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Política Nacional

Banco Master: gestão fraudulenta limita atuação de auditores, dizem debatedores

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Auditores independentes têm barreiras para identificar fraudes quando a alta administração está envolvida nas irregularidades, disseram especialistas na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) nesta terça-feira (17). Eles foram ouvidos em audiência pública realizada pelo grupo de trabalho que acompanha as investigações sobre as fraudes do Banco Master. 

Presidente da CAE, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou que os relatórios de auditoria podem ajudar a proteger os investidores grandes e pequenos.

— As auditorias independentes existem justamente para reduzir a desigualdade de informação entre as partes. Em mercados complexos, a confiança nesse meio se baseia muito na transparência e na precisão dos dados.

A Polícia Federal (PF) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investigam um esquema de manipulação do mercado financeiro com suposta participação de gestores do banco Master.

Ativos superdimensionados

O senador Esperidião Amin (PP-SC) pediu sugestões legislativas aos convidados para que reguladores e auditores identifiquem os chamados “ativos podres”, que supostamente deram aparência de solidez ao Banco Master.

Como exemplo, o senador afirmou que o esquema supervalorizou ativos do antigo Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), incorporado pelo Banco do Brasil em 2008. O senador comparou a falsificação no patrimônio das empresas envolvidas com a impressão de dinheiro em uma “Casa da Moeda”.

— Essas cártulas foram avaliadas por R$ 850 milhões e depois contabilizadas no patrimônio por R$ 6 bilhões, e fica por isso? A auditoria tem que chegar ao mérito da questão: o fundamento do valor atribuído ao bem. Ou acabar com a “Casa da Moeda”.

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Profissionais capacitados

O representante da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Fabio Pinto Coelho defendeu que o país precisa de um regime jurídico específico para precificar os ativos financeiros de difícil mensuração. Os responsáveis pela avaliação deverão ter conhecimento do mercado e responsabilidades definidas.

— O problema está associado à questão da prática: quem fez essa mensuração? Quem está gerando esses problemas? Não parece ser um problema normativo. Dos 135 países que adotam as normas internacionais para estabelecer o valor justo, a gente não vê esse tipo de problema nessa dimensão. 

O senador Jorge Kajuru (PSB-GO) questionou se os auditores independentes que atuam em bancos possuem “conhecimento técnico para identificar os reais valores dos ativos financeiros”.

Em resposta, o presidente do Conselho Federal de Contabilidade, Joaquim de Alencar Bezerra Filho, assegurou que os auditores possuem conhecimento técnico por terem “formação de 40 horas mínimas de capacitação” e certificação do Conselho que reprova 70% dos graduados em ciências contábeis.

Limitações

A auditoria independente só tem acesso a informações previamente aprovadas pela diretoria, disse o diretor técnico do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil, Rogerio Lopes Mota. A natureza da tarefa dificulta ao auditor identificar fraudes.

— A gente tem muita dificuldade quando uma fraude é cometida usando entidades que estão fora da empresa, o que aparenta ser o caso [do banco Master], que usou fundos de investimento.

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Bezerra ainda considerou que erros de auditoria são raras e reflexo de falhas anteriores nos outros departamentos de fiscalização e boas práticas da empresa.

— [A auditoria independente] é um instrumento poderoso de governança, mas não substitui a responsabilidade da administração. A auditoria não fornece certeza absoluta, [mas] oferece segurança razoável, porque trabalha com teses e amostragens.

O presidente do CFC ainda defendeu que os auditores independentes tenham acesso ao Registrato do Banco Central, sistema que permite consultar informações financeiras sobre a empresa, como Pix, empréstimos e transferências internacionais. Assim, o auditor teria informações mais amplas que a simples amostragem.

Projeto de lei

Bezerra e Mota apoiaram o Projeto de Lei (PL) 2.581/2023, que incentiva a denúncia de delitos no mercado financeiro com a recompensa para informantes, como forma de fortalecer a credibilidade do setor financeiro. O texto do senador Sergio Moro (União-PR) foi aprovado pelo Senado em 2024 e está sob análise dos deputados.

A profissão

O fundador da Trevisan Escola de Negócios, Antoninho Marmo Trevisan, explicou que o auditor “não é policial nem fiscalizador”. O profissional deve atestar a conformidade de uma instituição com as normas e as boas práticas. 

O relatório da auditoria independente deve ser enviado aos supervisores da empresa e aos órgãos reguladores, esclareceu Trevisan.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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CAE busca acordo com governo antes de votar renegociação de dívidas rurais

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A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) fará uma nova rodada de negociações com o Ministério da Fazenda antes de votar, ainda nesta terça (26), o projeto de lei que cria uma linha de financiamento — com recursos do Fundo Social do Pré-Sal — para a renegociação de dívidas de produtores rurais.

O projeto (PL 5.122/2023) tem como relator o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que é o presidente da CAE.

O texto, de autoria do deputado federal Domingos Neto (PSD-CE), previa inicialmente que os recursos desse fundo deveriam beneficiar os produtores rurais prejudicados por calamidades públicas. Renan alterou a proposta para ampliar os casos em que os produtores podem ser beneficiados. 

Busca de consenso

Renan ressaltou, durante a reunião da comissão na manhã desta terça-feira, que o novo encontro com representantes da equipe econômica tem o objetivo de buscar consenso sobre alguns pontos.

— Há pouco falamos novamente com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que mais uma vez fez um apelo no sentido de equacionar os pontos cujo acordo ainda não aconteceu. Nós ficamos de ter uma outra reunião ainda hoje — informou ele.

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Segundo o presidente da CAE, a intenção é construir um entendimento para incorporar na proposta as alterações sobre as quais houver consenso.

— Temos defendido que o acordo [entre a CAE e o Ministério da Fazenda] seja transformado no próprio projeto de lei. Se houver acordo sobre todos os pontos, que esse acordo esteja no projeto que será aprovado aqui na Comissão de Assuntos Econômicos — reiterou.

Por outro lado, Renan disse que a votação na comissão ocorrerá mesmo que não haja consenso total entre governo e parlamentares.

— Nós vamos votar hoje o projeto. Já passamos três semanas conversando, vamos conversar hoje outra vez, mas isso não acontecerá em detrimento da votação do projeto — enfatizou.

Diálogo

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também defendeu a busca do entendimento antes da votação. Ao argumentar que houve avanço nas negociações, ela afirmou que o governo demonstrou abertura para discutir ajustes no texto, incluindo no que se refere ao enquadramento de dívidas e ao Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) — uma emenda aceita por Renan amplia a participação da União nesse fundo.

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— Não adianta nós votarmos um projeto e depois ele ser vetado. O ministro [Dario Durigan], desde o início, se mostrou interessado em dar continuidade ao fundo garantidor. Caminhamos, demos passos adiante. Agora vamos continuar. Como disse o senador Renan, temos várias alternativas — ponderou a senadora.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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