Agro
Conflito no Oriente Médio pode elevar custos do agronegócio e pressionar crédito rural, aponta estudo
A intensificação do conflito no Oriente Médio após a intervenção dos Estados Unidos no Irã pode gerar efeitos relevantes sobre o agronegócio brasileiro. A avaliação faz parte do relatório “Cenário do Agronegócio”, elaborado pela consultoria Bateleur e apresentado durante a Expodireto Cotrijal, realizada em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul.
Segundo o estudo, a instabilidade geopolítica pode pressionar custos de produção e logística no setor agropecuário, especialmente por meio da elevação dos preços do petróleo, de fertilizantes e de outros insumos estratégicos para a produção agrícola.
Apesar das incertezas externas, o relatório mantém perspectivas positivas para o desempenho da agropecuária brasileira e projeta crescimento da economia do Rio Grande do Sul nos próximos anos.
Conflito pode impactar inflação e juros no Brasil
De acordo com o relatório, os efeitos do conflito podem ultrapassar o setor energético e atingir a economia global por meio da inflação.
A elevação de custos nas cadeias produtivas e a volatilidade nos mercados internacionais tendem a influenciar decisões de política monetária em diversos países. No Brasil, esse cenário pode dificultar um ciclo mais acelerado de redução das taxas de juros.
O estudo aponta que, combinada à pressão inflacionária decorrente da desvalorização cambial e do repasse de custos globais, a instabilidade externa pode limitar o ritmo de cortes na taxa Selic.
Esse ambiente tende a impactar diretamente o crédito rural, reduzindo as perspectivas de diminuição das taxas de juros do Plano Safra e encarecendo o financiamento para produtores rurais.
Estreito de Ormuz eleva preços do petróleo e custos logísticos
Outro ponto de preocupação destacado no relatório é a possível interrupção parcial do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
Restrições nessa passagem marítima podem provocar aumentos significativos no preço da commodity e gerar impactos em toda a cadeia logística global.
Segundo a análise apresentada na Expodireto, o fechamento parcial da rota provocou elevação nos preços do petróleo e aumento generalizado dos custos de transporte.
“O fechamento do canal gerou um entrave logístico extremamente relevante, resultando em uma disparada nos preços do petróleo e, por consequência, no aumento sistêmico do custo logístico global”, destaca o relatório.
Além disso, alterações nas rotas marítimas e o encarecimento do frete internacional podem gerar efeitos indiretos sobre diversas commodities agrícolas.
Fertilizantes entram no radar do agronegócio
O Oriente Médio também possui papel relevante no fornecimento global de fertilizantes, insumos essenciais para a produção agrícola.
Qualquer restrição na oferta desses produtos pode elevar custos ao longo de toda a cadeia do agronegócio, impactando desde a produção de grãos até a pecuária, por meio do aumento no preço das rações.
O estudo destaca a forte dependência brasileira das importações de fertilizantes.
“No Brasil, cerca de 85% dos fertilizantes utilizados são importados, e aproximadamente um terço da ureia vem do Oriente Médio. Esse cenário torna o setor particularmente sensível a choques de oferta e de preços”, aponta o relatório.
Aumento do custo da energia pode afetar mercados globais
Outro efeito potencial da crise geopolítica é o aumento dos custos de energia em polos industriais estratégicos, como a China.
Como o país asiático é o principal comprador de diversas commodities brasileiras, mudanças em sua dinâmica econômica podem influenciar o comércio internacional e pressionar a inflação global.
Esse cenário pode gerar reflexos sobre decisões de política monetária em várias economias e afetar os investimentos no Brasil.
Exportações brasileiras para o Oriente Médio podem ser afetadas
No comércio exterior, o Oriente Médio é um importante destino para diversos produtos do agronegócio brasileiro.
Entre os principais itens exportados pelo Brasil para a região estão:
- carne de frango
- carne bovina
- milho
- açúcar
Eventuais bloqueios logísticos ou dificuldades comerciais podem provocar impactos temporários na demanda desses produtos, exigindo que o Brasil redirecione parte das exportações para outros mercados internacionais.
Acordo Mercosul-União Europeia pode abrir novas oportunidades
Apesar das incertezas geopolíticas, o relatório aponta que o cenário internacional também pode trazer oportunidades para o agronegócio brasileiro.
Um dos fatores citados é o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que tende a ampliar o acesso do setor agrícola brasileiro a novos mercados nos próximos anos.
Embora o acordo também represente maior concorrência para a indústria nacional, ele pode fortalecer a presença internacional das commodities agrícolas brasileiras.
Safra recorde no Brasil reforça perspectivas positivas
Mesmo diante das tensões externas, as perspectivas para a produção agrícola brasileira seguem positivas.
O relatório aponta que a safra nacional de grãos 2025/2026 pode alcançar 353,4 milhões de toneladas, estabelecendo um novo recorde de produção.
