Agro
Jornada Exportadora da ApexBrasil impulsiona pequenos negócios e movimenta mais de R$ 55 milhões em 2025
Expansão internacional para pequenos negócios brasileiros
O programa Jornada Exportadora, promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), movimentou R$ 55,9 milhões em negócios em 2025, somando acordos firmados e projeções futuras. A iniciativa tem como objetivo reduzir barreiras comerciais, capacitar empreendedores e facilitar o acesso de pequenos e médios negócios ao mercado internacional.
Entre as participantes está a Top Amazon Cosméticos, de Ouro Preto do Oeste (RO), que fabrica produtos de beleza com ingredientes amazônicos e práticas sustentáveis. Fundada por Eusa Marques, a empresa foi uma das protagonistas da missão comercial voltada ao setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos realizada na Colômbia e no Peru, em abril deste ano.
“Foi uma virada de chave para nós”, destacou Eusa. “Aprendemos sobre rotulagem, regulamentações sanitárias e estratégias de posicionamento. Isso ampliou nossa visão e nos preparou para competir em novos mercados.”
Resultados expressivos e alcance global
Ao longo de oito edições, a Jornada Exportadora promoveu 1.899 reuniões de negócios em 11 países — entre eles Colômbia, Peru, Paraguai, Equador, Estados Unidos, Chile, Portugal, Bolívia, Panamá, Uruguai e Argentina.
O programa envolveu 129 empresas brasileiras de diferentes regiões e 312 compradores internacionais, representando setores como cosméticos, calçados, moda, e-commerce, alimentos e bebidas, artesanato, máquinas e equipamentos agrícolas, HORECA (hotelaria, restaurantes e catering) e agritech.
Os resultados financeiros incluem R$ 22,3 milhões em acordos imediatos e R$ 33,6 milhões em projeções para os próximos 12 meses, reforçando o impacto econômico da iniciativa.
Protagonismo feminino no comércio exterior
Um dos destaques de 2025 foi o protagonismo das mulheres. Mais de 70% das empresas participantes (93 de 129) eram lideradas por empreendedoras. Em seis das oito missões comerciais, a presença feminina foi predominante — e na missão aos Estados Unidos, dedicada ao setor de moda e e-commerce, todas as empresas eram comandadas por mulheres.
Para Clarissa Furtado, gerente de Competitividade da ApexBrasil, o programa tem se consolidado como um importante instrumento de inclusão e fortalecimento empresarial.
“A Jornada Exportadora é uma porta de entrada eficiente para empresas brasileiras que buscam se internacionalizar. Elas recebem apoio técnico desde a preparação até o contato direto com compradores estrangeiros, o que amplia significativamente as chances de sucesso”, afirma.
Missões combinam capacitação e imersão comercial
Cada edição da Jornada Exportadora une orientação técnica, análise de mercado e rodadas de negócios presenciais. As empresas participantes realizam visitas técnicas, participam de palestras com especialistas locais e têm acesso a consultorias personalizadas sobre regulamentações, embalagens e adaptação de produtos.
As missões podem abranger dois países por edição, escolhidos conforme as características e o potencial de cada setor. A seleção das empresas prioriza aquelas que já passaram por programas como o PEIEX (Programa de Qualificação para Exportação), levando em conta certificações, maturidade exportadora e presença digital em outros idiomas.
Além disso, o programa concede pontuação adicional a empreendimentos das regiões Norte, Nordeste e Distrito Federal, bem como a negócios liderados por mulheres e pessoas pretas ou pardas, estimulando a diversidade no comércio internacional.
Cachaça com jambu ganha novos mercados
Outro caso de sucesso vem de Belém (PA), com a Cachaça Meu Garoto, conhecida pela produção artesanal que utiliza jambu, planta típica da Amazônia. O administrador Marcos Patrocínio representou a empresa na missão voltada aos setores de cachaça, café e chocolate, realizada no Chile e no Peru, em junho de 2025.
“A Jornada Exportadora foi um verdadeiro divisor de águas”, afirmou Patrocínio. “Percebemos o enorme potencial da América do Sul, que muitas vezes deixamos de lado ao mirar apenas Estados Unidos e Europa. O contato com compradores locais e o entendimento das exigências regulatórias transformaram nossa estratégia.”
Após a missão, a Meu Garoto participou da feira ExpoCruz, em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), abrindo novas negociações comerciais. “Hoje já conversamos com potenciais clientes bolivianos, e a proximidade geográfica facilita a logística. A parceria entre ApexBrasil e Sebrae foi essencial para chegarmos até aqui”, completou o empresário.
Impacto regional e fortalecimento da marca Brasil
Com resultados concretos e histórias inspiradoras, a Jornada Exportadora se consolida como uma das principais ferramentas de internacionalização de micro e pequenas empresas brasileiras. Ao conectar empreendedores locais com compradores estratégicos, o programa fortalece a imagem do Brasil como fornecedor de produtos sustentáveis, criativos e de alta qualidade.
“Sem o apoio da ApexBrasil e do Sebrae, seria praticamente impossível alcançar esses mercados com tamanha assertividade”, reforçou Marcos Patrocínio. “A iniciativa valoriza o trabalho de quem representa a força e a autenticidade da Amazônia.”
