Brasil
Balanço do MJSP registra R$ 9,5 bilhões retirados do crime organizado e 1,44 mil toneladas de maconha apreendidas
Brasília, 10/02/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apresentou, nesta terça-feira (10), os resultados de sua atuação em 2025. O balanço incluiu números da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e anunciou ações e projetos da nova gestão. Entre os destaques estão os R$ 9,5 bilhões retirados do crime organizado pela PF e as 1,44 mil toneladas de maconha apreendidas em conjunto pelas forças.
Segundo o ministro, algumas áreas são essenciais para reduzir a criminalidade. O combate ao feminicídio foi apontado como prioridade. “Precisamos ir além das operações e apreensões, promovendo iniciativas que mudem a cultura e o comportamento da sociedade em relação aos crimes contra mulheres”, disse.
Outro ponto de atenção são os roubos e furtos de celulares. “Esses crimes afetam diretamente os cidadãos. Estamos preocupados com eles e vamos usar inteligência para cruzar dados e gerar respostas mais eficientes. Há iniciativas em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) que vão trazer mudanças culturais no combate a esses crimes. Queremos acabar com a banalização dos furtos”, acrescentou.
Articulação
O ministro também destacou a articulação com outras instituições para dar continuidade às iniciativas da pasta. “Nos últimos 18 dias, nos reunimos com o Congresso Nacional, procuradores de Justiça, chefes de polícia, comandantes do Exército e representantes da sociedade civil, formando uma mobilização que tem dado certo. Há necessidade de ações coordenadas para desmantelar o crime organizado. O ataque às redes criminais precisa de métodos sistemáticos”, afirmou.
O secretário Nacional de Políticas Penais (Senappen) do MJSP, André Garcia, anunciou que será apresentado um novo projeto para as penitenciárias federais. “O sistema penitenciário realiza um trabalho silencioso, mas essencial. Queremos levar essa estrutura aos estados, com protocolos e equipamentos que aumentem a segurança e o controle. Não basta prender, é preciso manter os presos incomunicáveis. A proposta é criar um Centro Nacional de Inteligência Penal, que vai permitir trabalhar com dados nacionais e reforçar o monitoramento de presos extramuros”, disse Garcia.
Para o secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, a atuação do MJSP em parceria com os estados é fundamental para o sucesso de programas e operações de combate à violência. “Não há como falar de segurança sem integrar os entes federados. Uma das principais armas do Brasil contra o crime organizado é essa união. Não atuamos de forma imediata isolada; as ações são desenvolvidas em coordenação com os estados para asfixiar o crime material e de inteligência”, explicou.
Chico Lucas destacou também o trabalho da pasta na aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/2025 de Segurança Pública e a atenção ao combate ao feminicídio como prioridade. “Vamos reduzir a subnotificação, considerando a questão cultural, e integrar mulheres que passam pelo ciclo da violência às redes de proteção, fortalecendo centros de inteligência”, completou.
Principais números do balanço
A Polícia Rodoviária Federal apreendeu 719 toneladas de maconha, 44,3 toneladas de cocaína e 48,3 milhões de maços de cigarro ilegal. A PRF também recolheu 1.134 armas, mais de 59 mil munições e recuperou 7.924 veículos.
O diretor-geral da PRF, Antônio Fernando, afirmou que a atuação da instituição está se expandindo. “Com apoio do presidente Lula e do MJSP, ampliamos o alcance da PRF. Ingressamos pela primeira vez na Ameripol – Comunidade de Polícias das Américas, que aumenta o potencial de resultados da nossa atuação. No trânsito, realizamos mudanças significativas, religando equipamentos de segurança nas rodovias. A má conduta no trânsito causa mortes e prejuízos”, disse.
Na Polícia Federal, os dados mostram recorde na apreensão de drogas e redução no tempo de entrega de passaportes. Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Fernandes, 2025 foi desafiador, mas os resultados compensaram. “Realizamos mais de 4 mil operações contra cadeias de combustível, desvio de recursos públicos, crimes contra o sistema financeiro e corrupção. A PF não persegue nem protege criminosos; trabalhamos com provas, autonomia investigativa e escalonamos o combate ao crime de alto nível”, afirmou.
A descapitalização do crime organizado pela PF atingiu R$ 9,5 bilhões em 2025, resultado de apreensões em imóveis, aviões, carros, bloqueio de contas e dinheiro em espécie. Além disso, 42,5 mil pessoas foram indiciadas e mais de 44 mil inquéritos realizados, com duração média de 452 dias. No combate às drogas, a PF apreendeu mais de 73.181 kg de cocaína, 721.163,68 kg de maconha e indiciou 1.512 pessoas nas fronteiras.
“As Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCO) nos permitem capilaridade na descapitalização do crime. Foram R$ 169 milhões retirados do crime. A cooperação entre as forças é genuína e queremos expandir o projeto. A criação da Diretoria de Crimes Cibernéticos possibilitou 1.171 operações, sendo 1.077 voltadas à proteção de crianças e adolescentes”, declarou Andrei Fernandes.
No âmbito administrativo, a PF emitiu 2,5 milhões de passaportes em 2025, com atendimentos ágeis que, em alguns casos, levaram apenas dois dias para emissão.
Brasil
População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral
Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).
A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.
“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.
A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.
As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.
Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.
“Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.
Próximos passos
Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.
Comunidades quilombolas
Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.
Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.
Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.
Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
-
Agro3 dias agoNovo acesso
-
Esportes4 dias agoPalmeiras goleia o Santos por 3 a 0 e encaminha classificação à semifinal da Copa do Brasil
-
Agro6 dias agoMP das dívidas rurais entra na reta final sem garantir renegociação aos produtores
-
Agro5 dias agoMercado de sementes de R$ 47 bilhões abre congresso hoje
-
Brasil2 dias agoAVISO DE PAUTA
-
Brasil4 dias agoMinistério da Saúde prorroga permanência de médicos especialistas até fevereiro de 2027 em todo o país
-
Esportes6 dias agoAthletico-PR vence o Botafogo por 3 a 2 e se aproxima do Flamengo no Brasileirão
-
Educação4 dias agoIdeb: São Paulo inicia análise de resultados nas redes