No Rio Grande do Sul, a estimativa é de 38,9 milhões de toneladas, indicando recuperação após perdas provocadas por eventos climáticos nos últimos ciclos produtivos.
Economia do Rio Grande do Sul pode crescer acima da média nacional
Com a expansão da renda gerada pelo agronegócio, o estudo projeta impactos positivos em diversos setores da economia.
O crescimento da atividade agropecuária tende a impulsionar investimentos em máquinas agrícolas, indústria e comércio, fortalecendo a economia regional.
Segundo a projeção apresentada na Expodireto Cotrijal, a economia do Rio Grande do Sul pode crescer 3,02% em 2026, ritmo superior à média nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Soja brasileira caminha para safra recorde de 182 milhões de toneladas e reforça liderança global em 2026
A soja brasileira segue consolidando sua posição como principal protagonista do agronegócio mundial. De acordo com o relatório AgroInfo Junho 2026, divulgado pelo Rabobank, o Brasil deverá colher uma safra histórica de 182 milhões de toneladas na temporada 2025/26, volume que representa um acréscimo de 10 milhões de toneladas em comparação ao ciclo anterior.
O resultado reflete a combinação entre expansão moderada da área cultivada e condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, fortalecendo ainda mais a competitividade do país no mercado internacional.
Produção recorde fortalece oferta brasileira
Segundo a análise do RaboResearch Food & Agribusiness, o desempenho da safra brasileira confirma o elevado potencial produtivo do setor, mesmo em um ambiente global marcado por incertezas geopolíticas e oscilações nos preços das commodities.
Além do crescimento da produção, a demanda pela oleaginosa continua apresentando sinais robustos, sustentando perspectivas positivas para toda a cadeia produtiva.
Exportações seguem em ritmo acelerado
As exportações brasileiras de soja mantêm forte desempenho em 2026. Dados compilados pelo Rabobank mostram que os embarques entre janeiro e maio registraram crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.
A expectativa é que o Brasil exporte aproximadamente 113 milhões de toneladas ao longo do ano, estabelecendo um novo recorde e ampliando em cerca de 5 milhões de toneladas o volume embarcado em comparação a 2025.
Mesmo diante da valorização do real frente ao dólar e do aumento dos custos logísticos internos, a soja brasileira continua altamente competitiva no mercado global, especialmente em relação aos principais concorrentes internacionais.
Mercado internacional influencia preços
Durante o primeiro semestre de 2026, os preços da soja foram fortemente impactados pelo cenário geopolítico internacional.
A expectativa de exportações expressivas dos Estados Unidos para a China ajudou a sustentar as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT), enquanto o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã impulsionou os preços do petróleo e dos óleos vegetais, incluindo o óleo de soja.
Esse movimento levou os contratos da oleaginosa a alcançarem níveis próximos de US$ 12,20 por bushel em março. Entretanto, a valorização observada em Chicago não se refletiu integralmente nos preços recebidos pelos produtores brasileiros.
A combinação entre prêmios mais baixos nos portos e a valorização do real limitou os ganhos no mercado interno, mantendo as cotações em reais relativamente estáveis ao longo do período.
Esmagamento cresce com margens mais atrativas
Outro destaque do relatório é o fortalecimento da indústria de processamento.
Mesmo com o adiamento do aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, as margens de esmagamento foram beneficiadas pela valorização do óleo de soja.
No primeiro trimestre de 2026, o volume processado atingiu 14,3 milhões de toneladas, crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2025.
A tendência é que a demanda por derivados continue sustentando o avanço do esmagamento ao longo do ano.
Clima nos Estados Unidos e El Niño entram no radar
Nas últimas semanas, os fundamentos de mercado voltaram a assumir protagonismo na formação dos preços globais.
O avanço do plantio e as boas condições das lavouras norte-americanas pressionaram as cotações da soja em Chicago, que registraram queda próxima de 5% durante junho.
Segundo o Rabobank, caso o clima continue favorável nos Estados Unidos, os preços poderão sofrer novas correções no curto prazo.
Por outro lado, após o início da colheita norte-americana, a atenção dos investidores deverá migrar para a América do Sul, especialmente para os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a safra brasileira 2026/27.
Perspectivas para o produtor
Apesar da volatilidade dos mercados internacionais e das incertezas climáticas para a próxima temporada, o cenário para a soja brasileira permanece amplamente favorável.
A combinação entre safra recorde, crescimento das exportações, aumento do esmagamento e forte demanda global reforça o papel estratégico da cultura para o agronegócio nacional.
No entanto, produtores devem acompanhar atentamente fatores como o comportamento do clima, a evolução da demanda chinesa, os custos logísticos e os movimentos do câmbio, que continuarão exercendo influência direta sobre a rentabilidade do setor nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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