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Egito e África do Sul dominam mercado global de laranja de mesa e ampliam pressão sobre concorrentes
O mercado global de laranja de mesa passa por uma profunda transformação. Impulsionados pelo crescimento da produção, ganhos de competitividade e expansão das exportações, Egito e África do Sul consolidaram sua liderança no comércio internacional da fruta fresca e devem responder por quase 69% das exportações mundiais em 2026.
Levantamento da CitrusBR, com base nos relatórios anuais Citrus: World Markets and Trade do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), mostra que os dois países adicionaram cerca de 300 milhões de caixas de 40,8 quilos ao mercado global entre 2010 e 2026.
O avanço evidencia uma mudança estrutural no setor citrícola mundial, com novos protagonistas ocupando espaços historicamente dominados por grandes exportadores tradicionais.
Participação global cresce de 48% para quase 69%
Em 2010, o comércio internacional de laranja de mesa movimentava aproximadamente 97,9 milhões de caixas. Naquele período, Egito e África do Sul exportavam juntos 47,6 milhões de caixas, o equivalente a 48,6% do mercado global.
Para 2026, a expectativa é que as exportações mundiais alcancem 121,1 milhões de caixas, crescimento de 23,6% em relação a 2010. Desse total, os dois países africanos deverão embarcar 83,3 milhões de caixas, ampliando sua participação para quase 69% do comércio global.
Enquanto isso, o chamado “Resto do Mundo” perdeu espaço. O grupo formado por exportadores tradicionais, incluindo Estados Unidos, países europeus, Turquia e Marrocos, deverá reduzir suas exportações de 50,3 milhões para 37,8 milhões de caixas no mesmo período.
Greening e clima reduzem competitividade dos Estados Unidos
A retração dos concorrentes foi determinante para o crescimento dos países africanos.
Nos Estados Unidos, a disseminação do greening nos pomares da Flórida e os eventos climáticos adversos na Califórnia provocaram forte queda na produção e nas exportações. Os embarques americanos, que somavam 18,3 milhões de caixas em 2010, devem recuar para apenas 8 milhões de caixas em 2026, uma redução de 56%.
A Europa também enfrenta desafios significativos. Secas prolongadas, restrições hídricas e doenças nos pomares contribuíram para uma redução de quase 14 milhões de caixas na produção ao longo dos últimos anos.
Com menor disponibilidade de fruta para exportação, os produtores europeus perderam competitividade no mercado internacional, abrindo espaço para novos fornecedores.
África do Sul amplia produção e conquista novos mercados
A África do Sul foi uma das maiores beneficiadas pela reorganização do comércio mundial de laranjas.
Segundo o USDA, a produção sul-africana avançou de 35 milhões para 46,5 milhões de caixas entre 2010 e 2026, crescimento de aproximadamente 33%.
As exportações apresentaram desempenho ainda mais expressivo, saltando de 23,1 milhões para 36,7 milhões de caixas, avanço de 60%.
Além da União Europeia, tradicional destino da fruta sul-africana, mercados como China, Rússia e Estados Unidos passaram a desempenhar papel estratégico para o setor exportador do país.
Egito fortalece competitividade e acelera expansão internacional
O Egito também consolidou sua ascensão como potência exportadora de laranja de mesa, especialmente a partir de 2016.
A expansão foi impulsionada por fatores como desvalorização cambial, acordos comerciais com tarifas preferenciais, custos de produção mais competitivos, incentivos governamentais e linhas de financiamento apoiadas por parceiros europeus.
Esse conjunto de medidas permitiu ao país ampliar rapidamente sua participação nos mercados internacionais e fortalecer sua posição entre os maiores exportadores globais de frutas frescas.
Avanço africano também impacta mercado de suco de laranja
Embora o Brasil permaneça como líder absoluto na produção e exportação de suco de laranja, o crescimento de Egito e África do Sul acende um alerta para a cadeia citrícola global.
Segundo análise da CitrusBR, enquanto os dois países ampliaram sua presença no segmento de fruta fresca, o Brasil deixou de exportar aproximadamente 570 milhões de caixas de laranja na forma de suco ao longo do período analisado.
De acordo com o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, a expansão egípcia merece atenção especial por envolver não apenas a exportação de fruta in natura, mas também o aumento da capacidade de processamento.
“Enquanto a África do Sul concentrou seus esforços no mercado de fruta fresca, o Egito ampliou sua presença tanto nas exportações de laranja de mesa quanto no processamento industrial, tornando-se um concorrente cada vez mais relevante, especialmente no mercado europeu”, destaca.
Mercado acompanha crescimento da indústria egípcia
As projeções do USDA indicam que o Egito deverá processar cerca de 22 milhões de caixas de laranja nesta temporada, volume próximo ao total de fruta fresca exportada pelo país em 2010.
Caso as estimativas se confirmem, o mercado internacional poderá receber aproximadamente 78 mil toneladas equivalentes de suco de laranja provenientes do país africano.
O aumento da oferta ocorre em um momento de desaceleração da demanda global, cenário que reforça a competição entre os principais exportadores e amplia os desafios para a indústria citrícola mundial nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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