do SUS para esses desafios.  A roda de conversa reuniu, além de representantes do Ministério da Saúde, movimentos sociais, conselhos, lideranças, pesquisadores e diferentes territórios, com o objetivo de compartilhar informações sobre o tema e ouvir experiências, preocupações e propostas. 

Na abertura, foi destacada a importância de manter um diálogo permanente com os movimentos sociais para o enfrentamento dos impactos climáticos, considerando as desigualdades entre os territórios. O diálogo resultou em uma lista de desafios que foram agrupados por áreas para orientar a elaboração de propostas. 

SUS se prepara para os desafios

A partir de outubro, o Brasil entra em uma janela de maior atenção, que se estende até março de 2027, com riscos diferentes de acordo com cada território. A estratégia do Ministério da Saúde considera previsões climáticas, histórico de eventos, vulnerabilidades e capacidade de resposta local.

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No Sul, a maior probabilidade de chuvas intensas, temporais e inundações, especialmente na primavera, orientou ações como o fortalecimento da Força Nacional do SUS em Porto Alegre, a atuação dos Centros de Informação em Saúde e Clima em Porto Alegre e Curitiba, planos de contingência para chuvas intensas, linhas de cuidado em saúde mental pós-desastre e emissão de alertas e boletins para qualificação das equipes.

No Nordeste e Sudeste, onde os principais riscos incluem calor extremo, temperaturas acima da média e ondas de calor, o SUS ampliou medidas de proteção, como o Mapa de Calor Extremo, zonas de resfriamento, pontos de hidratação e preparação da rede assistencial com protocolos específicos. No Nordeste, a estratégia também considera a estiagem severa, com bases da Força Nacional do SUS em Salvador, Recife e Fortaleza e envio antecipado de medicamentos. No Sudeste, há ainda a atuação da Força Nacional no Rio de Janeiro e do Centro de Informação em Saúde e Clima em Belo Horizonte. 

No Norte e Centro-Oeste, a preparação considera principalmente seca, estiagem, calor intenso e risco de queimadas e incêndios florestais. Entre as medidas estão bases da Força Nacional do SUS em Porto Velho, Manaus, Belém, Campo Grande e Brasília; Centros de Informação em Saúde e Clima em Santarém, Belém e Cuiabá; o Painel de Poluição Atmosférica e Saúde Humana; informes sobre queimadas; Mapa de Calor Extremo; zonas de resfriamento e pontos de hidratação. 

Na Amazônia, a estratégia foi reforçada pela ampliação da atenção básica, com 24,9% de crescimento no número de equipes de saúde, 24,6% de aumento da frota de UBS Fluviais e 95% de ampliação das pessoas vinculadas às equipes de Saúde da Família e Saúde da Família Ribeirinha entre 2023 e 2026. 

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Próximas etapas 

O secretário-executivo substituto Nilton Pereira Junior destacou que a proposta do Ministério da Saúde é garantir uma resposta rápida às populações afetadas, com responsabilidade sanitária e adequada aplicação dos recursos públicos. “O governo federal tem o papel de dialogar, estabelecer parcerias e oferecer apoio técnico e financeiro aos estados e municípios. Entre as medidas estão recursos emergenciais, medicamentos e profissionais da Força Nacional do SUS, que conta com bases regionais para apoiar os territórios conforme a necessidade. A participação dos movimentos sociais e dos conselhos de saúde também é fundamental para mobilizar gestores e ampliar o acesso às ofertas do governo federal”, afirmou. 

Como encaminhamento do evento, o Ministério da Saúde irá sistematizar as contribuições apresentadas, encaminhar as demandas às áreas responsáveis e, quando necessário, promover articulação intersetorial no Governo Federal. Também está prevista a disponibilização dos materiais do encontro, a continuidade do diálogo com movimentos sociais e territórios e o aprimoramento das ações de preparação e resposta, considerando as diferentes realidades locais. 

Jaciara França
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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