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IPPE 2026 destaca automação, sustentabilidade e bem-estar animal como eixos da nova geração da produção de proteína

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IPPE 2026 consolida tendências para o futuro da proteína animal

A International Production & Processing Expo (IPPE) 2026, realizada em Atlanta (EUA), reforçou sua posição como um dos principais eventos globais da indústria de proteína animal, reunindo fabricantes, especialistas e produtores para discutir os rumos do setor.

Segundo análise de Glauber Marafon, Diretor de Negócios Proteína na Grain & Protein Technologies América do Sul, a feira funcionou como um termômetro estratégico para identificar tendências que devem orientar decisões técnicas e investimentos ao longo do ano.

“A IPPE 2026 mostrou uma indústria cada vez mais orientada pela eficiência, pela integração tecnológica e pela previsibilidade operacional”, destacou Marafon.

Automação e uso de dados impulsionam a eficiência produtiva

Entre as tendências mais evidentes da edição deste ano, o avanço da automação e da integração de sistemas foi um dos principais destaques. O controle ambiental das granjas está migrando para modelos mais inteligentes e conectados, que utilizam dados em tempo real para reduzir a variabilidade produtiva e otimizar a performance dos lotes.

Essa evolução vem acompanhada de uma pressão crescente por eficiência operacional, impulsionada pelo aumento dos custos energéticos e de insumos. A meta das empresas é alcançar maior produtividade por área instalada, com uso racional de recursos e redução de perdas ao longo da cadeia.

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Bem-estar animal e sustentabilidade ganham papel estratégico

O bem-estar animal, antes tratado como diferencial competitivo, passou a ser parte essencial da base tecnológica das operações. As soluções voltadas à ambiência, conforto térmico e precisão no manejo agora estão diretamente associadas ao desempenho produtivo e à rentabilidade.

Ao mesmo tempo, a sustentabilidade deixou de ser apenas uma diretriz conceitual e passou a orientar decisões práticas de investimento. Os projetos apresentados durante o evento enfatizaram eficiência energética, redução de desperdícios e adequação às normas ambientais e de mercado.

“Hoje, a sustentabilidade é vista como um pilar operacional. Ela não apenas reduz custos, mas garante acesso a mercados e fortalece a imagem da cadeia produtiva”, analisou Marafon.

Integração tecnológica define novo modelo produtivo

A IPPE 2026 também evidenciou o avanço da integração de sistemas produtivos, com destaque para soluções que conectam equipamentos, automação e gestão de dados.

As marcas que compõem a Grain & Protein Technologies — como a Cumberland, voltada à automação e ambiência, e a Tecno, especializada em equipamentos e manejo — apresentaram tecnologias que permitem uma abordagem integrada de produção, alinhada às transformações da indústria global.

“O setor caminha para uma convergência tecnológica em que automação, dados e sustentabilidade atuam de forma sinérgica para garantir previsibilidade e desempenho”, afirmou Marafon.

América do Sul ganha protagonismo no cenário global

Outro ponto relevante foi a forte presença de profissionais sul-americanos, reforçando a importância crescente da região na produção mundial de proteína animal.

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A feira mostrou um ambiente mais técnico, conectado e aberto à adoção de tecnologias que ofereçam retorno comprovado sobre o investimento, com foco em competitividade e resultados mensuráveis.

“A América do Sul se consolida como uma referência em eficiência produtiva e capacidade de adoção tecnológica. O potencial da região é estratégico para o equilíbrio global do setor”, destacou o executivo.

Conclusão: tecnologia e integração serão essenciais em 2026

Como síntese, a IPPE 2026 sinaliza uma mudança estrutural na produção de proteína animal. A tomada de decisão baseada em dados, aliada à eficiência energética e à integração operacional, passa a definir o novo padrão de competitividade global.

Nesse contexto, a tecnologia deixa de ser um diferencial e se consolida como requisito fundamental para garantir desempenho consistente, previsibilidade e sustentabilidade na cadeia de proteína animal.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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