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Importações de leite em pó seguem elevadas e ameaçam produtores brasileiros: setor pressiona por medidas nacionais

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O setor leiteiro brasileiro inicia 2026 sob forte pressão devido ao aumento expressivo das importações de leite em pó, que vem comprometendo a rentabilidade e a sustentabilidade da atividade no país.

Mesmo após medidas adotadas por estados produtores — como Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul —, o volume importado continua elevado, o que mantém os preços pagos ao produtor em queda.

O tema foi destaque em uma live promovida pelo Sistema Faemg Senar nesta segunda-feira (26), que reuniu produtores, cooperativas, sindicatos rurais, representantes da CNA e lideranças políticas. O encontro teve como foco debater soluções para o desequilíbrio de mercado causado pelas importações e buscar ações coordenadas de defesa da produção nacional.

Segundo o levantamento apresentado, a captação de leite no Brasil cresceu 7,9% em 2025, enquanto as importações permaneceram altas, resultando em excesso de oferta e retração dos preços internos.

Produtores enfrentam concorrência desigual com importados

O presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, alertou que os produtores nacionais estão competindo em condições desiguais.

“Temos uma produção eficiente, que cumpre regras ambientais e sanitárias rigorosas, mas enfrentamos produtos importados que chegam ao país a preços muito mais baixos”, afirmou.

De Salvo reforçou que a continuidade desse cenário ameaça a renda das famílias rurais e pode afetar a permanência de produtores na atividade leiteira.

As entidades defendem ações nacionais mais robustas e avanço nas investigações antidumping para garantir previsibilidade e equilíbrio no setor.

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Avanço da investigação antidumping é prioridade

Em 2024, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) protocolou um pedido de investigação antidumping contra as importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai, alegando concorrência desleal.

O governo federal acatou o pedido e iniciou o processo, com base em indícios técnicos.

Entretanto, em agosto de 2025, houve uma tentativa de interromper a investigação sob o argumento de que não haveria similaridade entre o produto importado e o leite nacional. Após articulação das federações, o entendimento foi revertido, permitindo a continuidade do processo e a possibilidade de adoção de medidas provisórias de defesa comercial.

De acordo com Guilherme Dias, assessor técnico da CNA, a crise do leite se intensificou a partir de 2023, com o avanço das importações afetando diretamente os preços domésticos. Desde então, a CNA e o Sistema Faemg Senar têm atuado junto ao governo federal em busca de soluções.

Mobilizações reforçam pressão por medidas estruturais

O tema ganhou visibilidade nacional com o 1º Encontro dos Produtores Brasileiros de Leite, realizado em Brasília, que reuniu mais de 600 participantes.

Na edição seguinte, em 2023, o número ultrapassou mil produtores, ampliando a mobilização e pressionando por respostas governamentais.

Entre os resultados práticos, destaca-se o Decreto nº 11.732/2023, que alterou regras do Programa Mais Leite Saudável, e o movimento “Minas Grita pelo Leite”, que reuniu mais de sete mil produtores em Belo Horizonte em março de 2024.

A mobilização resultou na suspensão do diferimento do ICMS para o leite em pó importado em Minas Gerais — medida posteriormente adotada por Goiás, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Alagoas e Pernambuco.

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Em 2025, o governo mineiro ampliou o benefício tributário para o queijo muçarela, reforçando o apoio ao setor.

Balança comercial reforça alerta sobre dependência externa

O histórico da balança comercial de lácteos revela que o Brasil é, tradicionalmente, um importador líquido de derivados de leite, com volumes de importação superiores às exportações nas últimas décadas.

Entre o final dos anos 1990 e os 2000, o país registrou fortes déficits, impulsionados principalmente pela entrada de leite em pó da União Europeia e da Nova Zelândia.

A atuação da CNA foi determinante para aplicar medidas antidumping contra esses países, o que contribuiu para reduzir o ritmo das importações e reequilibrar o mercado interno.

Contudo, desde 2022, observa-se nova alta das importações e aumento do déficit comercial do setor.

Atualmente, a participação de produtos importados na captação nacional saltou de 2%–4% para até 10%, comprometendo a competitividade da produção brasileira.

“Os dados mostram que os instrumentos de defesa comercial são essenciais para equilibrar o mercado. Não se trata de fechar o país, mas de garantir uma concorrência justa. O produtor brasileiro quer competir, desde que seja em condições iguais”, conclui Antônio de Salvo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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