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Paraná deve confirmar safra recorde de soja com 22 milhões de toneladas em 2026

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Colheita de soja avança e confirma desempenho recorde no Paraná

O Paraná caminha para confirmar uma safra recorde de soja, com produção estimada em 22 milhões de toneladas na temporada 2025/26 — resultado semelhante ao ciclo 2022/23, que atingiu 22,3 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados no boletim semanal do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab).

Na última semana, foram colhidos cerca de 347 mil hectares de soja, o que representa 20% da área total plantada. A colheita está mais avançada na região Oeste, responsável por 18% dos 5,78 milhões de hectares cultivados neste ciclo.

Segundo o técnico Edmar Gervasio, do Deral, o estado deve responder por 13% da produção nacional, mantendo a segunda posição entre os maiores produtores de soja do Brasil.

A produção nacional de soja para a safra 2025/26 é estimada em 176 milhões de toneladas, o que, se confirmado, marcará um novo recorde histórico para o país, de acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Preço da soja cai no mercado interno apesar de alta internacional

Apesar do bom desempenho no campo, o mercado da soja enfrenta queda de preços no Paraná. Na última semana, a saca de 60 kg foi negociada a R$ 112, valor 6% inferior ao de fevereiro de 2025.

A diferença contrasta com o cenário internacional, onde as cotações na Bolsa de Chicago registraram alta de cerca de 10%. Segundo o Deral, a valorização do real frente ao dólar, com queda de aproximadamente 9% na cotação da moeda americana, explica a divergência entre os mercados.

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Frango mantém liderança nacional em exportações

O Paraná consolidou-se como o maior produtor e exportador de frango do Brasil, respondendo por 40,8% do volume exportado e 38,9% da receita cambial do país.

Em 2025, o estado embarcou 2,1 milhões de toneladas de carne de frango, totalizando US$ 3,7 bilhões em faturamento.

Os dados da Agrostat Brasil/Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento apontam que, embora o volume nacional tenha crescido 0,1%, houve queda de 1,9% na receita. As exportações de carne de frango “in natura” recuaram 5,9%, passando de 4,85 milhões de toneladas em 2024 para 4,56 milhões em 2025, o que reduziu o faturamento do produto em 5%.

Cafeicultura paranaense mantém estabilidade, mas preços recuam

A produção de café no Paraná deve permanecer estável em 2026, segundo o técnico Carlos Hugo Godinho, do Deral.

Em 2025, foram colhidas 44,3 mil toneladas em 25,2 mil hectares. Para 2026, a expectativa é de 42,8 mil toneladas, uma queda de 3%, mas com possibilidade de recuperação devido às boas condições de campo.

Os preços, entretanto, estão em retração. A média de R$ 1.892 por saca registrada na primeira semana de fevereiro é 23% inferior à do mesmo período de 2025 (R$ 2.446,64).

Com custos médios em torno de R$ 1.100 por saca, o setor ainda opera com margem positiva, mas sofre com a substituição de áreas de café por grãos.

Batata sofre queda de preços com excesso de oferta

O Paraná cultiva 26,8 mil hectares de batata em duas safras anuais. A primeira safra, plantada entre agosto e novembro, cobre 16,7 mil hectares, dos quais 86% já foram colhidos.

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Os núcleos regionais de Curitiba, Guarapuava, Pato Branco, Ponta Grossa e União da Vitória respondem por 96% da produção estadual.

De acordo com Paulo Andrade, do Deral, a produção total deve chegar a 555 mil toneladas, com 80% já comercializadas.

O preço médio da batata lisa caiu 16% em janeiro, fechando a R$ 26,04 por saca de 25 kg, enquanto no atacado o valor ficou 15% menor, a R$ 52,15. No varejo, o preço médio recuou de R$ 3,44 para R$ 3,30 por quilo, resultado do excesso de oferta nacional, que pressiona a rentabilidade dos produtores.

Produção de suínos registra maior rentabilidade em cinco anos

A suinocultura paranaense encerrou 2025 com a maior rentabilidade desde 2020, alcançando R$ 1,03 por quilo de margem média entre preço e custo de produção.

Segundo Priscila Marcenovicz, do Deral, o resultado representa um alento ao setor, que enfrentou prejuízos entre 2021 e 2022 e só voltou a crescer a partir de 2023.

O lucro variou de R$ 0,58/kg em janeiro a R$ 1,45/kg em outubro, um aumento médio de 41,7% ao longo do ano.

Para o início de 2026, espera-se redução nas margens, reflexo da menor demanda sazonal. Em janeiro, o preço pago ao produtor foi de R$ 6,94/kg, uma queda de 1,8% em relação a dezembro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Bactérias nativas da macadâmia avançam como bioinsumos contra doenças e podem revolucionar manejo da cultura no Brasil

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Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista, da Embrapa Meio Ambiente e da empresa QueenNut identificaram bactérias nativas da macadâmia com elevado potencial para o controle biológico de doenças que afetam a produtividade e a longevidade dos pomares no Brasil.

