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Mercado de trigo sinaliza alta na entressafra e volatilidade internacional com clima e câmbio

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Cenário interno: produtores seguram vendas e moinhos projetam alta nos preços

O mercado de trigo no Brasil segue em ritmo lento de negociações, com os moinhos abastecidos no curto prazo e um movimento de expectativa por valorização nos próximos meses, especialmente durante a entressafra. Segundo análise da TF Agroeconômica, a tendência de alta está associada à oferta restrita, à diferenciação por qualidade e à competitividade do trigo nacional frente ao argentino.

No Rio Grande do Sul, os moinhos concentram seu interesse em compras para março, mantendo a moagem reduzida e estoques confortáveis. Atualmente, os preços nas indústrias variam entre R$ 1.150 e R$ 1.200 por tonelada, enquanto o valor ao produtor permanece em torno de R$ 54,00 por saca na região de Panambi. A expectativa é de que, a partir de abril, os preços avancem, impulsionados pela menor disponibilidade de trigo de boa qualidade e pela retenção de grãos pelos produtores, que aguardam melhores condições de mercado, favorecidos também pela entrada de recursos da soja e do milho.

O embarque de 66 mil toneladas de trigo gaúcho por cabotagem para o Nordeste reforça a percepção de qualidade superior do cereal produzido no estado, ampliando o interesse de compradores de outras regiões.

Santa Catarina e Paraná mantêm cautela nas negociações

Em Santa Catarina, o mercado permanece desaquecido, com foco em contratos de sementes e pouca disposição de venda por parte dos produtores. As pedidas seguem em torno de R$ 1.200 FOB para o trigo pão e R$ 1.300 para o trigo melhorador, patamares considerados elevados pelos moinhos, que operam com bom nível de abastecimento. Nos balcões, os preços variam entre R$ 59,00 e R$ 64,00 por saca, com estabilidade ou leve recuo nas principais praças. Para a próxima safra, produtores indicam redução na área plantada, optando por migração para o milho.

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No Paraná, o cenário também é de estabilidade. Os moinhos permanecem cobertos até fevereiro e concentram novas compras em março, com pagamentos previstos para abril. O abastecimento depende principalmente de trigo gaúcho e paraguaio, considerados mais competitivos que o produto local, o qual tem sido direcionado ao Nordeste ou mantido em estoque. Os preços CIF variam entre R$ 1.200 e R$ 1.280, conforme a região e a qualidade do cereal. A movimentação de navios para o Nordeste reforça a boa aceitação do trigo paranaense frente ao argentino.

Mercado internacional opera com comportamento misto

No cenário externo, o mercado de trigo apresentou movimento misto nas principais bolsas internacionais, influenciado por ajustes cambiais, fatores técnicos e condições climáticas no Leste Europeu. Segundo a TF Agroeconômica, o comportamento foi resultado principalmente da desvalorização do dólar frente ao euro, o que devolveu competitividade ao trigo norte-americano nas exportações globais.

Em Chicago, o trigo brando registrou leve alta, com o contrato de março avançando 0,19% e o de maio 0,23%. Em Kansas, o trigo duro teve leve recuo de 0,09%, enquanto em Minneapolis o trigo de primavera caiu 0,52%. No mercado europeu, o trigo para moagem em Paris fechou em baixa de 0,13%.

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A União Europeia indicou volume de exportações semelhante ao recorde da safra anterior, ampliando a competição entre os grandes fornecedores globais. O bom desempenho das cotações da soja e do milho também deu suporte aos preços do trigo, limitando as quedas mais expressivas.

Clima e câmbio seguem como principais fatores de volatilidade

Além das variações cambiais, o mercado acompanha com atenção as condições meteorológicas no Leste Europeu, especialmente na Rússia e Ucrânia, que enfrentam uma onda de frio intenso, com temperaturas próximas de –30 °C. Embora especialistas minimizem riscos imediatos às lavouras de inverno, as incertezas quanto ao impacto do clima mantêm os investidores cautelosos e aumentam a volatilidade nas cotações internacionais.

Combinando o cenário doméstico de oferta limitada e a instabilidade nos mercados globais, o trigo tende a atravessar as próximas semanas sob forte expectativa de valorização na entressafra, tanto no Brasil quanto no exterior.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Expocitros encerra debates sobre greening, clima e sustentabilidade

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Responsável por liderar a produção e as exportações globais de suco de laranja, a citricultura brasileira encerrou na última semana um de seus principais fóruns de discussão em meio a desafios que vão do avanço do greening às mudanças climáticas e à necessidade de ampliar a sustentabilidade da produção.

Realizadas entre os dias 26 e 29 de maio, em Cordeirópolis (376 km da capital, São Paulo), a 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura reuniram cerca de 12 mil participantes entre produtores, pesquisadores, consultores, empresas, cooperativas, estudantes e lideranças do agronegócio.

O encontro ocorreu em um momento estratégico para o setor. Apesar de manter a posição de maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, a citricultura brasileira convive com pressões sanitárias e climáticas que têm impactado diretamente a produtividade dos pomares.

A safra 2025/26 do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro foi encerrada em 292,9 milhões de caixas, volume 26,9% superior ao ciclo anterior, mas ainda afetado pelos efeitos do déficit hídrico e da elevada incidência de greening.

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Considerada atualmente a principal ameaça à citricultura mundial, a doença já atinge 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola brasileiro, segundo levantamento do Fundecitrus. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado nos últimos dois anos, pesquisadores alertam que o avanço do greening continua pressionando a produção e elevando os custos de manejo das propriedades.

Foi justamente diante desse cenário que a programação técnica da Semana da Citricultura concentrou debates sobre sanidade vegetal, irrigação, fertilidade do solo, bioinsumos, manejo fitossanitário, sustentabilidade, mercado internacional e novas tecnologias voltadas ao aumento da eficiência produtiva. O objetivo foi discutir estratégias capazes de aumentar a resiliência dos pomares diante dos desafios sanitários e climáticos que afetam a atividade.

Segundo avaliação do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, a edição de 2026 reforçou a importância da integração entre pesquisa, empresas e produtores para garantir a competitividade do setor nos próximos anos. “Encerramos esta edição com a certeza de que a citricultura brasileira segue forte, conectada à pesquisa, à inovação e às demandas globais”, afirmou.

Outro destaque da edição foi a manutenção do selo de Evento Carbono Neutro, refletindo uma tendência cada vez mais presente na cadeia citrícola. A agenda ambiental ganhou espaço entre produtores e empresas diante das exigências dos mercados internacionais e da crescente demanda por sistemas produtivos alinhados a critérios de sustentabilidade.

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Com mais de cinco décadas de história, a Expocitros e a Semana da Citricultura seguem como os principais espaços de discussão técnica e estratégica da cadeia citrícola brasileira. Em um cenário de transformações sanitárias, climáticas e econômicas, os eventos reforçaram a necessidade de inovação, pesquisa e planejamento como pilares para sustentar a liderança do Brasil no mercado global de citros.

Fonte: Pensar Agro

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