Os estudos apontam que microrganismos dos gêneros Bacillus e Serratia apresentaram alta eficiência no combate à queima dos racemos e à podridão do tronco, consideradas atualmente dois dos principais problemas fitossanitários da cultura. A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de bioinsumos agrícolas mais sustentáveis e alinhados às exigências do mercado consumidor.

Controle biológico ganha força na macadamicultura brasileira

As pesquisas fazem parte da tese de doutorado do pesquisador Marcos Abreu, desenvolvida na Unesp sob orientação do pesquisador Bernardo Halfeld, da Embrapa Meio Ambiente.

Os trabalhos tiveram origem em um amplo levantamento fitossanitário iniciado em 2018 e concluído em 2024, que mapeou as principais doenças presentes nos cultivos comerciais de macadâmia na principal região produtora do país.

Segundo os pesquisadores, o estudo representou um marco para a cadeia produtiva ao organizar, pela primeira vez, informações detalhadas sobre os principais patógenos da cultura no Brasil.

A partir desse diagnóstico, os cientistas passaram a buscar alternativas sustentáveis de manejo sanitário capazes de reduzir perdas produtivas e diminuir a dependência de agroquímicos.

Bactérias nativas combatem a queima dos racemos

Um dos estudos concentrou esforços no controle da queima dos racemos, doença causada pelo fungo Cladosporium xanthochromaticum. O problema compromete diretamente as estruturas florais da macadâmia, reduzindo a formação dos frutos e causando prejuízos expressivos em condições favoráveis ao desenvolvimento do fungo.

Os pesquisadores utilizaram bactérias naturalmente presentes nas flores da própria macadâmia para avaliar o potencial de controle biológico do patógeno.

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Ao todo, foram isoladas 104 bactérias obtidas diretamente das flores da cultura. Entre os microrganismos avaliados, destacaram-se Serratia ureilytica e Bacillus subtilis, que apresentaram elevada capacidade de reduzir tanto a incidência da doença quanto a esporulação do fungo.

A redução da produção de esporos é considerada estratégica porque diminui a disseminação da doença dentro dos pomares, reduzindo novas infecções e limitando o avanço do problema sanitário.

Microrganismos atuam por múltiplos mecanismos

Os estudos mostraram ainda que os microrganismos atuam de forma simultânea por diferentes mecanismos biológicos.

Entre eles estão:

  • Produção de compostos antifúngicos voláteis e não voláteis;
  • Competição por nutrientes;
  • Inibição direta do crescimento do fungo;
  • Redução da capacidade de disseminação do patógeno.

Segundo os pesquisadores, o fato de as bactérias serem nativas da própria cultura representa um diferencial importante, já que os microrganismos apresentam maior adaptação às condições naturais da planta e maior capacidade de sobrevivência no campo.

Outro resultado relevante foi a compatibilidade da maioria das bactérias com defensivos agrícolas utilizados na macadâmia, permitindo futura integração em programas de manejo integrado de doenças.

A única restrição observada foi a sensibilidade da bactéria Serratia ureilytica a compostos à base de cobre.

Bacillus apresenta resultados promissores contra podridão do tronco

O segundo estudo avaliou o controle biológico da podridão do tronco, doença causada pelo fungo Lasiodiplodia pseudotheobromae.

Considerada uma das enfermidades mais severas da macadâmia, a doença provoca lesões em tecidos lenhosos, morte de ramos e, em situações mais graves, pode levar à perda total das plantas.

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Os experimentos realizados em mudas enxertadas demonstraram que bactérias como Bacillus velezensis e Bacillus subtilis conseguiram reduzir significativamente a severidade das lesões provocadas pelo fungo.

Os cientistas também identificaram que a combinação entre cultivares e porta-enxertos influencia diretamente os níveis de resistência da planta e a eficiência do controle biológico.

Algumas combinações apresentaram menor suscetibilidade à doença, indicando potencial para programas de melhoramento genético e seleção de materiais mais resistentes.

Integração entre genética, biologia e manejo deve transformar o setor

Os resultados reforçam a tendência de integração entre controle biológico, resistência genética e manejo agronômico na construção de sistemas produtivos mais sustentáveis para a macadâmia.

Enquanto a queima dos racemos compromete diretamente a produção de frutos, a podridão do tronco afeta o estabelecimento das mudas e reduz a longevidade dos pomares.

Segundo os pesquisadores, o uso de bioinsumos à base de bactérias nativas pode ampliar a eficiência do manejo sanitário, reduzir impactos ambientais e aumentar a competitividade da cadeia produtiva brasileira.

Apesar dos avanços, ainda serão necessárias novas etapas antes da adoção comercial em larga escala, incluindo o desenvolvimento de formulações dos bioinsumos e análises de viabilidade econômica.

Para Bernardo Halfeld, o futuro do manejo fitossanitário da macadâmia será baseado em estratégias integradas.

“A tendência é que o manejo de doenças evolua para abordagens integradas, combinando biologia, genética e práticas agronômicas. O controle biológico tem potencial para ocupar papel central nesse processo”, destaca o pesquisador.

Com os avanços das pesquisas, a cadeia da macadâmia ganha novas perspectivas para elevar produtividade, reduzir perdas e fortalecer a sustentabilidade da cultura no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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